Wine Weekend 2017

Amigos, passou-se mais uma Wine Weekend, foram quatro dias de evento (dos quais eu fui em três) e pela boa presença de público imagino que os resultados tenham sido bastante satisfatórios para as vinícolas que participaram da feira.

Minha opinião técnica é que o evento foi melhor nos anos anteriores. Alguns pontos desse ano ficaram aquém das demais edições, principalmente a taça vendida nesse ano que era completamente inadequada para uma degustação técnica. O restaurante Abruzzo não tinha estrutura nenhuma para atender à demanda de público (levei duas horas para conseguir almoçar após uma hora de espera, devido à demora dos pratos) e à superlotação, principalmente no sábado, onde mal se conseguia chegar nos estandes para degustação.

Outro ponto que se repete é que poucos expositores abrem seus principais vinhos para degustação, eles deixam apenas disponíveis para a venda. Alguns ainda deixam aquelas famosas garrafas atrás do balcão, apenas para um público mais seleto, o que também parece ser justo para atingir os verdadeiros possíveis clientes, afinal são vinhos de um custo diferenciado.

Mas teve muita coisa boa, muitas vinícolas surpreenderam e apresentaram seus principais vinhos. A seguir eu destaco as quatro como as que mais me encantaram no evento, ao menos das quais consegui provar:

Montes Cascas (Portugal).

A Vinícola é um projeto pessoal dos enólogos Helder Cunha e Alexandre Tirano, com vinhedos espalhados por Portugal, principalmente nas regiões do Douro, Bairrada, Alentejo e Dão.

Na minha opinião, a melhor surpresa do evento com vinhos de alta gama e de grande potencial de guarda. Com certeza, foi oferecido o maior número de rótulos de alta qualidade, destacando-se o Douro Grande Reserva Branco 2012, Douro Grande Reserva Tinto 2011, Douro Vinha das Lameiras 2012, Vinha da Carpanha 2010, Vinha das Cardosas Bairrada 2010 e o melhor do evento, no meu entender, o Ramisco Colares 2011.

Monte Cascas

Ramisco Colares 2011 – Ao lado do branco Malvasia Colares são os vinhos ícones da vinícola. Produzido 100% com castas Ramisco, uva típica da região, passa 18 meses em barricas de carvalho francês de 1º, 2º e 3º uso. Cor rubi profundo, um pouco fechado no nariz, com aromas de frutas maduras, notas florais e um fundo terroso. Em boca é potente e firme, com taninos muito marcados e grande potencial de envelhecimento. Final longo e levemente adstringente. Excelente e ainda vai melhorar com os anos.

Para quem não teve a oportunidade de ler sobre a produção de vinhos na região de Colares, em Portugal, não tem noção do esforço que é conseguir boa produção nessa região, pois as plantações precisam resistir aos fortes ventos marítimos, ao poder corrosivo das partículas de sal e às condições do terreno arenoso. São elevados custos de plantação e manutenção para obterem produções inferiores a duas toneladas por hectare, conforme nos contou o co-proprietário da vinícola, Alexandre Tirano.  É necessário que seja retirada a areia até ser encontradas, a vários metros de profundidade, em solo argiloso. As videiras crescem horizontalmente, coladas ao chão, num rendilhado de madeira, e são protegidas da influência marítima através de paliçadas de cana seca e muros de pedra solta.

Bodega Cassone (Argentina)

Uma das minhas favoritas na Argentina apresentou a linha completa de seus ótimos vinhos, entre eles os meus favoritos Maximus Obra-Prima Reserva  2012 e o Obra-Prima Coleccion Malbec Gran Reserva 2012, premiado na feira junto com o Obra Prima Corte Blanco 2015. Além desses velhos conhecidos, dois me surpreenderam positivamente: Obra–Prima Série Blue Reserva Premium 2014 e o Cassone Edición Especial Malbec – Cabernet Sauvignon 2014.


Obra-Prima Série Blue Reserva Premium 2014 – Um típico blend bordalês com 60% de Cabernet Sauvignon e 40% de Malbec,  que passa 12 meses em carvalho francês de primeiro uso. Bastante aromático com a predominância de passas, chocolate, baunilha e pimenta-preta. Em boca é frutado e com bom volume, taninos suaves e notas de framboesas e café. Final de ótima persistência.

Ermelinda Freitas (Portugal)

Esta foi na minha opinião a que obteve melhor relação custo X benefício, o que sempre foi uma estratégia da vinícola. Todos os rótulos da vinícola estavam à disposição para degustação, obviamente com destaques para o vinho ícone da vinícola, Leo D’Honor 2009. Apenas o Pinot Noir não estava na degustação, pois devido ao grande sucesso está esgotado.

Se não houve novidades em relação a novos rótulos, vários dos vinhos estavam com safras novas, entre eles o Petit Verdot 2015, o Touriga Nacional 2014, o Merlot 2014 e o Quinta da Mimosa 2014.

Ermelinda Freitas Petit Verdot 2015 – Esse sempre foi o meu favorito nessa série de varietais da vinícola. Já havia provado as safras 2010 e 2013 anteriormente e esse 2015 tende a evoluir bastante, mas obviamente com 5 anos de diferença de evolução ainda não está no estágio do 2010. Feito de uvas 100% Petit Verdot, passa 12 meses em carvalho. Cor púrpura intensa, aromas de framboesa, gengibre, pimenta-branca e notas terrosas. Em boca tem bom corpo, bom equilíbrio e excelente acidez. Final médio, com tendência a evoluir.

Vinakoper (Eslovênia)

A Vinakoper foi fundada em 1947 e atualmente produz 11 variedades de uvas brancas e tintas, entre as mais conhecidas mundialmente como Cabernet Sauvignon e Chardonnay e uvas autóctones como Refosco e Modri Pinot.

Entre os cerca de dez rótulos disponíveis para degustação, o destaque ficou para o Capo D`Istria Cabernet Sauvignon 2009 e o Capo D`Istria Refosco 2011, um vinho bastante tânico. Mas mesmo os rótulos mais simples são interessantes, inclusive comprei algumas garrafas para provar novamente em breve.

Capo D`Istria Cabernet Sauvignon 2009 – O que mais me agradou dessa vinícola, passa 36 meses em carvalho com 13,5% de graduação alcoólica. Cor granada fosca, aromas de cereja madura, geleia de ameixas, pimenta-preta e notas de madeira. Em boca é também amadeirado com bom corpo e taninos firmes, notas de tabaco e couro. Final de média persistência.

Capo D'istria

Além dessas quatro vinícolas, acho importante citar alguns outros vinhos da Feira: Colosso 2013 (Bodega Vicentin), Liguai 2012 (Perez Cruz), Tannat Single Vineyard 2010 (Bodega Fin del Mundo), Il Teo Old Vines Primitivo 2013 (Il Teo) e Canace Nero di Troia 2012 (Diomede), são vinhos que tiveram destaque e foram os mais elogiados pelos visitantes da Wine Weekend.

Agora é esperar a edição do próximo ano!!!

5 comentários em “Wine Weekend 2017

  1. Ótimo post Sitta !
    Realmente a taça era ridícula… não dá pra imaginar um evento de vinhos com taças daquele tipo e ainda por cima a venda.
    A vinícola Ermelinda foi uma surpresa pra mim, com ótimo CxB.
    Grande Abraço!
    Parabéns

    Curtido por 2 pessoas

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