Malbec World Day – Degustação da Wines of Argentina.

Hoje é Malbec Day!! Na verdade Malbec World Day!

A data de 17 de abril foi estabelecida pela Wines of Argentina, entidade responsável pela imagem do vinho Argentino no mundo, em 2011, como dia para festejar sua casta emblemática.

Apesar de não ser exatamente a minha uva favorita (o que não quer dizer que eu não seja um grande fã), é sem dúvida alguma o estilo regional que eu mais provei, com mais de 600 rótulos e safras somente nos vinhos varietais, sem contar os vinhos que possuem Malbec no corte.

Origem do nome:

Achei 3 versões para origem do nome, sendo as duas primeiras bastante similares.

Contam, mas não provam, que um camponês húngaro chamado Malbek, responsável por um viveiro de plantas, foi o primeiro a identificar essa cepa, e foi o responsável por difundi-la na região de Cahors e posteriomente em Bordeaux, na França. Com o tempo, o nome da uva teria sido adaptado de Malbek para Malbec.

A segunda é que na antiga província de Quercy, o produtor Monsieur Malbeck (de onde obviamente deriva o nome do vinho Malbec) conseguiu esta variedade após cruzar duas espécies de uva.

Outra explicação para o nome, é que Malbec é uma alusão a “mauvais pic”, expressão em francês que significa “mau pico”, em função do sabor áspero e amargo típico da expressão dessa uva em Bordeaux.

Origem da uva:

A origem do Malbec encontra-se no sudoeste da França, onde também é conhecida como Côt. Ali era cultivada e com ela se elaboravam vinhos denominados de “Cahors”, devido ao nome da região, reconhecidos desde os tempos do Império Romano. Estes vinhos foram consolidados na Idade Média e acabaram de se fortalecer na modernidade.

Da França para a Argentina.

A uva Malbec chegou à Argentina em 1853, pela mão do francês Michel Aimé Pouget (1821-1875), agrônomo contratado por Domingo Faustino Sarmiento para levar adiante a direção da Quinta Agronômica de Mendoza.

Seguindo o modelo da França, esta iniciativa propunha incorporar novas variedades de cepas como meio para melhorar a indústria vitivinícola argentina. Em 17 de abril de 1853, com o apoio do governador de Mendoza, Pedro Pascual Segura, o projeto foi apresentado perante a Legislatura Provincial, visando fundar uma Quinta Normal e uma Escola de Agricultura. Este projeto foi aprovado com força de Lei pela Câmara de Representantes em 6 de setembro do mesmo ano.

No final do século XIX, e pela mão dos imigrantes italianos e franceses, a vitivinicultura cresceu exponencialmente e, com ela, o Malbec, que rapidamente se adaptou aos diversos terrois da Argentina, inclusive, se desenvolveu melhor do que em sua região de origem. Desta forma, com o passar do tempo e com muito trabalho, perfilou-se como uva insigne da Argentina.

O Malbec na Argentina, em números:

– Atualmente, a Argentina é o principal produtor de Malbec do mundo, com cerca de 40.000 hectares plantados ao longo de todo o país, seguido pela França, Itália, Espanha, África do Sul, Nova Zelândia e USA.

– Mendoza é a principal região vitivinícola argentina. Nela se concentram 86% dos cultivos de Malbec. Depois, respectivamente, temos San Juan,  Salta, Patagônia (Neuquén e Rio Negro) e La Rioja.

–  Segundo dados do Instituto Argentino de Vitivinicultura com base na colheita de 2017, a Malbec representava 20,3% dos hectares cultivados para vinificação. Se considerarmos apenas as uvas tintas, ela representava 36,4% dos hectares cultivados.

Degustação da Wines of Argentina:

A Wines of Argentina promoveu uma degustação no último dia 11 de abril, na adega conceito Pão de Açucar, para comemorar o Malbec World Day. Entre os convidados estiveram presentes Jeriel da Costa (Blog do Jeriel), Leandro Baena (Choro da Videira) e Daniel Mirandinha, além de outros Wine Bloggers.

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Durante o evento foram apresentados diversos rótulos, em varietais ou cortes, e os principais destaques estão a seguir:

Cadus Blend de Alturas 2014: excelente blend de três vinhedo com alturas diferentes (Alto Agrelo 1050 msnm, Chacayes 1150 msnm, Los Árboles 1250 msnm) e 85% do vinho passa 12 meses em carvalho francês de primeiro uso com 15% de graduação alcoólica. Cor rubi profundo, aromas de frutas negras, café e especiarias. Em boca é encorpado com taninos frutados e largo final.

Cadus Finca Las Torcazas 2014: Uvas 100% Malbec e single vineyard, 90% do vinho passa 18 meses em carvalho francês de primeiro e segundo uso com 14% de graduação alcoólica. Vinho robusto, aromas de frutas negras e canela. Em boca é bem integrado e equilibrado com final firme e prolongado.

Enzo Bianchi 2015: Na minha opinião a grande estrela da noite, lembra um vinho bordalês. Nessa safra possui um corte de 50% Malbec e 50% Cabernet Sauvignon com passagem de 14 meses em carvalho francês e 12 meses de guarda em garrafas com 15,5% de graduação alcoólica. Apesar de jovem, muito macio com aromas de frutas vermelhas, cacau e torrefação. Em boca é sedoso e volumoso, taninos aveludados e largo final. Tem longa evolução pela frente.

Trapiche Terroir Series Malbec Finca Ambrosía 2015 e Finca Orellana 2014: provados lado a lado para que pudéssemos perceber as tipicidades de cada terroir, pena que não eram da mesma safra (o que provoca mudanças devido à alterações climáticas), mas mesmo assim foi uma grande experiência. O nome da Finca é homenagem a família que produz as uvas (que são compradas). Dois excelentes vinhos de perfis distintos mas eu prefiro o Ambrosía, que aliás já foi tema do Blog. o link está a seguir: Finca Ambrosía.

Além dos vinhos acima, provamos também o Nieto Senetiner Malbec D.O.C. 2015, BenMarco Malbec 2016, Kaiken Ultra Malbec 2016, Kaiken Estate Malbec 2017 e Don Valentin Lacrado Roble Malbec 2018.

Todos os vinhos apresentados são vendidos na adega conceito do Pão de Açúcar.

Serviço:
Adega Pão de Açucar
Endereço: R. Augusta, 2710 – Cerqueira César, São Paulo – SP, 01412-100
Telefone: (11) 3552-6041

5 comentários em “Malbec World Day – Degustação da Wines of Argentina.

  1. Eu adoro Malbec, está sempre entre os meus prediletos em diversas listas, e como esta uva se adptou a terra Argentina! The Best, parabéns pelo post, sempre com informações construtivas. 🍷🍷🍷

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  2. Bacana o trabalho da Trapiche valorizando os produtores e estimulando a busca da excelência do fruto, a cada safra a finca que apresenta o melhor terroir tem seu nome impresso no rótulo, por isso não é possível comparar safras da mesma finca, pelo menos pra nós! Ótima matéria e bela degustação Rodrigo! Viva a Malbec!!!

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