História, Curiosidades e Degustação da Linha Caballo Loco.

Olá,

Há poucos dias visitei a Vina Valdivieso, em Curicó, no Chile e a degustação da linha de vinhos da Caballo Loco foi tão especial que decidi alterar a sequência e postar os detalhes da degustação antes mesmo dos relato da visita à vinícola, que em breve estarão no Blog.

O Brasil é o maior mercado consumidor desta linha de vinhos da qual eu sou muito fã. Aliás acredito que são inúmeros fãs dessa linha por aqui, via de regra quem prova gosta muito até porque são vinhos que mesmo jovens costumam se mostrar prontos para abrir!

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Mas antes dos detalhes mais técnicos da degustação, abaixo algumas curiosidades e um pouco da história de como foi criado este ícone chileno.

História e Curiosidades:

– O nome, para começar, vem do apelido de um dos três donos da Vina Valdivieso, Jorge Coderch. Jorge foi apelidado pelos amigos de colégio como “Caballo Loco”, porque era conhecido por sua inquietação e , tanto que passou por vários colégios de Santiago. Ele pediu aos funcionários que separassem algumas barricas de um vinho que considerava especial para tomar com sua família e esses barris foram identificados pelos funcionários como vinho do “Caballo Loco”.

– A primeira safra veio após quase três anos acumulando barris. O enólogo alertou à Jorge que o vinho já havia estagiado muito tempo em madeira e isso iria prejudicar suas características. Para balancear a acidez e a fruta do vinho decidiu-se misturar as safras mais antigas com as mais novas, inclusive com a safra recém vinificada para conseguir o resultado considerado ideal. A primeiras safra possui parcelas de 1990 a 1994.

– Como a lei chilena exige que cada vinho tenha informações da safra, do vale e das uvas que compõem o blend, decidiu-se engarrafar apenas metade do lote e destiná-lo à venda, isto para evitar uma possível perda da todo o lote. Após o sucesso imediato do “Caballo Loco Numero Um”, decidiu-se produzir o “Caballo Loco Número Dois” com a mesma receita, a metade guardada da primeira edição mais metade da safra atual. E para testar se a formula de sucesso foi sorte ou se realmente haviam produzido um grande vinho, decidiram engarrafar somente metade da produção novamente.

– Após o sucesso confirmado da segunda edição, decide-se que essa seria a fórmula definitiva para o vinho e o Caballo Loco Número Três surge da mistura da safra atual com o Caballo Loco Número Dois e novamente guarda-se metade da produção. Esse critério é adotado até hoje.

– A linha Gran Cru sempre existiu pois trata-se dos 50% misturados as safras anteriores. Entretanto ela surgiu no mercado por uma solicitação da Ravin, seu importador para o Brasil, que queria um Caballo Loco “menor”. Decidiu-se inicialmente mostras as qualidades do Cabernet Sauvignon e do Carmenere do Apalta, e assim surgiu os Gran Cru Vermelho e Azul. Isso aconteceu de 2008 a 2010.

– Após a consolidação da marca Caballo Loco Gran Gru vem ao mercado o verde e o amarelo.

– As primeiras edições do Caballo Loco tinham apenas 12,5% de graduação alcoólica. Após a consultoria de Michel Rolland em 2008, passou-se a sobremadurar mais os vinhos e usar barricas que aportassem mais notas de chocolate, para aumentar a pontuação dos vinhos, o que trouxe o resultado com vinhos acima de 14,5% de graduação alcoólica. Atualmente volta-se a buscar vinhos mais frescos e as safras atuais tem pouco mais de 14,0% de graduação alcoólica.

– O único vinho da série Gran Cru que teve alteração de composição das uvas que compõem o blend, ao longo das safras, foi o verde, Sagrada Família. O vermelho, Maipo, teve apenas alteração nas porcentagens de cada uva.

Degustação e Impressões:

Uma experiência única poder provar os quatro Gran Cru lado a lado, sendo apenas o Sagrada Família safra 2015 e os demais rótulos safra 2014. Apesar de vinhos bastante jovens já apresentam bom estágio de evolução. E para fechar a degustação com chave de ouro provamos o recém-lançado Caballo Loco Número Dezessete.

A degustação foi conduzida pelo gerente de exportações do grupo Valdivieso, Cristian Urra e contou com a participação do enólogo chefe do grupo, Brett Jackson, que é neozelandês, e tem se dedicado também a trabalhar a linha de vinhos Sauvignon Blanc, forte em seu país de origem e um dos vinhos que abriu nossa degustação.

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Com o enólogo Chefe Brett Jackson e Cristian Urra
Todos os vinhos passam aproximadamente 18 meses em carvalho Francês de primeiro uso e os barris da vinícola agora possuem o emblema dessa lina ícone.

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Caballo Loco Apalta (azul) 2014: Na minha opinião o melhor dos quatro Gran Cru desta degustação. Um corte de 70% Carmenere e 30% Cabernet Sauvignon, vivíssimo no nariz com frutas vermelhas e negras. Em boca muito macio, com taninos aveludados e final prolongado. Nota 4,4 estrelas.

Caballo Loco Sagrada Família 2015 (verde): Na minha opinião é o melhor dos quatro Gran Cru, mas ainda vai evoluir, minhas provas anteriores foram das safras 2008, 2009 e 2010. Nesta safra o corte é 35% Carmenere, 20% Malbec, 17% Cabernet Sauvignon, 15% Cabernet Franc e 13% Petit Verdot. Notas maduras de frutas vermelhas com leves toques confitados e muita intensidade. Nota 4,3 estrelas.

 

Caballo Loco Maipo (vermelho) 2014: Nesta safra as porcentagens do corte são 79% Cabernet Sauvignon e 21% Cabernet Franc. Outro que já está pronto, com aromas de chocolate e baunilha. Em boca tem ótima estrutura e taninos sedosos com final largo. Nota 4,2 estrelas.

Caballo Loco Limari (Amarelo) 2014: Foi o único que achei que ainda precisa de tempo de adega, em compensação eleito o melhor pelo Cristian e por minha mulher que acompanhou a degustação. Lembrei dessa postagem de poucos dias: Gosto é Gosto! Lição de uma Degustação Vertical. Esse 100% Syrah tem aromas de olivas e tabaco. Em boca tem corpo médio e final com notas de couro. Nota 3,7 estrelas.

Caballo Loco Seventeen: Um vinho espetacular que eu já havia listado como o segundo melhor vinho chileno do Guia Descorchados 2018 (link aqui). Como o pessoal da vinícola diz, são tantos anos e variedades que compõem o corte que é praticamente o Chile em uma taça. Muita estrutura e uma complexidade incrível. Nota 4,6 estrelas.

13 comentários em “História, Curiosidades e Degustação da Linha Caballo Loco.

  1. Muito interessante Sitta, não tinha noção de onde vinha o nome desses vinhos.
    E o Michel Rolland deu uma injeção no álcool!!
    Maravilha amigo, o verde também acho que é um dos que se destacam.
    Abs e parabéns pela matéria!

    Curtido por 2 pessoas

  2. Parabéns pelo post, ótimas informações que desconhecia. E não é que tem dedo do MR até na Valdivieso, e toma lá álcool!
    Também sou mais fã do Apalta, mas como você assinalou, gosto é gosto!
    E curioso ao extremo com o CL 17! Que privilégio já ter provado, hein??

    Curtido por 1 pessoa

  3. Concordo com a sua senhora, o Limari eh o melhor de todos. Esse 2014 ainda precisa de garrafa mas mesmo assim ja eh um vinhazo. Que maravilha de visita meu amigo! Da próxima vez que vierem vou junto kkkkkkkk

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