Robert Parker: Vilão ou Mocinho?

Por Carlos Mazon

O que você pensaria, caso lhe dissessem, que uma única pessoa foi capaz de mudar totalmente o perfil de produção de toda uma indústria, em âmbito global?

Mais ainda … somente baseado em seu próprio gosto!

Seria ele um rei?  Um deus?  Um mito? 

Como poderia uma pessoa comum, como qualquer outro cidadão norte-americano de classe média e fruto de uma família que jamais teve qualquer tradição ou envolvimento com a indústria do vinho, mudar globalmente a filosofia de produção desse produto, por duas ou mais décadas?

Esse artigo não é técnico, mas uma reflexão sobre a influência que Robert Parker, um renomado crítico norte-americano de vinhos, exerceu sobre a indústria, estabelecendo padrões que afetaram a forma de produzir e comercializar vinhos globalmente.

Teria sua influência sido benéfica ou maléfica? 

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Fonte: Decanter Agosto/2020

 

Uma legião de simpatizantes e outra de críticos fervorosos

É comum ouvirmos declarações do tipo:

“Acho uma pena que toda uma indústria tenha se moldado ao gosto dele …”

ou

“Ele tirou toda a magia e encanto do vinho ao criar um sistema de pontos que não reflete a história de cada vinho …”

Algumas dessas expressões, proferidas por gente igualmente influente e renomada na indústria do vinho, parecem-me carregadas de ressentimento, até de certa inveja, culpando-o de ter provocado, deliberadamente, essa mudança no perfil de produção da indústria.

Uma indústria que, na minha opinião, insiste em se pautar mais pelos relacionamentos, informalidade e manutenção das aparências, do que por rigorosos padrões éticos e de transparência.

 

Uma breve visão de como surgiu Robert Parker[¹]

Robert McDowell Parker, Jr. nasceu em 23 de julho de 1947, em Baltimore, no estado de Maryland – EUA.  Criado numa pequena cidade chamada Monkton, é o único filho de um casal que não possuía qualquer proximidade ou tradição com o vinho.

Advogado de formação, o gosto pelo vinho surgiu de suas viagens à Europa, no final dos anos 60 e início dos 70, para visitar a então namorada, Patrícia Etzel, que lá estudava e que se tornou sua esposa em 1969.  Nos jantares de sua primeira viagem à Paris, teve a oportunidade de provar os vinhos da casa, servidos em jarros, muito diferentes dos que o crítico viria a preferir no decorrer de sua carreira. 

De volta aos EUA, Parker criou um grupo de degustação com amigos, cujo objetivo era muito mais apreciar os vinhos do que os analisar.  Nesse período, Parker e os amigos se viram perdidos, no meio de tantas opções, cujas informações disponíveis na época eram irrelevantes para decidir se deviam, ou não, comprar um vinho (isso lhe parece familiar????). 

Na década de 70, houve uma explosão no consumo de vinhos da classe média norte-americana.  Nessa época, uma série de escritores e críticos de vinho surgiram, acompanhando esse aumento expressivo da demanda, mas Parker os via com reserva, porque aparentemente haviam evidentes conflitos de interesse (muitos vendiam os vinhos que analisavam, ou eram amigos dos produtores, ou recebiam vinhos grátis, viagens, jantares e etc.).

Nesse contexto, Parker criou seu periódico (newsletter) sobre vinhos em 1978, chamado The Baltimore-Washington Wine Advocate.  O foco do periódico era ser um guia para o consumidor de vinho, sem qualquer tipo de vínculo ou conflito de interesses.  Nesse propósito, Parker foi muito bem sucedido, inclusive estabelecendo políticas que lhe deram credibilidade e reconhecimento, como pagar pelas amostras degustadas, não veicular nenhum tipo de anúncio ou matéria paga, pagar suas próprias despesas de viagem etc. 

Além disso, criou uma escala de pontos que era mais compreensível pelas pessoas em geral, pois se assemelhava a outros tipos de avaliações com as quais estavam acostumadas (notas escolares, por exemplo).  Os vinhos eram avaliados por alguns critérios, objetivos e subjetivos, mas a pontuação final sempre se situava na faixa 50-100 pontos.  Essa escala ficou conhecida como a escala dos 100 pontos e foi muito bem recebida pelos consumidores.

+ Conheça a escala criada por Robert Parker

Ele se via como um paladino do consumidor, que não poderia ser influenciado pela fama, renome e tradições, fatores que sempre imperaram na indústria do vinho.  Não importava se o Château era famoso, pois se o vinho não lhe proporcionasse prazer ao beber, não seria recomendado.  E isso se tornou o seu lema.  Em uma das suas primeiras edições, ele condenou os Bordeaux 1973, incluindo os 1er GCC como o Château Margaux, ao qual se referiu como “um vinho terrível, muito delgado e acídico …”, para o qual atribuiu somente 55 pontos.

Parker sempre acreditou que o vinho deveria ter, como principal função, proporcionar prazer às pessoas que o bebem.  Essa busca pelo prazer, chamada de hedonismo, na verdade refletia, e reflete, o gosto de muitos consumidores, o que foi fundamental para estabelecer a credibilidade de suas opiniões e artigos.

Sua fama, contudo, se estabeleceu ao avaliar a safra de 1982 de Bordeaux como excepcional, contrariando a opinião de outros críticos renomados nos Estados Unidos de então (ex.: Robert Finnigan), despertando o interesse da indústria, e do público em geral, pelo seu periódico e suas considerações.

Foto com Taca na Mao

 

O impacto na indústria e suas prováveis causas

A partir da década de 90, o crescimento da reputação e influência do crítico foi exponencial.  Gradualmente, as avaliações e as notas de Robert Parker começaram a definir o sucesso, ou fracasso, de um vinho e de um produtor.  Uma nota alta do crítico, e posteriormente seus associados, significava um aumento certo na demanda, possibilitando inclusive o aumento dos preços.

O sucesso e a credibilidade se tornaram tamanhas que Parker conseguiu restabelecer o prestígio de regiões há muito esquecidas, como Châteauneuf-du-Pape, no Sul do Rhône, onde os próprios produtores reconhecem a importância do crítico no ressurgimento da apelação.

Tamanha influência e exposição deram margem ao aparecimento de apelidos como “O Imperador do Vinho” ou “O Rock Star do Vinho”.

Contudo, dado suas origens, como poderia esse crítico ter alcançado tamanha reputação e prestígio?

A meu ver, Parker ganhou a credibilidade com o público não por ser um estudioso e catedrático do vinho, mas por falar francamente ao consumidor, de uma forma simples e direta.  Chegou a ser processado, declarado como persona non grata em muitas regiões vitivinícolas, mas nunca deixou que isso abalasse a sua filosofia, seus credos e seu julgamento.  A imparcialidade, talvez tenha sido apenas afetada, como é natural, pelo seu próprio gosto, que aliás, coincidia com o da maioria dos consumidores.

Por que digo isso?   Simples … 

Você pode comprar um vinho a primeira vez porque Robert Parker lhe deu uma nota alta.  Mesmo que você não goste do vinho, talvez você compre um segundo vinho, que também ganhou nota alta do crítico, muitas vezes assumindo que você não é um expert no assunto e que talvez por isso você não tenha gostado da primeira compra. 

Mas não vai haver uma próxima vez, se você continuar não gostando das sugestões dele …  é natural … e você não vai mais confiar nas recomendações dele.  Atualmente, há outros críticos no mercado que parecem sempre atribuir notas altas aos vinhos que avaliam, quaisquer que sejam, e até o consumidor comum já desconfia da imparcialidade de tais avaliações.

Na minha opinião, a credibilidade do crítico não veio só pela transparência e imparcialidade, mas também porque a maioria das pessoas, na maioria das vezes, ficaram satisfeitas, talvez até encantadas, com os vinhos por ele recomendados.

Isto posto, produtores, negociantes, importadores etc., viram a oportunidade de capitalizar sobre o reconhecimento e credibilidade do crítico e, naturalmente, foram adaptando seus vinhos para se adequarem a um perfil de gosto que era mais recompensado pelo seu paladar, ou seja:  vinhos com fruta mais madura, mais alcóolicos e macios, com complexidade aportada pela madeira, mais robustos e menos austeros do que produziam anteriormente.

Eles perceberam que, caso Parker não viesse a gostar dos vinhos, ele definitivamente não os recomendaria, usando uma linguagem clara e simples.  Sua postura era diferente da de seus predecessores, os quais nunca criticavam os vinhos que provavam, pois os recebiam gratuitamente, prejudicando a imparcialidade dos seus julgamentos.

A questão fundamental é a credibilidade … tanto do crítico, quanto dos atores …

Parker foi reconhecidamente um brilhante degustador de vinhos de Bordeaux, Califórnia e Rhône, mas também foi reconhecido por não ter um paladar ajustado à Borgonha e outras importantes regiões produtoras de vinho.  Assim, pergunto aqueles que têm algum conhecimento sobre vinhos:

Os vinhos da Borgonha, são fáceis de tomar e entender??

A Borgonha deixou de ser renomada, por que Parker não avaliava bem os vinhos dela?

Teria o Domaine Romanée-Conti perdido algum prestígio por uma eventual crítica ruim do Parker?

Será que Vega Sicília e a sua principal cuvée (Único) perderam reputação porque receberam alguma nota inferior do Parker?

Tenho a impressão de que os produtores que sempre tiveram renome e nunca se descuidaram da qualidade de sua produção, não tiveram problema ou favorecimento significativos a partir da opinião de Parker.  Eles também não mudaram a forma de trabalhar por causa do crítico, mas sim se mantiveram fiéis aos seus credos, autênticos, procurando sempre fazer o que fazem de melhor …  superar-se a cada ano!!  A reputação que construíram é tão sólida que raramente sofrem algum impacto negativo da opinião dos críticos.

Além disso, os vinhos de estilo econômico e de alto volume, encontrados nos supermercados e que são a esmagadora maioria dos vinhos produzidos e consumidos no mundo, muitos sequer são avaliados por críticos e são produzidos com foco no consumidor e na facilidade de bebê-los (drinkability), não sendo afetados pelas opiniões dos críticos.

Estima-se que somente 5% de todos os vinhos produzidos sejam de guarda, ou seja, podem melhorar com o passar do tempo.  Normalmente, esses são os vinhos na agenda dos críticos, os quais são direcionados para as classes média e alta, onde a busca por status e glamour é uma questão de desejo.  A meu ver, Parker de fato influenciou o estilo de produção desses vinhos, que também eram consumidos e julgados pelos outros críticos e isso é o quê se tornou o ponto de disputa e ressentimento.

Contudo, é fato que os produtores das regiões que Parker bem avaliava poderiam ganhar mais ou menos com base na sua avaliação.  Lançamentos en primeur (mercado futuro) em Bordeaux, eram diretamente influenciados pela avaliação direta do crítico, dada sua reconhecida preferência e conhecimento dos vinhos da região.  Porém, de certa forma, isso sempre ocorreu, porque Bordeaux é uma das regiões onde a safra faz diferença, devido as condições de crescimento de cada ano.  Parker, na verdade, era mais um dos julgadores de como o produtor trabalhou o que obteve no vinhedo e do resultado que atingiu, diferenciando-se dos demais por sempre preservar sua imparcialidade.

Os produtores e regiões menos renomados é que talvez tenham capitalizado mais nas opiniões do crítico e moldado seus métodos de produção para agradá-lo.  E isso faz sentido, já que quem tem menos prestígio, precisa de patrocinadores, defensores (champions) para influenciar os consumidores que não conhecem seus produtos.

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Completando a questão da credibilidade, relato dois eventos para refletirmos:

Uma pessoa que tem milhares de seguidores numa rede social me ofereceu um excelente Chardonnay da Borgonha dizendo que ele era “comparável ao Haut-Brion Branco” …

Um site de uma importadora, que respeito demais pela seriedade do trabalho, anunciava que um vinho Espanhol era “melhor que o Vega Sicília Único, na opinião de muitos clientes …”, ainda que custasse 10 vezes menos.

Muitos dos atores nessa indústria acabam por criar uma falsa percepção de valor dos seus produtos, infelizmente.  Não acredito que, na maioria das vezes, isso ocorra por má fé, mas sim por desconhecimento sobre a indústria e as características dos produtos que eles representam.

Nos dias de hoje, existe um contingente de influencers, vendedores, consultores etc., muitos dos quais não estão adequadamente preparados às funções que se dispõem a executar ou são diretamente interessados nas vendas dos produtos que recomendam.  E essa realidade não é nova.  Como dito anteriormente, Parker e seus amigos a enfrentaram desde quando começaram a beber vinhos, nos anos 70, mas devido às mídias sociais o volume hoje é incalculável.

A melhor arma contra esse comportamento tendencioso de muitos dos atores, como sempre, é o conhecimento e, quando você não o tem, ter alguém de confiança que o tenha é de extrema ajuda (credibilidade da fonte).

A meu ver, foi a própria inabilidade da indústria de vinho de focar no consumidor final e suas necessidades, de forma verdadeira e autêntica, a causa do surgimento do mito Robert Parker.

 

Reconhecimento da crítica especializada[²]

Após anunciar sua aposentadoria em 2019, vendendo seu periódico e o site robertparker.com para o Guia Michelin, Robert M Parker Jr criou condições para que a prestigiosa revista britânica Decanter o elegesse para a sua Calçada da Fama (Hall of Fame) em 2020.  E a revista escolheu um dos seus mais brilhantes jornalistas e críticos, Andrew Jefford, para uma entrevista muito interessante com Parker sobre sua carreira, realizações e frustrações.

Nessa mesma edição, Andrew Jefford escreveu em sua coluna habitual um fantástico artigo que questiona se as pessoas que bebem vinho realmente o fazem para buscar o prazer acima de tudo, ou não.

É incontestável que Parker deixa um legado importante ao mundo do vinho como um todo, desde a crítica especializada imparcial até as mudanças de estilo de produção de vinhos que influenciou.  Dificilmente outra pessoa conseguirá assumir o seu lugar com a mesma proeminência que teve.

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Entretanto, apostas à parte, é justamente a nova Editora Chefe do site robertparker.com (Lisa Perrotti-Brown MW) o crítico que mais me impressiona nos dias de hoje.  Ela une o conhecimento do seu merecido título de Master of Wine, com muito do aprendizado prático de degustação que teve com um dos maiores críticos de todos os tempos.

Robert Parker e Lisa Perrotti-Brown

Finalmente, tão logo Parker passou a dar sinais de uma iminente aposentadoria, surgiu uma nova onda no cenário global de produção de vinhos.  Agora, a tendência é fazer vinhos com mais acidez natural, com uvas colhidas mais cedo, mais elegantes, menos concentrados e alcoólicos e diferentes do estilo consagrado pelo gosto de Parker, ou seja, produzir vinhos “não parkerizados” ou “não pasteurizados”.  Finalmente a indústria do vinho se libertou do palato implacável e rude de Robert Parker e voltamos a era do terroir e dos bons e velhos tempos …

Porém, a pergunta que fica é: 

Será que essa nova onda foi iniciada como uma resposta legítima à demanda dos consumidores de vinhos?  Ou será que é mais uma tentativa de agradar aos paladares dos críticos que agora disputam o trono vago?????

E você?  Qual sua opinião sobre Parker? 

Vilão ou mocinho?????

Referências:
¹McCoy, Elin (2005)  Robert Parker – O Imperador do Vinho, (Rio de Janeiro, BRA) Editora Campus 1ª Edição 2006 – Português – ISBN 978-85-352-1939-5
²Decanter Magazine (2020) Robert M Parker Jr – Decanter Hall of Fame – Edição de Agosto de 2020 – pags 18-25
Carlos Eduardo Mazon
Consultor Independente de Vinhos
Sommelier ABS-SP | WSET 3 | EVP | FWS

32 comentários em “Robert Parker: Vilão ou Mocinho?

  1. Como muito bem dito no texto, o importante é a credibilidade. Robert Parker foi uma referência para a indústria. Num cenário em que convivemos com concursos, que contemplam centenas de categorias e que concedem medalhas para quase todos participantes, críticos como Parker representam ” ilhas de confiabilidade”. Todos têm o direito de discordar de suas avaliações. Mas inegavelmente elas são coerentes e seguem critérios próprios. Pessoalmente, eu as levo muito a sério .
    Belo artigo, provocador e instigante. Parabéns ao Blog e ao Carlos Mazon pela qualidade do texto.

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    1. Obrigado, Mestre Renato!! Acredito que o artigo tenha provocado boas reflexões sobre o papel dele na indústria, independente de não haver um consenso. Acho que a Decanter está de parabéns por tê-lo reconhecido e publicado reportagens muito sérias e coerentes sobre a carreira do Parker. Abraço e obrigado pelas considerações.

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  2. Sensacional texto.
    Apesar de longo, lança um tema imparcial.
    Até mesmo para as vinícolas nunca avaliadas, e que nosso paladar diz ser um baita vinho.
    Falo isso as pequenas vinícolas brasileiras, ao qual sou fã.

    Parabéns ao editor.

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    1. Leandro, muito obrigado pelos comentários. Juro que me esforcei para reduzi-lo ao máximo possível, dentro da minha linha de raciocínio, mas confesso que o texto ficou bem longo. Espero que tenha contribuído com a reflexão de cada um dos apreciadores de vinhos. Grande abraço.

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  3. Excelente ponto de vista. Penso que tudo aquilo que engessa muito o conhecimento ou a experiência com o vinho é retrógrado e em nada combina com a mágica da enofilia. Mas é inegável a importância do RP para o mundo dos vinhos, a referência é de alguma forma um norte par pessoas que não conhecem a fundo e querem beber um bom vinho (conheço MUITAS). Mais uma vez parabéns pelo excelente texto, Mazon.

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    1. Muito obrigado, Rafael. Concordo plenamente com você. Quando a gente já conhece o vinho, acho improvável que a análise de um crítico faça diferença na decisão de compra. Porém, quando é um vinho novo, ou que a gente não conhece, ter uma fonte crível, que você confie, pode pesar na decisão. Obviamente, depois de provar o vinho, ele adentra sua base de conhecimento e a prova servirá também para certificar se a análise do crítico lhe serviu, ou não, como referência. Afinal, cada um tem um gosto. Você definiu muito bem. Muito obrigado pelas considerações. Muito bem colocadas. Grande abraço.

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  4. Mazon
    Na minha opinião pessoal (Rodrigo Sitta), Parker foi o mais prestigiado crítico de vinhos do mundo e talvez o que tenha um perfil de gosto mais parecido com o meu (talvez ele tenha moldado meu perfil).
    Também acredito que seu gosto pessoal exerceu certa influência sobre suas notas, mas como dito no texto, qual crítico não leva isso em consideração?
    Parabéns pelo Post!

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    1. Rodrigo, muito obrigado por aceitar o tema e suporta-lo em inúmeras interações que causou. Realmente é muito difícil para qualquer degustador, profissional ou não, ser totalmente técnico e isento com relação ao seu próprio gosto. ´Talvez esse seja o maior desafio de qualquer crítico ou profissional. Muito obrigado pela mensagem e pelas considerações. Grande abraço, meu caro.

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  5. Eu particularmente acho que esse sistema de pontuação ajuda principalmente quando se está perdido nas compras em um local desconhecido nunca previamente estudado (quem nunca?). Porém o “reflexo” desse sistema, junto com a crescente do mercado asiático elevou os vinhos a preços absurdos e impraticáveis. Obviamente que é bom conhecer o perfil dos avaliadores até para saber qual levar mais em conta na hora das compras. A grande questão é não se deixar levar exclusivamente por isso, e deixar de provar alguma garrafa pq ela não foi avaliada ou foi mal avaliada (eu provo um chateau margaux 1973 a qualquer momento mesmo com 55 pontos hahahaha). com relação a pergunta “vilão ou mocinho”, eu fico com a resposta: MEU MALVADO FAVORITO (vilão e mocinho ao mesmo tempo)

    Abraço e parabéns pela matéria

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    1. Caro Marcéu, achei perfeita a sua colocação sobre a utilidade da crítica especializada para um enófilo. E a medida que ele experimenta, e conhece mais, vai tendo mais segurança e criando referências para saber em quem confiar, ou não. Não vou negar que comprei muito vinho no passado com a referência de Parker e ainda a uso hoje como um balizador, mas garanto que os que não gostei, não foram adquiridos novamente. Hoje há críticos com quem me identifico mais e há outros de quem passo longe, exatamente como você citou. Muito obrigado pelas suas considerações e um grande abraço.

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  6. Muito interessante este texto. Para mim o RP foi um pioneiro e visionário que teve a oportunidade de criar uma lógica que fez todo sentido para os enófilos iniciantes, desmistificando o mundo dos vinhos para os leigos. Sou fã assíduo das opiniões do RP, que também me ajudaram a entender os primeiros critérios de análise sensorial de vinhos, retratado de forma simples em sua pontuação 50 – 100. Uma coisa não se discute, gosto. Cada um tem o seu e não existe certo ou errado em um sistemática que tenta dar foco aos sentidos pessoais de forma pragmática. Parabéns Mazon pela iniciativa de compartilhar este texto.

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    1. Caro Sebastião, concordo plenamente com suas considerações. Acho que você foi muito feliz ao descrever a utilidade e credibilidade que RP, de alguma forma, desenvolveu. E é fato, né?? Como diz o Jorge Lucki, gosto é soberano. Grande abraço, meu caro.

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  7. Belíssimo texto! Parabéns Mazon! Parker, na minha opinião é o melhor e mais confiável crítico de vinhos da atualidade. Suas notas são diretas e dificilmente divergem das minhas. Já teve, sim, alguns poucos rótulos que não concordei com a pontuação, mas quando não conheço um vinho e quero comprar, recorro a sua avaliação.

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    1. Grande Jorge!! Essa identificação sua com RP não é uma exceção, o que é facilmente comprovado pelo sucesso e influência que o crítico atingiu. E é na hora que você não conhece um rótulo que a crítica (e a credibilidade do crítico) podem ajudar … Afinal, você não pode voltar na loja, ou mesmo no restaurante, e devolver o vinho dizendo que “não gostou”, não é mesmo? Identificar-se com as referências é fundamental para estabelecer a credibilidade. Grande abraço, meu amigo.

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  8. Parabéns Mazon pelo belo artigo.
    Como dito sempre meus Parkers são você, Sitta, Jarbas, André Garutt, Leonardo, e tantos amigos e amigas que acredito e confio no paladar e na sinceridade de suas avaliações.
    Como bem dito no artigo, ele teve ser reconhecimento. Talvez algumas vinícolas tenham moldado seu perfil no conjunto de suas avaliações e outras mantiveram -se dentro de suas características.
    Que venham novos avaliadores e que o mundo enriqueça com tudo isso.
    Abraços.

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    1. Grande Ivan!! Você também é um Parker e uma grande referência para todos que gostam de vinho. Renovar é sempre uma consequência da evolução e finalmente chegamos a esse ponto quanto a crítica profissional de vinhos. Espero só que a imparcialidade se torne a principal linha de comportamento e objetivo desses novos profissionais. Afinal, essa isenção é fundamental para estabelecer credibilidade. Grande abraço e muito obrigado pelas considerações.

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  9. Como sempre, um excelente artigo, com amplo e aprofundado retrato desse crítico e de sua influência. Bom saber que sua substituta tem qualidades.
    Realmente, sua opinião só “viralizou” porque encontrou eco no gosto do público
    Parece-me que seu sistema de pontuação também leva em conta o preço dos vinhos, ou seja, se pode ser considerado barato, recebe mais pontos do que se tivesse preço elevado. É certo, Mazon?

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    1. Muito obrigado, Comendador!! Negar que RP teve identificação com o público em geral, independente de não agradar a todos, é ignorar a sua própria reputação. Foram as pessoas que confiaram nele que sustentaram essa credibilidade, e não foram poucas, quer alguém goste ou não. Quanto a questão dos preços dos vinhos e os ratings, não há atributos explícitos (objetivos) no método de avaliação de RP que estipule um peso à relação preço x qualidade. Porém, como há um percentual subjetivo muito significativo nos critérios de avaliação, isso acontece sim, já que a maioria dos críticos utiliza esse fator para majorar, ou reduzir, uma pontuação. Grande abraço e muito obrigado pelas considerações, meu caro!

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  10. Maravilhoso o texto Mazon. Excelente.
    A simplificação na análise dos vinhos tendo como base o prazer que proporciona, na minha opinião, é eficiente e também eficaz. Últimos tempos tenho seguido essa linha e me baseado no nariz e na boca.
    Com métodos de cultivos e processamento etc com alterações significativas e em constante evolução essa simplificação é espetacular pra quem, como eu, tem no vinho a bebida pra curtir com família e amigos, lazer, diversão com muito prazer e alegria.
    Nessa linha Robert Parker foi único e praticamente insubstituível notadamente pela evolução nos vinhos e nos meios de comunicação.
    Grade abraço Mazon e Sitta

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    1. Grande Jair!! Enófilo que podia ser um crítico facilmente!! Acho que estamos na mesma linha: vinho é para dar prazer!! E gosto, cada um tem o seu. Conhecer seu próprio gosto e identificar aqueles com gosto similar, ajuda muito na hora de buscar referências. Também acho que outro crítico com a notoriedade e peso de RP vai demorar muito para surgir. Obrigado pelas considerações e um grande abraço.

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  11. Sempre aprendendo com vcs! Parabéns Mazon e Sitta pela excelente matéria. Gostei muito de conhecer um pouco da vida de RP e arrisco opinar que a competência e idoneidade devem tê-lo mantido em evidência por todos esses anos. Abraços 🍷

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    1. Obrigado, Dri!! Fico feliz que o artigo tenha ajudado a compreender um pouco mais desse universo do vinho. Que ainda é tão complexo, que os críticos acabam tendo mais peso do que em muitos outros mercados. Abraço, querida!!

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  12. Excelente artigo. Acho que a independência sempre foi a marca registrada dele e, como vc bem discorre, apesar dos vieses causados pelas suas avaliações, os pontos que ele atribui aos vinhos sempre foram um norte para o consumidor. Parabéns.

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    1. Cara Léa, muito obrigado pelas considerações. Também acho que o sucesso de RP veio através da identificação do gosto dele com uma parcela muito representativa dos apreciadores de vinho. E você sabe muito bem o tamanho da complexidade desse assunto. Muito obrigado e um grande abraço, minha cara!

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