Comparando preços entre USA e Brasil

Olá!

Nos últimos dias mudei meu perfil de usuário do Vivino para vários outros países que não o Brasil em uma forma de protesto por os administradores do Vivino não se posicionarem e nem tomarem quaisquer providências sobre os “fakes users” que continuam postando de 300 a 400 vinhos por mês no Brasil. Em uma dessas mudanças parei nos Estados Unidos e provavelmente ficarei por lá, não somente por não haver essa incidência de “loucos por ranking” mas também porque a loja on-line do aplicativo é infinitamente melhor que a loja do aplicativo no Brasil, e a cada postagem recebo inúmeras sugestões de compra de vinhos com mesma origem ou características dos meus vinhos postados.

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Aos amigos que ainda não leram, recomendo o Post que fala sobre esses problemas no Vivino: Porque eu ainda utilizo o Vivino.

Além disso, outro fato que me levou a escrever esse Post foi que algumas pessoas comentaram no meu Post sobre o Custo Brasil que fretes e custos operacionais também eram os causadores dos altos preços de vinhos no Brasil.  Não é que eu não concorde que haja alguma influência mas comparando com os Estados Unidos, percebemos que o frete é o menor dos problemas para justificar esses custos abusivos.

Vamos começar pelo Chile, que está muito mais proximo do Brasil do que dos Estados Unidos:

O Lapostolle Clos Apalta custa U$ 90 (R$300) contra R$650 aqui.

O Montes Alpha M custa também U$ 90 (R$300) contra R$550 aqui.

O El Principal Memórias custa U$ 35 (R$120) contra R$230 aqui.

Agora passando pela Argentina que faz fronteira com o Brasil:

O Cobos Bramare Marchiori Chardonnay custa U$ 38 (R$130) contra R$350 aqui.

O El Enemigo Malbec custa U$ 20 (R$70) contra R$200 aqui.

O Bodega Fin Del Mundo Special Blend custa U$ 33 (R$110) contra R$320 aqui.

E para finalizar, um rápido comparativo com a Europa:

CastelGiocondo Brunello di Montalcino custa U$50 (R$170) contra R$760 aqui.

O Ornellaia custa U$199 (R$680) contra R$1.800 aqui.

O Sassicaia custa U$195 (R$660) contra R$2.4000 aqui.

O Vega Sicília Único custa U$300 (R$1.020) contra R$3.000 aqui.

O Aalto PS custa U$120 (R$410) contra R$900 aqui.

O Quinta do Vale do Meião custa U$130 (R$440) contra R$910 aqui.

O Douro Pintas custa U$110 (R$380) contra R$770 aqui.

Como podemos notar pelas diferenças acima o fator transporte e logística agrega muito pouco. As margens altas e os impostos ainda são o fator preponderante nos custos. A cada liquidação de mais de 30% fica mais claro que a margem e gigante.

17 comentários em “Comparando preços entre USA e Brasil

  1. Parece que temos vocação prá “otários”, os impostos pouco se justificam pq boa parte ainda sonega muito… tendo a ver como uma ausência de escala que amplia a ganância dos comerciantes. Vendem menos mais querem as mesmas margens dos americanos.

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  2. Beleza Sitta, parabéns pela matéria. Muito embora entenda que a voracidade empresarial muitas vezes pesa mais do que a carga tributária. Exemplo disso são as promoções e variações dos preços em diversos segmentos. O Pintia, por exemplo, vi hoje de 520,00 reais. Minha opinião apenas. Abraços

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  3. É de se lamentar muito, não termos acesso com preço decente de todos os vinhos citados…gana por lucro, impostos na tampa, enfim, toda sorte de explicações para justificar os preços exorbitantes…lástima.

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  4. Rodrigo, muito grato pelas informações.
    No Brasil a incidência de impostos ocorre na nacionalização dos vinhos, onde o importador tem que antecipar todos os impostos antes de receber a mercadoria. No Porto paga inúmeras taxas e serviços caríssimos de armazenagem e transporte terrestre.
    A margem de lucro deve ser sobre o montante gasto, que virou custo do produto. Hoje a margem do importador é mínima, tanto que muitos fecharam as portas.
    Nos EUA, a tributação principal é feita na venda para o consumidor final. O importador não precisa antecipar grandes montantes, o custo da mercadoria fica muito menor e a margem em percentagem mesmo sendo igual a brasileira, faz o produtos ficarem muito mais baratos.

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    1. Ricardo.
      Entendo bem o que você diz pois também sou importador. Não de vinhos, de produtos eletrônicos mas temos os mesmos custos e dificuldades principalmente em relação ao fluxo de caixa pois tudo é pago antecipadamente.
      Não digo em relação ao importador, mas em relação ao logista. Eu não consigo dar 50% de desconto no meu material. Não consigo então ver promoções com 50%. Margem negativa? Estranho né?
      Sobre os impostos tem uma matéria no Blog chamada custo Brasil.
      Obrigado pelo comentário amigo!

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  5. Como sempre…muito bom Sitta!
    Vc já pensou em escrever, ou se já tenha postado alguma matéria sobre o que falarei peço que me informe, sobre o por quê do elevado valor de nossos vinhos!
    Até mais…

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  6. Caro Rodrigo:

    Se fosse no Vivino te daría 5⭐️👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼 Pela tua análise.
    Realmente, há muita coisa errada com o preço dos vinhos no Brasil. Quanto mais viajo, mais percebo isso (e olha que só de uns 3 anos para cá passei a olhar com cuidado o preço dos vinhos por onde andei, como Portugal,Argentina, EUA e agora Chile).
    Parabéns pela clareza, profundidade e objetividade da análise: tocou o dedo na ferida!
    Um abraço Rodrigo (pro Ricardo só mando depois de mais de 5 taças….kkk).

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  7. Parabéns Sitta! Belíssima colocação dos preços no Brasil em relação ao restante do mundo! A ganância de certas importadoras é um fato que dificulta o consumo de vinho no país, apesar dos impostos e taxas elevadas. Grande abraço!

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