Wines of Bolivia

Olá,

Há alguns meses atrás postei aqui os detalhes de uma degustação de vinhos Tannat de sete países diferentes. Nessa degustação havia um representante da Bolívia, que para muitos dos participantes foi o melhor da noite.

Positivamente surpreso com o vinho, resolvi organizar uma degustação de vinhos desse país, com alguns dos principais rótulos. O resultado está no final deste post, mas antes vamos conhecer um pouco mais da produção de vinhos bolivianos.

Vale ressaltar que as região de Tarija, a principal da Bolívia, tem altura parecida com a região de Salta na Argentina e fica a cerca de 650 km de distância.

História e Dados Técnicos

Com uma história semelhante ao resto da América do Sul, as videiras foram introduzidas na Bolívia nos tempos coloniais com a chegada dos conquistadores espanhóis em 1548. As principais variedades introduzidas no país foram Moscatel de Alejandría e Misionera, também conhecida como “Criolla Negra”. As videiras, então, seriam cultivadas à medida que crescem em torno de “molles” (Schinus molle) em um sistema tradicional impressionante que ainda pode ser visto hoje na maioria dos vales do país.

Existem inúmeros vales onde o vinho é tradicionalmente produzido na Bolívia há mais de 400 anos. As regiões mais importantes compreendem atualmente 3.000 hectares e são divididas em:
– Vale Central de Tarija com 2.400 hectares de vinhedos entre 1.600 a 2.150 msnm.
– Vale do Los Cintis com 300 hectares entre 2.220 e 2.414 msnm.
– Os Vales de Santa Cruz com 100 hectares entre 1.600 e 2030 msnm.
– Vários vales em Potosí, La Paz e Cochabamba, com cerca de 200 hectares entre 1.600 e 3.000 msnm.

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Fonte: Wines of Bolivia

Os estilos de vinho feitos na Bolívia, por percentual:
– 77% de vinhos tintos.
– 20% de vinhos brancos.
– 3% vinhos rosé, vinhos espumantes, de sobremesa e fortificados.

Principais vinícolas

A tabela abaixo traz dados das principais vinícolas da região de Tarija, a maior região produtora de vinhos na Bolívia.

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Fonte: Wines of Bolivia.

Degustação e Comentários.

Na última terça-feira (23/05), em mais um evento do Blog, promovemos uma degustação acompanhada de um jantar, de seis rótulos bolivianos entre vinhos reserva e íconos. Os vinhos foram trazidos diretamente da Bolívia e o valor, fora o frete, ficou entre US$ 18 e U$ 50 por garrafa.

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Os detalhes da degustação estão a seguir:

Magnus Trivarietal 2012: Esse o mais simples de todos, corte de 45% Cabernet Sauvignon, 30% Merlot e 25% Syrah com passagem de 12 meses em carvalho francês e 14% de graduação alcoólica. Um vinho para o dia a dia mas existem muitas opções melhores na sua faixa de preço (US$ 18).

Cepas de Altura Cabernet Sauvignon 2016: Esse um vinho bastante interessante. Uvas 100% Cabernet Sauvignon com passagem em carvalho francês. Melhor inclusive que alguns considerados mais tops. Vinho equilibrado e com nariz melhor do que a boca. Aliás uma tendência nos vinhos bolivianos.

Cepas de Altura Syrah 2016: Esse tem média melhor no Vivino que o Cabernet Sauvignon mas a turma toda gostou mais do Cabernet. Uvas 100% Syrah com passagem em carvalho francês.

Único Tannat 2016: Na minha opinião o segundo melhor da noite. Uvas 100% Tannat de altura com 14,0% de graduação alcoólica. Deve passar por madeira mas a ficha técnica não informa. Aromas parecidos com os vinhos de Salta, com notas florais e ervas. Em boca é de corpo médio com notas minerais. Final médio

Gran Patrono Premium Reserve Marselan 2016: Baita surpresa, o melhor vinho da noite e no mesmo nível dos melhores vinhos brasileiros. O vinho é um corte de duas alturas diferentes, plantadas em 2006 em dois microclimas de altitude, um em Sunchu Huayco, a 2.000 metros acima do nível do mar, no vale central de Tarija; e outro em Vivicha a 2.400 metros acima do nível do mar, no Vale dos Cintis. Uvas 100% Marselan com 18 meses em carvalho francês de primeiro uso e 14% de graduação alcoólica. Aromas de alcaçuz e chocolate ao leite, em boca é macio e potente com notas de cacau e baunilha. Final longo e aveludado.

Juan Cruz Grand Reserve 2016: Era pra ter sido a grande estrela da noite mas não performou como esperado. O reserva dele que provamos há dois meses é bem melhor.
Talvez tenha sido a garrafa mas não vale a média de 4.4 estrelas do Vivino nem de longe. Pouco equilíbrio e taninos rústicos. Custa cerca de US$ 50.

Fontes:
https://www.winesofbolivia.com

 

16 comentários em “Wines of Bolivia

  1. Belíssima matéria, Sitta. Concordo com todas as notas. O Gran Patrono por ser 100% Marcelan, para mim uma cepa não muito comum, surpreendeu muito. Esse vinho eu compraria tranquilamente.

    Curtido por 1 pessoa

  2. Oi Rodrigo. Artigo super interessante. Tem algum importador desses vinhos bolivianos ou você teve acesso a eles através de alguma viagem ou Contsto de lá? Fiquei super curioso.
    Abs.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Boa tarde
      Um amigo viajou para a Bolívia e trouxe os vinhos para o evento. Difícil achar por aqui.
      Quem sabe alguém se anima a importar.
      Abraços

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  3. Bela expêriencia Sitta, cada vez mais aprendendo aqui no blog.
    Após as leituras do post sobre “os vinhos Tannat de sete países diferentes”, fui atrás de conhecer os vinhos bolivianos e acabei encomendando quatro vinhos de lá, por sorte um dos meus é o Único Tannat, bom saber que pelo menos um eu acertei veremos os demais que são o Tannat Origen single , Arajunez CF, e Trivarietal Tannat-Malbec-PV da solana. Grande abraço.

    Curtido por 1 pessoa

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