O Terroir Catarinense e seus Vinhos e Vinícolas

Por Ivan Ribeiro

Chegamos as Serras Catarinenses e seus diversos terroirs, com altitudes de até 1.400 metros acima do nível do mar. Histórias, poesias, magias, exposições, sítios arqueológicos, passeios, degustações dirigidas ou na cave das vinícolas, visitas programadas. Muita coisa linda, muito assunto bom!

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As Serras Catarinenses estão entrando no circuito do enoturismo, com qualidade extrema, excelente trabalho desenvolvido na região, com novas pousadas em construção, inclusive em algumas vinícolas, várias castas sendo cultivadas em toda região, o que denota uma extrema variedade de vinhos para serem degustados e que enriquece ainda mais toda essa aventura enogastronômica que deve ser vivenciada.

No entanto, mesmo considerando que a região de São Joaquim e a Serra Catarinense correspondem a mais de 50% de todo o empreendimento vitivinícola de produção de vinhos finos de Santa Catarina, é bom compreendermos toda sistemática da região.

Estudos relacionados com o BRDE (Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul), na publicação denominada “Viticultura em Santa Catarina – Situação Atual e Perspectiva”, relatam que os vinhos do Estado podem ser divididos em 3 regiões, conforme a característica da cultura e da tradição de cada uma delas. Assim teríamos as seguintes regiões:

Região Tradicional: Vale do Rio Peixe (que abrange os municípios de Videira, Tangará, Pinheiro Preto, Salto Veloso, Rio das Antas, Iomerê, Fraiburgo e Caçador), e é responsável por cerca de 80% da produção de uva e vinho no Estado, na sua maioria de vinho simples, e o cultivo apresenta um perfil parecido com o da Serra Gaúcha. O clima é úmido com verões frescos e Carbonífera (com os municípios de Urussanga, Pedras Grandes, Braço do Norte, Nova Veneza e Morro da Fumaça), cuja base histórica da produção são os vinhos coloniais. Há uma pequena fabricação de vinhos finos, que apresenta crescimento. Esta região distingue-se por apresentar a produção de uma uva característica, a Goethe, que é uma uva híbrida, com material genético de vitis vinifera e vitis labrusca, apresenta aroma e paladar de frutas e cuja tipicidade é um dos elementos que mais contribuem para a divulgação da bebida. Essa tipicidade rendeu à região o reconhecimento com Indicação de Procedência (IP) para os vinhos feitos com a variedade.

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Região Nova: abrange as cidades de Rodeio, Nova Trento e as que ficam localizadas no Leste do Estado, perto de Brusque, onde há pouca quantidade de bebidas finas, sendo mais frequentes os vinhos mais comuns e coloniais.

Região Super Nova ou de Altitude: compreende as cidades do planalto serrano, que está investindo apenas na produção de vinhos finos. Com uma cultura extremamente destacada desses locais, que tem seu desenvolvimento tanto em função da imigração italiana como baseado em resultados de pesquisas técnicas. Nessa região, temos destaque para o município de São Joaquim por apresentar mais de 50% dos empreendimentos do setor vitivinícola das regiões de altitude, conforme já mencionamos aqui.

Como, dentro de todo o contexto, a região Super Nova ou Vinhos de Altitude é a que mais tem ganhado notoriedade na produção de vinho e atraído grande parte do enoturismo da região, vamos focar esse post nessa região.

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Como o inverno pede vinho, é para Serra Catarinense que o turismo tem crescido. Muitas atrações, vinhos, passeios e muitas vinícolas boutique, com pequenas e cuidadosas produções. São dezenas delas, de forma que seria impossível tratarmos, apenas num breve artigo, de todas de grande importância para o cenário local. Claro que todas tem a sua particularidade, mas iremos nos concentrar apenas nas mais destacadas e conhecidas.

Divididas pelos municípios de São Joaquim, Campo Belo do Sul, Urupema, Bom Retiro, Urubici e Tangará, dentre outros municípios que compõem a Rota dos Vinhos de Santa Catarina, essas vinícolas desenvolvem o cultivo de castas de diversas origens, com destaques para castas de origem Francesa e Italianas. Lá podemos encontrar: Sangiovese, Carmenere, Chardonnay, Riesling, Syrah, Teroldego, Nero D’ávola, Sauvignon Blanc, Pinot Noir, Merlot, Cabernet Franc, Syrah, Malbec, Montepulciano D’Abruzzo, dentre tantas outras das quais falaremos nesse artigo.

Um terroir típico, onde o inverno chega mais cedo, e que as uvas tem um amadurecimento mais lento, frente à toda concepção do clima, encontramos muitas colheitas tardias de Cabernet Sauvignon e apostas em uvas com características mais apropriadas para esse tipo de clima. Uma amplitude térmica grande, podendo varias entre 15 e 20 graus durante o dia e a noite, em vinhedos que variam entre 900 e 1300 metros de altitude. Mesmo com alto índice pluviométrico da região, cerva de 240% acima do considerado ideal para o cultivo de uvas viníferas, o período de exposição ao sol, complementado com a amplitude térmica, maturação completa em seus períodos ideais, baixa pressão atmosférica pela altitude dos vinhedos e qualidade do solo, fazem com que as vinhas não percam tantos nutrientes no período noturno, quando ocorre a respiração das plantas (por força das baixas temperaturas), agregando mais sabores e aromas as uvas, o que aumenta a qualidade do produto final.

As principais vinícolas, são: Thera, Villa Francioni, Suzin, Pericó, Leone di Venezia, Monte Agudo, Villaggio Bassetti, Villaggio Conti e Quinta da Neve, que é uma das mais antigas e a primeira a produzir vinhos na região. Além de outros projetos que tem sua importância e que serão citados ao final do artigo.

Vinicola Thera:

Como bem diz a apresentação da Vinícola, ela valoriza e procura expressar ao máximo toda essência e delicadeza do terroir das Serra Catarinense já nos seus primeiros goles.

O nome Thera é em homenagem à D. Therezinha, que era chamada assim por seu falecido esposo, que foi um visionário da região e iniciou com maestria esse projeto de vinhos de altitude na Região da Serra Catarinense. Hoje, esse projeto é tocado pelos filhos do casal, que idealizaram esse sonho e a Vinícola Thera por meio do João Paulo, um dos filhos.

Localizada na Fazenda Bom Retiro, que tem fácil acesso pela SC110 (que liga a BR282 com Urubici), tem visitação com degustação guiadas de sexta à domingo. Com um Wine Bar e restaurante instalados em ambiente com vista magistral, é um convite para a visitação nos dias informados acima. Área que também pode ser utilizada para eventos e outras situações.

A linha de vinhos da Thera é de altíssima qualidade, e já tive o prazer de degustar alguns deles. Em sua linha temos: Sauvignon Blanc, Thera Rosé (Merlot, Cabernet Franc e Syrah), Chardonnay, Madai (corte de Merlot, Cabernet Franc, Syrah e Malbec), Auguri Blanc De Blancs (Chardonnay) e Auguri Brut.

Além de tudo isso, a Thera iniciou o projeto de sua Pousada Boutique, contando hoje com 7 apartamentos, que trazem todo charme e aconchego da vinícola. Recomendo a visitação.

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Vinícola Villa Francioni:

A história dessa vinícola mistura amor, dedicação, estudos e resignação pela qualidade e bons vinhos. Lá se emprega até hoje a frase de seu fundador, que deixou marcado na memória de todos a expressão de “enriquecer a celebração da vida ao sabor de um elegante vinho elaborado com amor e arte.”.

Nota-se o tamanho da dedicação e do esmero no trato com as vinhas e a preparação dos seus vinhos, numa capacidade total de 300 mil litros ano. Dotado de sistema de ligação por gravidade, tudo acompanhado pelo pessoal do laboratório, todo processo é automatizado não tendo nenhuma interferência humana no engarrafamento dos vinhos, divididos nas linhas: Villa Francioni, Joaquim e Aparados.

Uma vinícola dotada de uma arquitetura grandiosa e em cinco níveis diferentes, torna-a uma das mais cobiçadas e procuradas vinícolas da região para visitação. Tendo inclusive galeria de artes, restaurante, adegas e demais áreas, o que torna a visitação imperdível.

Os seus vinhos são os seguintes: na linha da Villa Francioni, temos o VF Dilor (um corte de Cabernet Franc, Merlot, Malbec, Syrah, Cabernet Sauvignon e Petit Verdot), VF Chardonnay, VF Rosé (Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Merlot, Malbec, Petit Verdot, Sangiovese, Syrah e Pinot Noir), VF Sauvignon Blanc, VF Francesco (corte de Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Merlot, Malbec e Syrah), VF Tinto (corte de Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Merlot e Malbec), VF Juarez Machado (corte de Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Merlot e Malbec), VF Michelli (Sangiovese, Cabernet Sauvignon e Merlot), VF Colheita Tardia (Sauvignon Blanc), VF Licoroso Tinto (Cabernet Sauvignon), VF Brut Rosé (Pinot Noir e Chardonnay) e VF Espumante Branco Nature; na linha Joaquim temos o Joaquim Rosé (Cabernet Sauvignon e Merlot), Joaquim Tinto (corte de Cabernet Sauvignon e Merlot), Espumante Joaquim Brut Branco (Sauvignon Blanc, Chardonnay e Semillon) e o Espumante Joaquim Brut Rosé (corte de Cabernet Franc, Sangiovese, Cabernet Sauvignon, Merlot, Pinot Noir, Malbec, Petit Verdot e Syrah); e por fim, a linha Aparados, que conta com o Aparados Tinto feito com a Cabernet Sauvignon.

Uma variedade grande de vinhos, com cortes bem inusitados, que provocam ainda mais a curiosidade por uma visitação nessa belíssima vinícola feita de sonhos, amor, dedicação, alta tecnologia, cuidados e vinhos elegantes e com extrema qualidade.

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Vinícola Suzin:

É uma vinícola jovem, tem origem italiana, e foi fundada em 2001 pelo patriarca da família, e vindo de um nome de peso na futicultura da região, veio agregar conhecimento com a agricultura a cultura do vinho. O que só faz somar e agregar valores ao que se faz.

A linha dos seus vinhos compõe rótulos varietais e blends, tais como: Suzin Intrigante, Suzin Malbec, Suzin Cabernet Sauvignon, Suzin Merlot e Suzin Pinot Noir, tendo ainda na sua linha um Rosé, Sauvignon Blanc e Espumante Brut.

Sendo uma das vinícolas mais premiadas de Santa Catarina, recebeu mais de 10 medalhas no Concurso Wines IF Brazil Awards de 2019, sendo três medalhas de ouro para seus principais vinhos, dentre eles o Top da Vinícola que é o Suzin Intrigante Lote 1, que foi avaliado com 91 pontos.

É uma vinícola que fica muito próxima ao centro de São Joaquim, apenas 20 km do mesmo, numa altitude de mais de 1220 metros acima do nível do mar e com uma amplitude térmica muito grande, variando de 20 graus no verão ao dia para 5 graus no período da noite, o que é extremamente importante para as vinhas que podem acumular polifenóis, taninos, açúcares e material corante, agregando grande qualidade aos vinhos.

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Vinícola Pericó:

A Vinícola Pericó, foi fundada em 2002 na região do Vale do Pericó, em São Joaquim, Santa Catarina, com intuito de aproveitar todo o terroir e toda qualidade que a região apresenta, com suas uvas de amadurecimento lento, que resultam em vinhos e espumantes de qualidade pela concentração de aromas e sabores intensos.

Uma aposta que deu certo, quando acreditaram na qualidade do terroir Catarinense, no solo e clima da região, com vinhos de altitude, que carregam reconhecimento nacional e internacional.

O terroir da vinícola acompanha a essência da região de São Joaquim e da Serra Catarinense, dias mais quentes e noites frias, que dão uma amplitude térmica maior, o que ajuda na qualidade das uvas. O seu solo é basáltico, o que confere mineralidade para os vinhos, tornando-se um ponto de reconhecimento nos vinhos da vinícola, que se encontra a 1.300 metros de altitude.

Os vinhos da Pericó constam de uma linha grande, como três vertentes. Os espumantes, que são os Doradus (Sur lie), Cave Rosé, Cave Moscatel, Cave Brut, Champenoise Nature Branco e Champenoise Rosé Brut. Nas linhas dos vinhos, temos: Basaltino (Pinot Noir), Plume (Chardonnay), Taipa (Rosé de Cabernet Sauvignon e Merlot), Vigneto (Sauvignon Blanc), Basalto (corte de Cabernet Sauvignon e Merlot), Equação (Cabernet Sauvignon) e Altitude (Licoroso – colheita tardia de Cabernet Sauvignon). E, por fim, outra linha de espumantes e vinho mais simples, a linha Vivaia, com os espumantes Brut, Rosé, Moscatel e o vinho Vivaia Vinho Tinto Suave (Cabernet Sauvignon).

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Vinícola Leone di Venezia:

A Leone di Venezia, é mais uma das grandes e belas histórias da imigração italiana ao Brasil. A família firmou morada inicialmente em Caxias do Sul – RS, onde montou uma das mais conceituadas produtoras de pipas e barricas para armazenamento de vinhos da região colonial da Itália no Rio Grande do Sul.

Contudo, o tempo e a vida profissional, separaram o Saul Bianco, de seus sonhos e objetivos, que somente foram possíveis em 2007, após sua aposentadoria, quando foi estudar enologia na Itália e voltou para Santa Catarina com o intuito de concretizar o sonho antigo.

Nascia a Leoni di Venezia instalada numa área de 15 hectares, no município de São Joaquim – SC, numa altitude média de 1.280 metros, está rodeada pela belíssima paisagem do Morro Agudo e Vale do Rio Antonina. Com uma sede lindíssima e vinhedos bem estruturados, tem uma produção das seguintes uvas tintas: Sangiovese, Montepulciano, Refosco Dal Peduncolo Roso, Aglianico, Nero D´avola e Primitivo; já entre as uvas brancas encontramos: Gewurstraminer, Garganega, Grechetto, Vermentino e Verdello. Uvas italianas num terroir brasileiro, uma mistura fantástica de troca de cultura e aposta em produtos de altíssima qualidade.

Os vinhos não passam por processo de estabilização e nem são filtrados, seguindo uma técnica da mínima interferência possível na condução do processo e da extração da mais pura essência do vinho. Tendo vinhos brancos, tintos, espumantes e licorosos. Com vinhos de grande qualidade, alguns blends e vários com passagem em barrica de carvalho francês e americano de primeiro e segundo uso.

As videiras foram importadas da Itália, e seguem o formato de condução tipo espaldeira, para proteger melhor as uvas de granizo e eventuais insetos e pássaros na época de maturação das mesmas.

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Vinícola Monte Agudo:

Fundada em 2004, com a união de um médico e um produtor de grãos, nascia mais um sonho e uma empresa de características familiares.

Localizada em São Joaquim, com altitude de 1.280 metros, suas vinhas vieram todas da França e foram plantadas no dia dos Reis Magos, o que os proprietários atribuem ao vinhedo um presente dos Reis, nesse belíssimo terroir de altitude. Tendo as vinhas plantadas com a condução em “Y”, uma decisão tida através dos proprietários e do enólogo, que entenderam ser essa a melhor condução para proporcionar maior incidência de sol nas uvas, proporcionando melhor qualidade.

Tendo iniciado todo processo com as castas Chardonnay, Cabernet Sauvignon e Merlot, hoje já conta também com a Sauvignon Blanc, das quais podem ser degustados belíssimos vinhos da vinícola no espaço enogastronômico onde ocorrem as degustações, almoços e jantares, podendo ser agraciado com um belo por do sol visto da sacada do espaço. Local de uma beleza sem igual e uma vista fascinante.

Outra experiência sensacional e que pode ser vivenciada pelos visitantes, é participar dos piqueniques, através de degustações onde são servidos petiscos no ar livre e entre os vinhedos. Experiências que merecem ser vivenciadas.

No seu portfólio temos os seguintes rótulos: Cabernet Sauvignon/Merlot (corte tinto), Chardonnay, Espumante Sintonia, Sublime (rose de Merlot), Chardonnay Unoaked e Vivaz (Sauvignon Blanc).

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Vinícola Villaggio Bassetti:

Também localizada em São Joaquim, com produção familiar e grandes vinhos, objeto de muita dedicação e tecnologia, trabalho e a união familiar, que rompeu barreiras, arregaçaram as mangas e foram ao trabalho.

Assim, em 2005, nascia a Villaggio Bassetti, cheia de história, sonhos e desejos, desde os tempos em que a família morava na Itália antes da imigração no início de 1900. A família com base em Alto Ádíge, região famosa por belíssimos vinhos em Trentino na Itália, trazia para o Brasil toda essa vontade e paixão pelo mundo dos vinhos.

Com cultivo iniciais de Cabernete Sauvignon e Merlot, posteriormente se juntando as castas Pinot Noir, Sangioves e Sauvignon Blanc, num solo pedregoso e com amplitude térmica grande, geram excelentes frutos, os quais passam por um processo de vinificação muito bem feito. Hoje tem em seu portfólio nove rótulos, sendo Primiero (100% Cabernet Sauvignon), Montepioli (Cabernet Sauvignon e Merlot), Ana Cristina (100% Pinot Noir), Roberto (100% Sangiovese), Selvaggio (Cabernet Sauvignon), Rosé (50% Merlot e 50% Pinot Noir), e completam os nove rótulos com três vinhos de 100% Sauvignon Blanc, dois deles com passagem por Barrica (Selvaggio D’Mammy e Donna Enny) e Sauvignon Blanc puro com muita mineralidade, parecendo receber influências marítimas, mesmo estando distante do oceano.

Assim, com clima propício e com chuvas nos períodos certos, que influenciam o processo de brotação e temperaturas amenas que contribuem com a dormência das plantas, tem uma amplitude térmica muito boa, variando entre 18 e 20 graus entre o dia e a noite no verão, que geram bons frutos e bons vinhos com uma boa graduação de álcool, estrutura e acidez.

Vinícola Quinta da Neve:

Uma das mais antigas vinícolas da região de São Joaquim, numa área de 87 hectares no distrito de Lomba Seca, foi fundada em 1999, tendo seu início de plantio em 2000, com castas importadas da Itália e Portugal. Contando, atualmente, com 25 hectares plantados com as castas: Sangiovese, Cabernet Sauvignon, Montelpuciano, Touriga Nacional, Merlot, Pinot Noir, Sanvignon Blanc e Chardonnay,

No seu portfólio tem alguns vinhos de corte e outros varietais. Se destacando os Sauvignon Blanc, e os cortes de Cabernet Sauvignon e Merlot com Sangiovese e Touriga Nacional. Sem contarmos com o sucesso do Pinot Noir, que é considerado, por muitos, como o melhor do Brasil. Além do espumante Brut.

Todos os anos as uvas são colhidas manualmente e antes de ser iniciado o processo de vinificação, é feita uma seleção na mesa sobre os cachos que irão ser utilizados na produção dos vinhos da Quinta da Neve.

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Vinícola Villaggio Conti:

A Vinícola Villaggio Conti é o resgate das tradições do norte da Itália. Uma vinícola que teve seu início em 2009, com o primeiro vinho produzido em 2012, um Montepulciano que gerou grande resultado e expectativa, veio desenvolvendo ao longo dos anos, e em 2018, teve a sua fundação definitivamente consagrada. A expressão máxima de castas italianas no terroir de altitude do Brasil.

Na coleção de uvas viníferas destacam-se as brancas Malvasia, Vermentino, Gewürztraminer Ribolla Gialla e Greghetto e entre as tintas a Sangiovese, Montepulciano, Teroldego Rotaliano, Refosco, Aglianico, Rebo, Pinot Neto, Pignolo e Nero d’Avola. Tem uma produção em média de 20 mil litros de vinhos por ano, divididos em 10 rótulos, com alguns premiados, como o Sangiovese, que foi eleito o melhor Sangiovese do Brasil em 2017 e o Pignolo (sendo a única vinícola a cultivar essa casta fora de Friuili, no Nordeste da Itália, onde é o seu berço).

O conceito que está sendo utilizado na construção da futura cantina é o da gravidade no transporte da uva, mosto e vinho. Os materiais utilizados são locais, como as pedras retiradas na preparação do vinhedo usadas na adega subterrânea. Energia renovável, solar e eólica, em busca da sustentabilidade.

A vinícola conta com um braço comercial em Florianópolis, onde funciona um Wine Bar e podem ser adquiridos todos os rótulos. Vale muito a prova e o conhecimento sobre essa vinícola que tem muito o que apresentar no mercado ainda, com vinhos elegantes e estruturados.

Os vinhos podem ser adquiridos através do site: villaggioconti.com.br

Vinícola Abreu Garcia:

Uma das histórias mais interessantes de todos os estudos que fiz sobre o terroir Catarinense e suas particularidades, foi sobre a vinícola Abreu Garcia. Uma vinícola boutique, situada a 950 metros acima do nível do mar, em Campo Belo do Sul, ocupando uma área de 10 hectares de vinhedos de onde saem vinhos tintos, brancos e espumantes de qualidade.

Além dos vinhos, a vinícola conta com uma área arqueológica que fora descoberta na região contando com uma danceira indígena datada do século XV, onde se realizavam funerais e cerimônias onde cultuavam a memória dos ancestrais mais importantes da tribo. Constituindo de dois monumentos em forma de anéis um dentro do outro. Onde foram encontradas ossada e vasos da época citada, o que fora confirmada por diversas análises e pesquisas com antropólogos renomados sobre o tema. Uma curiosidade bem atrativa.

Outra grande atração da vinícola é a Igreja de Taipeira, construída com pedras da própria região onde fica situada a Vinícola e erguida por artesão da região que realizam esse tipo de serviço na Região. Os visitantes podem realizar ensaios fotográficos na Capela, e onde fora realizado o batizado dos filhos do proprietário da vinícola.

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Aqui, são cultivadas as uvas Merlot, Malbec, Pinot Noir, Cabernet Sauvignon, Sauvignon Blanc, Chardonnay e Vermentino das quais são feitos diversos vinhos tintos, brancos e espumantes (Brut, Brut Rosé e Nature).

Demais Vinícolas e Regiões:

Claro que fica quase que impossível falarmos de todas as vinícolas da região, o que necessitaria de uma minuciosa pesquisa e visitação in-loco de todas as regiões, conhecendo produtor por produtor e apreciando seus produtos. O que, fatalmente, se assim Deus permitir, ainda farei.

Assim, além das vinícolas que citamos temos: vinícola Villagio Grando (Água Doce – SC), Terramillia (Rancho Queimado – SC), Fattoria Monte Alegre (São Joaquim – SC), vinícola Kranz, vinícola Panceri (Tangará – SC), vinícola D’Ature (São Joaquim – SC), vinícola Boutique D’alture, vinícola Sanjo, vinícola Vivalti, entre outras tantas da região.

Ainda temos que mencionar outras grandes vinícolas, tais como: Villa Prando (fica em Itajai – SC), Santa Augusta (Videira – SC), Borgo com seu Castelo estilo Medieval (Nova Veneza – SC), Vigna Mazon, com sua arquitetura moderna e arrojada, localizada em Urussanga – SC (vale das uvas Goethe), Vinícola da Serra (com sua produção de vinhos de mesa, vinhos finos, cachaças, grappas, licores, vinhos licorosos, doces de diversos tipos, com tradição desde 1969, localizada em Pinheiro Preto – SC), San Michele (com sua história enraizada e ligada a cidade de Trento na Itália, com produção de vinhos finos e espumantes de qualidade, localizada na cidade de Rodeio – SC), Hiragami (Projeto iniciado em 2001 em São Joaquim – SC).

Outro aspecto importante e que não poderia deixar de ser citado nesse momento, é o do vale da uva Goethe. Uma região com produção em larga escala dessa casta, que fica situada entre a serra e o mar ao Sul de Santa Catarina,  e compreende os municípios de Urussanga, Pedras Grandes, Cocal do Sul, Morro da Fumaça, Treze de Maio, Orleans, Nova Veneza e Içara.

A Goethe é oriunda de um cruzamento das uvas européias: Moscato de Alexandria, com a Moscato de Hamburgo e Schiava Grossa, juntamente com uvas americanas (Isabel). Uma casta híbrida, que tem, na sua composição, uma proporção de 87% de uvas européias e 13% de uvas americanas. Sendo considerada uma uva forte, resistente e vigorosa que, e que, por conta desses elementos, praticamente não utiliza uma série de agrotóxicos que são comuns dentro da vitivinicultura.

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Na sua estrutura, os vinhos feitos com a uva Goethe, são brancos bem peculiares, com sabores e aromas extremamente destacados, frescos, com presença de frutas brancas, notas minerais e boa acidez. Tem coloração amarelo palha, podendo chegar ao dourado. Remete a frutas como pêssego, maracujá, carambola, abacaxi e até cupuaçu podem se destacar no aroma. O que combina e harmoniza muito bem como frutos do mar.

Hoje a região de Urussanga, e demais municípios que cultivam a Uva Goethe e, por meio da reunião de alguns produtores que criaram a associação ProGoethe, vem conseguindo grandes avanços, tais como, o selo de IGP (Indicação Geográfica de Procedência), bem como o selo interacional de Slow Food, os quais dão as seguintes vinícolas, mais um atestado de competência nos serviços prestados ao mundo do vinho, bem como a todo o Roteiro de Enoturismo de Santa Catarina. Fazem parte da ProGoethe as Vinícolas Casa Del Nonno, De Noni, Quarezemin, Trevisol e Vigna Mazon.

Considerações finais:

Mais um terroir dilapidado, buscado e levado até vocês de modo simples, mostrando as riquezas do nosso Brasil. Mais um terroir com grande influência italiana, inclusive nas castas que se cultivam e na forma como produzem o vinho.

Cada vinícola com sua particularidade, cada região com sua experiência. E, nisso o Brasil vai crescendo em termos tecnológicos e ganhando espaço no mundo da viticultura.

Ainda tem muito por vir dessa região que já demonstra extrema qualidade dos seus produtos e vinhos de reconhecimento nacional e até internacional. Que venham mais e mais descobertas, novas vinícolas e novos vinhos. São o vinho e o turismo agregando valor e fazendo crescer os terroirs de Santa Catarina.

Ivan Ribeiro do Vale Junior.
Advogado / Sommelier / Professor / Escritor
WSET / ISG / FACSUL / UFRGS
@duvalewinetasting

 

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