As Duas Faces da Concha y Toro

Em minha última viagem ao Chile, essa semana, me deparei com um feriado na segunda-feira dia 09/10. Devido a antecipação do Dia de Colombo que originalmente se comemora em 12/10, assim como nosso feriado de Nossa Senhora Aparecida. Avisado pelos meus amigos locais, resolvi alterar toda a programação prévia com o intuito de fugir dos tradicionais engarrafamentos nas estradas durante retorno dos finais de semana prolongados.

Então não sobrou muitas opções próximas a Santiago e que estivessem abertas durante o feriado. Eis que me vi obrigado a optar por um almoço na Concha y Toro e sem grandes expectativas, quem sabe tomar um Terrunyo a um preço justo. Mero engano, foi um dos melhores almoços em vinícolas este ano e, por isso, resolvi fazer esse post sobre as duas faces da Concha y Toro.

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A própria vinícola se define como a “Marca de Vinhos mais Poderosa do Mundo”, obviamente com um leve grau de exagero, mas é sem dúvida a vinícola mais visitada no Chile, principalmente pelos iniciantes no mundo do vinho, acostumados com os vinhos de entrada da vinícola como o emblemático Casillero Del Diablo. Além disso, a visita a vinícola e principalmente a Cava do Casillero Del Diablo tem toda uma pirotecnia que encanta os mais modestos apreciadores das artes de Baco.

Obviamente para aqueles que vão ao Chile com o intuito de provar os melhores vinhos locais, e principalmente para quem já fez a visita uma vez, não querem nem ouvir falar de visitar a Concha y Toro, principalmente pela baixa qualidade dos vinhos provados durante a visita e pelo número massivo de turistas e excursões que de fato atrapalham as visitas mais técnicas. E eu poderia facilmente me incluir nesse grupo de desavisados.

A verdade é que existem duas Concha y Toro distintas: a que produz vinhos de alta produção e como em qualquer série de vinhos de larga escala tem a qualidade reduzida, principalmente pela necessidade de comprar uvas em massa e pelo altíssimo rendimento da produção interna que reduz a qualidade das uvas. Essa é voltada para o público iniciante e com menor grau de exigência que a vinícola chama de vinhos Varietais e vinhos Premium; e a Concha Y Toro dos vinhos de altíssima qualidade da linha Fine Wine Collection, talvez exceto pelo Gran Reserva Serie Riberas, e a linha Almaviva e EPU produzida em parceria com a Baron Philippe de Rothschild que em muitos casos de excelente custo-benefício. Isso eu sempre soube e nunca deixei de beber os vinhos mais nobres da vinícola, mas não tinha ideia de poder, de certa forma, encontrar essa segunda face na visita a vinícola.

Na minha opinião, o corte entre essas duas faces está na linha Marques de Casa Concha, que na minha opinião é um dos melhores custo-benefício aqui no Brasil na faixa de R$100,00 (custa R$ 60,00 na vinícola). Daí para baixo tem poucos que me agradam, talvez o Casillero Reserva Privada, mas daí para cima via de regra a qualidade é ótima (certo que o preço costuma acompanhar esse aumento de qualidade).

Minha grande descoberta é que almoçar na Concha y Toro e passar pela loja da  vinícola pode valer muito a pena. A vinícola fica a poucos quilômetros de Santiago, o restaurante tem boa qualidade, boas opções de pratos e bom atendimento e o vinhos e preços podem ser o grande diferencial!!

 

Clicando aqui você confere principais vinhos da vinícola e suas variedades, que podem ser degustados a preços especiais durante o almoço (taças ou garrafa). Além desses, existe a opção pela linha da Almaviva e da Biodinâmica Emiliana, visto que a Concha y Toro distribui esses vinhos no Chile. Todos esses vinhos podem ser comprados na loja da vinícola a preços até 15% melhores que as principais lojas de vinhos da cidade.

Durante meu almoço provei três vinhos, ajudado obviamente pelo preço especial do restaurante com descontos de até 40% no preço de alguns rótulos. Esses preços são exclusivos para os vinhos abertos no restaurante. O mais interessante foi provar o Almaviva 2014 lado a lado com o Carmin de Peumo 2010 e poder avaliar qual o melhor deles apesar dos quatro anos a mais de evolução do Carmin, pois na minha opinião são os dois melhores da vinícola.

Almaviva 2014: Nessa safra o corte é 68% Cabernet Sauvignon, 22% Carmenere, 8% Cabernet Franc e 2% Petit Verdot e passa 18 meses em carvalho francês novo. Um bebê que vai evoluir em alguns anos mas já se mostra como umas das melhores safras dos últimos anos com aromas de fruta vermelha, café e notas herbáceas. Em boca está frutado e firme como taninos macios e final prolongado. Nota 4,5 estrelas

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Carmin de Peumo 2010: Nessa safra o corte é 86% Carmenere, 8,5% Cabernet Sauvignon e 6,5% Cabernet Franc envelhecido por 17 meses em carvalho francês. Cor rubi intenso com toques violáceos. Aromas de frutas maduras com pimenta doce e caramelo. Em boca os taninos são agradáveis e densos com notas de chocolate, pimentão tostado, cacau e goiaba com final de boca persistente e nuances minerais. Nota 4,6 estrelas.

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Amélia 2016: Acho que me antecipei nesse pois ainda estava “verde” precisando de mais anos em garrafa. Um 100% Chardonnay que passa 9 meses em carvalho francês. Em boca pouca integração de madeira e fruta e acidez acentuada. Já provei a safra 2015 e achei mais pronto. Nota 3,5 estrelas.

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10 comentários em “As Duas Faces da Concha y Toro

  1. Visitei a Concha y Toro por duas vezes, mas não tive a oportunidade de almoçar na vinícola. Nem sabia que eles ofereciam essa opção. Muito obrigado pela dica. Parabéns pelo post e pelas notas dos vinhos. Forte abraço

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  2. Rodrigo, parece exagero, mas eles talvez sejam mesmo a vinícola mais respeitada e admirada do mundo do vinho. São uma potência de fazer inveja a qq produtor. Viagem magnífica e dicas sensacionais, como sempre! Saúde, meu amigo!

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  3. De fato há essas duas faces na CyT, estive em janeiro deste ano e pude constatar. Adquiri os melhores rótulos da vinícola na própria loja, que é imensa e tem muita variedade. Sobre o almoço, era dia do meu aniversário e aproveitamos a ocasião e almoçamos lá, menu rico e diverso, os vinhos… Você já comentou seu ótimo custo benefício. Após a CyT fomos a Cousino Macul aí foi a grande decepção. Cata com vinhos quentes já que o verão chileno é demasiadamente quente..

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    1. Obrigado pelo comentário. Eu também não dei sorte na Macul, a pessoa que nos levou no tour era extremamente difícil de lidar. Tive dúvidas de quem era o cliente na ocasião.
      Outra boa dica no Chile é a Viña Montes

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