O Terroir do Cerrado e seus Vinhos e Vinícolas

Por Ivan Ribeiro

Já passeamos pela Bahia, Minas Gerais, Santa Catarina, e agora estamos chegando ao cerrado Brasileiro. Centro-Oeste do Brasil, terra com muitas montanhas, planaltos, planícies e uma serra próspera para produzir grandes vinhos, a Serra dos Pirineus.

O Terroir Catarinense e seus Vinhos e Vinícolas

O Terroir Baiano e seus Vinhos e Vinícolas

Com um clima seco e uma amplitude térmica bem propícia ao cultivo das uvas, a serra de Goiás se torna uma local perfeitos para produção de uvas que amadurecem até o ponto ideal para a produção de vinhos, com um ciclo de maturação completa na região. O que, aliado ao uso de tecnologia de ponta importada de Israel para irrigação dos parrerais, tornou possível vencer a secura da região, proporcionando uvas sadias e vinhos de qualidade extrema.

Dias quentes e noites frias possibilitam duas safras anuais, enquanto no Sul, apenas uma. Brazilândia e Planaltina têm as melhores qualidades de solo para vinhedos. Contudo, requer irrigação para vencer a secura do clima.

Mas, quem acha que essa história na região é recente, se engana. Todo esse incentivo começou há muitos anos, quando um militar da reserva, após ter sucesso com a produção de cachaça e rum, vencendo importantes concursos no Brasil, resolveu partir para produção de vinhos, apostando na região e no clima seco, quente durante o dia e frio à noite, o que torna o local altamente propício para a produção de vinhos de qualidade.

Esse Coronel da Reserva, contratou o Enólogo Marcos Vian, a quem concedeu o trabalho de cultivar 5 mil pés de mudas vindas da França, sem a utilização de portas enxerto, nem de defensivos químicos agrícolas, e que fossem produzidos vinhos o mais orgânicos possíveis.

Assim, nascia em Planaltina de Goiás, cidade a 50 quilômetros de Brasília, as primeiras plantações e todo início de história dessa região. Por lá foram plantadas as castas Pinot Noir, Cabernet Sauvignon, Syrah e Sauvignon Blanc.

De acordo com o Coronel, a intenção dele era tornar a fazenda uma imitação perfeita do solo da Borgonha com brita, bagaço de cana, esterco de gado e entulho. O resto, dizia ele, ficava nas mãos de Deus.

No entanto, a vida ceifou todos os planos, e tudo teve que ser deixado para trás sem jamais ter sido degustado sequer um vinho daquele parreiral. Marcos Vian conta que: “Ninguém sabe que gosto tinha esse vinho. Só posso dizer que o rum dele era um espetáculo”.

Assim, os vinhos do cerrado começaram a contar sua história, e hoje, alguns produtores Brasilienses e Goianos, sonham em entrar para o grupo de grandes produtores de vinhos nacionais, como já temos no Rio Grande do Sul, Bahia, Minas Gerais, São Paulo e Santa Catarina.

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Alguns experimentos isolados em Goiás já vêm tendo resultados satisfatórios e com a expressão de grandes vinhos, como os produzidos na Serra dos Pirineus, à exemplo do excepcional Intrépido (Syrah) e do Bandeiras (Barbera). Dois vinhos de altíssima gama, que já tive o prazer em degustar e sentir toda potência de vinhos feitos com muita qualidade. Bem como, nos arredores do Distrito Federal, de onde já temos plantações de aproximadamente 2,5 hectares de uvas cultivadas, que forma o projeto denominado AVPLAC – Associação dos Viticultores do Planalto Central.

Assim, temos hoje no Distrito Federal mais de 25 produtores de uvas, com uma produção anual elevada e que já vem delimitando seu território na região. São mais de 70 hectares plantados, principalmente com a variedade Niágara Rosada.

Desses produtores, hoje temos 9 deles que estão desenvolvendo um projeto nos arredores de Brasilia e cultivando uvas para produção de vinhos finos, com as castas Pinot Noir, Cabernet Sauvignon e Syrah. Em breve, além dos vinhos de Goiás, teremos os vinhos produzidos no Planalto Central em pleno Distrito Federal, viveremos para isso.

Assim, enquanto os vinhos de Brasília ainda são sonhos e planejamentos, em sua boa parte, conforme veremos, os vinhos e sucos de uva produzidos nos vinhedos de Goiás, já são realidade. E, nesse entorno, temos 4 vinícolas que já se destacam com trabalho de produção e enoturismo, colocando Goiás no roteiro de vinhos nacionais que merecem toda a nossa atenção, conforme veremos.

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Pireneus Vinhos e Vinhedos

A Pirineus, a mais famosa pelos vinhos produzidos da região, fica localizada no município de Cocalzinho de Goiás. Foi fundada em 2008, às margens do Rio Corumbá, produzindo vinhos de grande gama, e hoje contando com uma linha maior de alguns varietais com menos de tempo de barrica do que os seus vinhos de ponta que compõem a linha Terroir, com as castas: Tempranillo, Syrah e Barbera.

A propriedade pertence ao médico e Sommelier Marcelo Souza, e lá são produzidos os vinhos Bandeiras e Intrépido, vinhos altamente premiados com diversos títulos, dentre eles o de melhor tinto pelo Anuário de Vinhos Brasileiro do Instituto Brasileiro de Vinhos de 2012.

O Bandeiras é produzido com a uva italiana Barbera, e recebeu o nome em homenagem aos bandeirantes, que descobriram a região onde as uvas são cultivadas. O Intrépido, por sua vez, é produzido predominantemente com uvas francesas Syrah, que compõe mais de 85% do vinho, sendo complementado com Tempranillo, e representa a iniciativa corajosa e pioneira em produzir vinhos em uma região improvável.

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A colheita acontece sempre nos meses de agosto e setembro, com a realização de dupla poda, vinhos de inverno, e é possível agendar visitas em grupos de até dez pessoas para conhecer os vinhedos e participar de degustação harmonizada com os vinhos. Para maiores informações e agendamentos, é só entrar em contato pelo email: pireneusvinhos@gmail.com.

Hoje a vinícola conta com 8 rótulos, entre vinhos de entrada e vinhos especiais, além de alguns vinhos prêmios como o Tempranillo produzido em pequena escala e que cada garrafa chegou a ser vendida por R$500. O Intrépido e o Bandeiras, são vinhos na faixa de R$180, ambos tem passagem por barrica, e a linha Terroir com valores mais acessíveis.

Vinícola Serra das Galés

A Vinícola Serra das Galés fica localizada no município de Paraúna e é a responsável pela produção dos vinhos Cálice de Pedra rosado, branco e tinto, elaborados a partir de variedades das uvas Isabel, Violeta, Niágara e Lorena. Um caso de amor pela uva e por sua terra natal, que fez com que o médico Sebastião Ferro iniciasse o que hoje podemos chamar de o novo Terroir do Cerrado. Foi de um sonho que nasceu a vontade de plantar uva e criar uma indústria de fabricação de vinhos, a Vinícola Serra das Galés, contrariando muitos prognósticos de que a atividade não daria certo em solo goiano.

A Vinícola foi fundada em 2004 e foram plantadas 3,5 hectares de terras, com um trabalho coordenado pelo Sebastião, mas com a interferência de diversos investidores intencionados no desenvolvimento da região como um todo. Foi declaradamente inaugurada em 2007, quando lançou sua marca que traduz todo arrojo e dedicação do trabalho que foi e vem sendo desenvolvido na Vinícola.

Tanto os vinhos quanto a vinícola fazem homenagem à Pedra do Cálice, principal monumento natural do Município de Paraúna e símbolo da Serra das Galés.

É possível visitar tanto a fábrica quanto a vinícola (o período ideal para conhecer a plantação são os meses de junho e julho, período das uvas), basta fazer agendamento prévio. Não é cobrada taxa e as visitas recebem até 35 pessoas. Para visitar a plantação, é preciso ir de transporte próprio, já que ela fica a 40km da fábrica.

 Atualmente, a propriedade produz mais de 300 toneladas de uva por ano, destinadas à produção do suco de uva 100% natural Cálice de Pedra, dos vinhos Cálice de Pedra – rosado, branco e tinto, e ainda do vinho Muralha, produzido com a Touriga Nacional e Syrah.

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Existe projeto para futuramente produzirem outros vinhos com as castas: Cabernet Sauvignon, Merlot, Tempranillo, Malbec, Pinot Noir e Chardonnay.

O ícone da Vinícola é o maravilhoso vinho Muralha, que é elaborado a partir de vinhedos cultivados em pleno cerrado brasileiro, na Serra da Portaria, um vinho equilibrado, potente, possui aromas intensos e complexos, com um toque perfeito de carvalho francês e americano. É um blend de Syrah 60% e Touriga Nacional 40%, que passa por 7 meses por barrica, sendo 90% carvalho francês de primeiro uso, média tosta e 10% em barrica americano de primeiro uso, também com média tosta e que fica mais 6 meses em garrafa, antes de ir pro mercado.

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Fazenda & Vinícola Jabuticabal

A história da Fazenda & Vinícola Jabuticabal é antiga. Data de 1947, após a Segunda Guerra Mundial, quando Antônio Batista da Silva plantou os primeiros pés de jabuticaba na área que daria origem à vinícola.

Contudo, foi apenas em 2000 que a fazenda deu início ao processo de industrialização da jabuticaba, dando também início às atividades da vinícola, e assim produzindo fermentados e cachaça de jabuticaba.

A fazenda é uma das maiores produtoras de jabuticaba do Brasil e do mundo, com mais de 38 mil pés, e é a única a aproveitar o fruto e transformá-lo em produtos industrializados, como o Javine, fermentado tinto produzido com jabuticaba, com 11% de teor alcoólico e a Aguardente, cachaça derivada da destilação da casca da fruta.

 O espaço está aberto à visitação do público nos períodos de safra, que têm início em setembro. Na época, é possível passar o dia por lá e comer quantas jabuticabas puder. É permitido levar comida pronta e bebida para fazer piquenique às sombras das frondosas árvores. Vale tomar também um bom banho no Rio Dourado que conta com uma prainha de areia bem convidativa.

 Vinícola Goiás

Conhecer a Vinícola Goiás é como dar um passeio pelas grandes colônias italianas no centro-oeste e ser transportado no tempo e no espaço. Pioneiros no projeto de enoturismo na Região de Goiás, a vinícola tem instalações, roteiros e paisagismo projetados especialmente para promover uma experiência única para os visitantes.

A Vinícola foi criada em 1998, pelo Sr. Danilo Razia e sua esposa Vanilda Padilha Razia, que saíram de Bento Gonçalves para o município goiano de Itaberaí, com o intuito de transformar a paisagem do cerrado em produtivos vinhedos. E após mais de 20 anos de muito trabalho, hoje tem uma área plantada de mais de 12 hectares, num vinhedo localizado à mais de 830 metros de altitude.

A vinícola produz atualmente o suco natural Dell Nonno, com produção de mais de 80 mil litros por ano, que são elaborados com as uvas Bordô e Isabel, além de outras uvas cultivadas na região, sem aditivos químicos e conservantes na composição. Sem deixarmos de mencionar que produz mais de 12 mil litros de vinhos em quatro rótulos: Bordô Seco e Bordô Suave (uva terroir) e o recém-lançado rosé da Niágara Rosa, todos com a marca Dell Nonno, além do vinho branco da uva Niágara Branca, com a marca Flor de Pequi.

Também são comercializados na vinícola uvas e geleias. Num local lindo, com paisagens bucólicas e um espaço destinado ao prazer culinário, com café da manhã e almoço na Cave Dell Nonno, um local criado para unir todas as satisfações vivenciadas na região.

Vinhedos Girrasol – Fazenda Resende.

Os Vinhedos Girassol, nasce de mais um apaixonado pelo mundo do vinho e que largou a vida de empresário da noite Brasiliense para se aventurar no mundo de viticultor.

O mineiro Sérgio Resende resolveu cultivar uvas na fazenda da própria família, plantando inicialmente a uva Syrah, da qual teve a felicidade de colher sua primeira safra em 2019.

Uma produção pequena ainda, foram apenas 830 garrafas. Realizou, também o trabalho de venda de parcelas da produção antecipada, de onde cada pessoa adquire uma quota e ao final recebe determinada quantidade do vinho produzido. O vinho foi vinificado na Vinícola Serra dos Galés, e recebeu o nome de Terroir Girassol. Um Syrah que tem seu processo de fermentação em tanques de inox, e depois passa por um estágio de 6 meses em barricas de carvalho americano e francês.

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A nova safra tem sido esperada com ansiedade para esse ano, e já se demonstrou promissora e potente em várias regiões do País.

As visitas podem ser agendadas, para se conhecer os vinhedos, e desfrutar de uma bela refeição no Restaurante da Fazenda, deliciando-se em pratos mineiros e goianos, como carne de lata, feijão-tropeiro no caldo de mandioquinha frita com couve por cima; galinha-caipira com molho servida com arroz branco, quiabo, feijão e batata frita, mas só na época da seca.

Villa Triacca – Eco Pousada e Vinícola.

A Villa Triacca é um dos projetos que vem sendo desenvolvido no entorno de Brasília, com desenvoltura e arrojo na condução desse lindo empreendimento.

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Um trabalho guiado pelo agrônomo Gabriel Triacca, que foi responsável pela plantação, escolha de porta-enxertos, controle de pragas e acompanhamento de todo desenvolvimento das uvas até o amadurecimento completo e sua colheita. Isso rendeu a criação do primeiro vinho da propriedade, um belíssimo Syrah, que recebeu o nome de “Seu Claudino”, uma homenagem ao Pai do Sr. Ronaldo Triacca. Uma emoção para o mesmo ao ver nascer esse primeiro exemplar, como ele mesmo revela no seu Instagram.

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A Villa Triacca hoje tem cultivado algo em torno de 2,5 hectares, com o sistema de “dupla poda” da videira, que acontece em janeiro, para nos meses de inverno brotarem e em agosto/setembro serem colhidos seus frutos maduros. Trabalho que vem sendo realizado juntamente com a EPAMIG – Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais, onde serão vinificados inicialmente os vinhos.

A família Triacca, é oriunda do Rio Grande do Sul. No entanto, são naturais da Itália de onde trouxeram toda a técnica e a tradição de cultivar uvas e produzir bons vinhos.

Na Itália, a família Triacca tem parreirais em 3 regiões: La Gatta, em Valtellina, La Madonnina, em Chianti Classico e Santavenere, em Montepulciano e sua sede comercial fica em Campascio, em Valposchiavo na Suíça. São cultivados quase 200 hectares de vinhedos com as castas Nebbiolo, Sauvignon blanc, Sangiovese, Merlot, Chardonnay, Cabernet Sauvignon, dentre outras variedades.

Eco-pousada Villa Triacca que fica a 50km de Brasília, no PAD/DF – Programa de Assentamento Dirigido do Distrito Federal e lá plantavam soja, maçãs e peras (adaptadas ao clima do cerrado),  até que começaram a plantar também as vinhas. Contando com trilhas ecológicas para caminhadas e bicicleta, piscina com aquecimento solar, esportes aquáticos, duas nascentes de água mineral que abastecem todo o complexo turístico e agrícola.

Ronaldo Triacca, patriarca da família, nos revelou durante a Live pelo Instagram que, juntamente com a Eco-Pousada Villa Triacca, existe um grupo de mais 9 (nove) produtores que estão desenvolvendo o projeto de viticultura no entorno de Brasília. Um grupo denominado AVPLAC – Futuros Vitivinicultores do Planalto Central, de onde pretendem cultivar, ainda, as castas Grenache, Touriga Nacional, Tempranillo, Sangiovese, Nebbiolo e Marselan, bem como a branca Viognier, que apostam que podem se adaptar bem na região.

Casa Vitor Vinhos.

Um projeto grandioso, que faz parte do projeto chamado Vinhedos do Planalto Central, AVPLAC – Futuros Vitivinicultores do Planalto Central. Tendo esse nome em decorrência do sobrenome da família e em homenagem a um dos filhos dos donos da chácara onde nasce esse sonho.

Um sonho que veio de dois enófilos que residem na chácara, um agricultor e uma médica, que resolveram apostar nesse novo projeto e desafio, plantando em 2019 mais de 7.000 mil pés de Syrah, com planos de serem plantadas outras mudas ainda em 2020.

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A primeira poda desse novo projeto foi em 16 de abril de 2020, e eles já se preparam para que em 2021 já tenham produção de vinhos e realização de visitação e degustações dirigidas com harmonizações.

Vinícola Assunção.

Localizada em Pirinópolis – Goiás, essa vinícola é um projeto sonhado por Sr. Washigton, já tem uma produção de sucos e uvas devidamente firmada e consolidada no cerrado Brasileiro. Além das castas americanas Vitória, Isabel e Niágara Rosada, de onde são vendidas à granel e para produção de sucos de uva, a vinícola agora está plantando Syrah e Pinot Noir, na região.

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A vinícola já conta com projeto de enoturismo. Uma diversão garantida para toda a família.

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

Esse é o nosso terroir do cerrado, com tantas revelações e sonhos sendo realizados. Mais uma grande região para ser explorada pelos brasileiros ao fim da pandemia. Claro que falamos de modo sucinto e resumido. No entanto, buscamos englobar tudo de interessante e principal de cada região desse universo do vinho.

Ivan Ribeiro do Vale Junior.
Advogado / Sommelier / Professor / Escritor
WSET / ISG / FACSUL / UFRGS
@duvalewinetasting

 

 

 

 

 

 

 

 

 

10 comentários em “O Terroir do Cerrado e seus Vinhos e Vinícolas

    1. Que interessante!!! Provei o Intrépido e o Bandeiras que muito me agradaram. Ao Ivan e ao Sitta, parabéns pela rica matéria neste blog que sempre nos traz mais conhecimento do mundo do vinho.

      Curtido por 1 pessoa

  1. Valeu Ivan pela matéria!!
    Diria que alguns dos lugares que nos apresentou, seriam para mim inimagináveis.
    Tá aí… se pudesse ter uma boa seleção do que há de melhor, do que foi apresentado e colocar em uma rodada de degustação.
    Fiquei curioso.

    Curtido por 1 pessoa

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