5 Escândalos dos Vinhos

Olá,

Que existe falsificação em vinhos, acredito que não seja novidade para mais ninguém. Já publicamos inúmeros artigos aqui no Blog sobre esse tema. Vale ressaltar que são diversos tipos de falsificação como safra, uva, adição de componentes tóxicos ou proibidos, substituição do vinho por outro e muito mais.

Para evidenciar ainda mais a necessidade de cuidados ao adquirir uma garrafa de vinho, trazemos nesse post cinco golpes, escândalos, fraudes ou falsificações que o comércio de vinho vivenciou devido à algumas práticas um tanto quanto duvidosas por parte de produtores e autoridades regulamentadoras.

1) Uvas fora da regulamentação em Montalcino.

Em 2008, a Itália foi atingida por um escândalo quando surgiu a informação de que os produtores de Montalcino estavam adulterando deliberadamente seus vinhos feitos da uva Sangiovese com a Lancellota, que é de qualidade inferior, não é permitida na regulamentação do D.O.C.G. e normalmente usada para fazer Lambrusco.

A afirmação foi feita pela primeira vez pelo jornalista italiano Gian Luca Mazzella. Ele também alegou que o eminente consultor Carlo Ferrini, que prestava consultoria para Casanova di Neri, estava fortemente envolvido na prática. Enquanto isso era investigado, novas sondagens descobriram que uma das maiores propriedades da região estava misturando Merlot com sua Sangiovese por 25 anos.

No total, 1,34 milhões de litros de vinho rotulados como Brunello di Montalcino DOCG tiveram que ser desclassificados no distintamente menos grandioso Rosso di Toscana IGT. O mercado americano baniu o vinho da região por uma grande parte de 2008 e embora logo tenha voltado à venda, sua reputação, sem dúvida, sofreu uma perda irreparável.

Ninguém foi punido pelo crime de desrespeitar as leis de rotulagem.

2) Escândalo do anticongelante na Áustria.

O célebre “escândalo anticongelante” de 1985, viu os produtores austríacos misturarem dietilenoglicol para aumentar a doçura de seus vinhos.

Um número limitado de vinícolas austríacas, principalmente comprometidas com a produção de vinho a granel, teve a ideia de usar o produto químico em seus vinhos para aumentar sua doçura antes de serem enviados para a Alemanha para serem engarrafados, seja como vinho austríaco ou, ocasionalmente, misturados com vinho alemão a granel.

5-Austria

A fraude foi descoberta quando um dos produtores declarou grandes quantidades do produto em suas declarações de impostos e sua presença também foi confirmada por testes de laboratório alemães. As notícias chegaram às manchetes em todo o mundo, especialmente porque o dietilenoglicol é frequentemente usado em anticongelantes.

O consumo a longo prazo do produto químico é realmente muito perigoso, mas as quantidades envolvidas neste caso particular teriam exigido o consumo ininterrupto de dezenas de garrafas durante vários dias para obter resultados letais.

Ainda assim, as exportações de vinho austríaco caíram, bruscamente, de 45 milhões de litros por ano para apenas 4,4 milhões e alguns países proibiram as importações por completo.

No entanto, essa redução brusca fez com que a Áustria melhorasse a qualidade do seu vinho e reduzisse o vinho a granel. Leis mais rígidas sobre o vinho foram introduzidas e seu ressurgimento nos últimos anos com nomes como Grüner Veltliner é um exemplo para todos.

3) Níveis Letais de Metanol na Itália.

Após o escândalo do anticongelante, com consequências mais graves, em 1986, um enólogo fraudulento na Itália misturou metanol em seu vinho com resultados trágicos. Vinte e três pessoas morreram e mais de 90 foram hospitalizadas após serem envenenadas com o composto, que foi usado para aumentar o teor de álcool em um produto um tanto ralo.

No link abaixo, nosso post que fala sobre os riscos de beber vinho falsificado.

O Vinho Falsificado e os Riscos à Saúde

O vinho afetado foi Odore Barbera e a dose de 5,7% adicionada, excedeu em muito os limites legalmente permitidos de apenas 0,3%. Oito pessoas morreram inicialmente e 30 foram hospitalizadas aparentemente por causa desse lote, mas o escândalo se espalhou com outra hospitalização quando uma mulher bebeu de uma garrafa de Fraris Dolcetto del Piemonte, que estava contaminada com álcool metílico.

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Os culpados iniciais, identificados pela polícia como o distribuidor Giovanni Cirvegna e seu filho Daniele, logo foram acusados de homicídio culposo.

Enquanto o escândalo ameaçava abalar a indústria vinícola italiana de US $ 953 milhões, o governo se esforçou para contê-lo. Trezentos rótulos, a maioria de baixa qualidade, foram listados como suspeitos e 12 produtores foram presos sob a acusação de homicídio, lesão corporal grave ou adulteração ilegal de alimentos.

Muito vinho italiano foi apreendido na França e na Alemanha Ocidental (reunificada em 1990) e destruído, e a Dinamarca até proibiu todas as bebidas feitas na Itália depois de descobrir que uma grande remessa de vermute estava igualmente contaminada.

Porém, como a Áustria, a indústria italiana usou o episódio para intensificar sua atuação e aplicar medidas de controle muito mais rígidas.

4) Vinho Verde Falsificado em Portugal.

No final de 2019, jornalistas do Correio da Manhã de Portugal testemunharam a chegada de caminhões tanque com uvas de origem desconhecida para a produção de vinho em adegas portuguesas de onde sai como vinho verde certificado.

Conforme apurado pela matéria jornalística, a falsificação por meio desta rede ilegal, este ano chegou aos 65 milhões de litros de vinho e só tem aumentado nas últimas décadas. Há denúncias de que o vinho a granel é proveniente principalmente da Espanha ou até mesmo da América da Sul.

Todos os envolvidos na rede de produção e comércio parecem saber da existência do esquema, mas ninguém o denuncia, já que, no final, o resultado é bom para todos (incluindo a comissão de agricultura de vinhos verdes – quanto mais garrafas são vendidas, mais a comissão ganha pela quantidade de selos), menos para o consumidor. Muitos pequenos produtores são assediados para venderem por um punhado de euros a certificação (guia de produção) que acaba sendo usada nesses vinhos falsos.

Há uma série de marcas sob suspeita, mas a reportagem preferiu não divulgar os nomes, já que ainda estão sob investigação.

O vídeo abaixo mostra o esquema de falsificação:

5) Sassicaia falsificado na Itália.

Outro escândalo italiano chegou às manchetes em 2000, quando a polícia invadiu um armazém lotado com mais de 20.000 garrafas de “Sassicaia 1995”.

As garrafas falsas da famosa Supertoscano estavam sendo vendidas na beira da estrada pelo líder da gangue. Ele foi preso junto com sua quadrilha.

Em 2020, a falsificação de Sassicaia voltou a ser notícia. A Guardia di Finanza prendeu uma quadrilha após uma investigação complexa que durou um ano. Os fraudadores engarrafaram e etiquetaram garrafas falsas do famoso vinho de diferentes safras entre 2010 e 2015.

A polícia conseguiu interceptar a entrega de 41 caixas do que se dizia ser Sassicaia 2015. Estima-se que os criminosos vendem cerca de 700 caixas do vinho falso por mês, num total de 4.200 garrafas no valor de cerca de € 400.000. De acordo com as investigações, vários clientes de países como Coréia, China e Rússia já haviam feito pedidos de mil caixas, com preços 70% abaixo do valor de mercado.

Acredita-se que o vinho usado nos produtos falsificados seja originário da Sicília, as garrafas da Turquia e os rótulos, tampas, engradados e lenços de papel falsos da Bulgária.

SassicaiaFake (1)

No final do mês passado, as autoridades apreenderam 80 mil itens falsificados em Milão, que incluíam rótulos, garrafas, tampas e caixas de madeira. Isso teria levado à venda de cerca de 1.100 caixas (6.600 garrafas) de Sassicaia 2015, que têm um valor de mercado de cerca de € 2 milhões.

Ou seja, na hora de comprar vinhos, todo cuidado é pouco. Desconfie de preços abaixo do mercado!

Mitos e Verdades sobre Vinhos Falsificados

Os Vinhos Mais Falsificados do Mundo

Fontes:

Máfia de falso Vinho Verde cresce em Portugal

Top 10 wine scandals


https://www.thedrinksbusiness.com/2020/10/italian-police-bust-e2m-fake-sassicaia-ring/

7 comentários em “5 Escândalos dos Vinhos

  1. Esses são os grandes golpes, mas conhecemos alguns pequenos fornecedores que atraem e iludem seus clientes com preços baixos e produtos batizados. O problema maior é que muitos desses clientes tampam os ouvidos para os alertas.

    Curtido por 1 pessoa

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