A Tentativa de Banalização do Vinho para Aumentar as Vendas no Brasil

Amigos,

Há poucos dias, recebi um vídeo do Confrade Rodrigo Rezende, que surpreso com o conteúdo, me repassou para que desse minha opinião. Resolvi postar no Blog a minha opinião. O vídeo está abaixo e dura cerca de 1 minuto.

 

 

Trata-se de um vídeo produzido por uma associação chamada Vinhos do Brasil e com o apoio da IBRAVIN e do Governo do Rio Grande do Sul onde acontece uma certa banalização do vinho em busca de atingir um publico mais jovem e obviamente aumentar o consumo de vinho nesta faixa etária. Mais surpreendente é que esses órgãos aparentemente apoiam essa iniciativa.

Vamos antes definir o termo “banalização” para que fique claro o que eu pretendo expor a seguir: Banalizar é Transformar “valores” caros em algo comum e sem importância, mas quando digo caro, não me refiro exatamente a valores financeiros mas ao valor agregado que o vinhos nos trás.

O que eu considero uma possibilidade de banalizar o vinho são imagens de colocar gelo na taça e beber no gargalo, por exemplo. E isso tudo feito de maneira irônica a uma pessoa que dita as regras corretas para apreciar um bom vinho. Afinal as mesmas entidades divulgam também vinhos mais refinados e caros.

Bom, a minha opinião: o vídeo transforma o vinho, uma bebida nobre com inúmeros benefícios a saúde, em simples consumo de álcool. Poderia ser feita de uma forma mais leve.

Beber vinho, na minha opinião, é muito mais do que o que está representado na propaganda. A experiência de tomar vinho começa antes mesmo da compra da garrafa, no desejo de provar determinado vinho, passa pelo momento correto de abrir determinado rótulo ou safra e pelos rituais corretos em servir, passa pela companhia, pela harmonização e vai muito além do fim da garrafa, fica nas lembranças.

Eu não bebo vinho pelo apenas pelo álcool. Por isso apenas a possibilidade de banalização me preocupa.

Bons vinhos a todos!!

 

 

 

15 comentários em “A Tentativa de Banalização do Vinho para Aumentar as Vendas no Brasil

  1. Sitta, vi quando vc mandou esse vídeo, juro que ainda não tenho opinião formada. Explico, para nós, apreciadores, realmente esse vídeo é uma afronta, chega ser de mal gosto, mas para quem não tem nenhum contato com o vinho, esse vídeo pode desmistificar um pouco a bebida, e conhecendo e tendo intimidade, o paladar muda , e a relação com o vinho também.

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  2. Gosto muito dessa sua frase no final, que diz que o vinho começa muito antes de abrir a garrafa, e não acaba na hora que o líquido se esgota. Muitos dos vinhos que tenho na adega foram comprados pensando em ocasiões ou pessoas especiais, com quem quero dividir a garrafa. Um grande exemplo disso foi o Maria Teresa que bebemos na semana passada. Foi comprado pensando em beber em uma ocasião especial. Prometi que beberia com você, um super vinho com o nome da sua mãe, e assim foi feito. Não foi uma data especial, mas dada a qualidade do papo e dos vinhos naquela noite, certamente vai ficar na memória!

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  3. Assisti a esta propaganda a uns dois dias atrás e tbm fiquei indignado com o apoio da IBRAVIN e Governo do RS.
    Acredito que exista alguma representação de produtores (descentes) de vinho que possa interceder na continuidade desse vídeo na mídia brasileira, ou até que mudem o foco, retirando essa idéia de rebaixar o vinho a apenas mais uma forma de se consumir álcool.

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  4. Pelo posicionamento que a bebida tem em nossas mentes, outro público consumidor, é triste ver o quão despreocuoados estão com o Conceito da mesma. Infelizmente, mas, para a maioria das empresas, seja em qualquer nicho de mercado, o que importa é o aumento de seu market share independente dos meios para alcancá-lo. Não seria de se espantar uma propaganda voltada para o público jovem, como esta veiculada, a fim de conquistar novos clientes. Falta de um CONAR atuante, regra de sobrevivência e de mercado…

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  5. Eu até estava pronto para concordar com vocês mas vi o video e não consegui.
    Estou longe do público alvo desse video e certamente mais próximos dos hábitos enófilos dos amigos que leem o blog.
    Minha impressão é que eles estão num marketing de guerrilha, tentando tirar consumidores do mercado de cerveja — o que não me parece de todo mau — e atingir um público jovem. O que parece meio chato é que para vender uma bebida eles tenham sempre que acrescentar um componente de sensualização. Mais parece propaganda de camisinha do que de vinho, o que para mim é um pós-brega.
    Penso que podemos até questionar a forma com que eles fazem isto (o estilo do video é um tanto chato e pretensioso no meu entender, entrando forte no mau-gosto) mas talvez seja uma porta que estejam tentando abrir para alargar o mercado. Repito: não faria um video ou recomendaria um video assim mas tem gente que muito provavelmente será atingida por ele.
    Também acho que o consumo consciente e familiar é muito mais proveitoso — mas a realidade é que quem é atingido por esse vinho provavelmente não saiba o que seja consciente ou familiar…só consumo. Acrescento que as vinícolas brasileiras fariam mais pelo vinho investindo na qualidade do que na quantidade.
    Em suma: o video não é nada meu estilo mas reconheço que seja uma tentativa de ampliar o consumo — ainda que não das melhores.

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