História, Curiosidades e Degustação Vertical do Cheval des Andes

Amigos,

Após participar de uma fabulosa degustação vertical do Cheval des Andes, organizada pelo confrade Daniel Dalzochio, resolvi pesquisar um pouco mais sobre essa vinícola argentina com DNA francês e dividir com vocês a informação.

A seguir, dados da história, algumas curiosidades e detalhes da degustação das safras 1999 a 2014, junto com uma garrafa de seu irmão francês, o Cheval Blanc safra 1979.

História.

O Cheval des Andes é o projeto conjunto do Château Cheval Blanc, lendário Premier Grand Cru de Saint-Emilion e dos Terrazas de los Andes. Tudo começou quando o presidente do Château Cheval Blanc, Pierre Lurton, estava procurando um terroir internacional especial onde aplicar o legado histórico do Château Francês na elaboração de vinhos.

Em 1999 durante uma visita a parcela selecionada de um dos mais qualificados terroirs de altura da Argentina, o vinhedo Las Compuertas de 80 anos de idade, que pertence a Terrazas de los Andes, localizado em Vistalba, Mendoza, Pierre Lurton, ao provar o Malbec, foi cativado pela qualidade do vinho produzido neste local aparentemente inóspito, e ficou intrigado com a ideia de desenterrar uma conexão com o passado de Saint-Emilion. Dizimada pela filoxera na década de 1860, uma das variedades mais importantes em Saint-Emilion e Pomerol, o Malbec, reencarnou na Argentina, produzindo alguns dos melhores Malbecs do mundo nos últimos anos. Junto com esse renascimento na Argentina, surgiu uma ambiciosa visão para forjar um novo caminho na produção internacional de vinho.

Sua visão abriu o caminho para o nascimento de Cheval des Andes, a primeira e única aliança que o prestigioso Château Cheval Blanc achou por bem lançar. A nobre fusão de um Premier Grand Cru de Saint-Emilion com o melhor terroir argentino em altitude trouxe a extraordinária experiência do velho mundo e a criatividade e inventividade do novo, juntos como deveriam estar em um glorioso vinho.

Curiosidades:

  • A safra de 2000 foi a única que não houve a produção do vinho.
  • Ao longo das 15 safras, o corte usado teve Malbec, Cabernet Sauvignon, Merlot, Petit Verdot e Cabernet Franc, na tabela abaixo temos todas as safras e a pontuação dos especialistas.

Cheval des Andes

  • Os varietais passam 18 meses de envelhecimento em barricas de carvalho francês. O envelhecimento é feito inicialmente por 6 meses em lotes separados e depois por 12 meses para a montagem final. Utiliza-se entre 30 e 60% de barricas novas, exceto uma primeira parte do Malbec, que utiliza barricas de segundo uso para obter mais frutas e frescor.
  • O corte final é envelhecido em barricas novas de carvalho francês por mais 6 meses. Depois de engarrafado passa por estiba em garrafa por pelo menos 18 meses.

Degustação Vertical das safras 1999 – 2014

Trata-se de uma experiência única pode provar lado a lado todas as safras de um vinho com este porte. Mais que tudo foi um grande aprendizado sobre como o vinho evolui ao longo dos anos e a influência das pequenas variações no corte. E poder comparar esses vinhos com um Cheval Blanc, um dos vinhos de maior prestígio no mundo, e muito mais envelhecido, tornou a experiência ainda mais especial.

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Obviamente que avaliar todas essas safras é muito difícil e tem uma forte influência do gosto pessoal, mas a minha opinião, da mais para a menos expressiva, está a seguir. Mas é importante ressaltar que utilizando o padrão do Vivino como referência, a safra menos pontuada levaria 4.1 estrelas, ou seja, excelente vinho. A melhor fica com 4.7 estrelas.

2002: a melhor de todas, fruta em compota e notas terciárias num equilíbrio fantástico.
2006: nariz com compota e especiarias, muita complexidade.
1999: terciários em evidência, aberto no momento certo.
2004: frutas silvestres no aroma e boa acidez no palato.
2013: o melhor dos mais jovens com muito a evoluir.
2003: aromas de frutas vermelhas e pimenta branca, bem equilibrado e sedoso.
2008: em evidência o herbáceo do Cabernet Franc, também couro e cedro.
2012: boa complexidade e potência.
2009: acidez acentuada e muita fruta no nariz.
2011: especiarias no nariz e em boca, taninos firmes.
2014: safra com maior porcentagem de Malbec e a mais pontuada por RP, precisa de tempo.
2007: bastante madeira e tabaco com alguma fruta.
2005: com secundários e terciários, corpo médio.
2001: já quase sem taninos, agradou pelos terciários.
2010: pouca fruta, sobressai o couro e a madeira, taninos firmes e final rústico.

O Cheval Blanc 1979, obviamente estava muito mais evoluído que os demais, trata-se de um vinho longevo e de muita qualidade, já em terciários, com notas de couro, tabaco e caixa de charuto.

 

 

 

 

12 comentários em “História, Curiosidades e Degustação Vertical do Cheval des Andes

  1. Minha avaliação é bem diferente:

    O Cheval Blanc foi o melhor de todos, vivo, equilibrado, macio e repleto de terciários.

    Dos Cheval des Andes, minha ordem foi:

    2002, 2001, 1999, 2003, 2010, 2013, 2011, 2012, 2006, 2008, 2004, 2005, 2007, 2009 e 2014.

    Divididos em 3 flights o 3o prevaleceu, ficando o 1o depois.

    Curtido por 1 pessoa

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