Incógnito Syrah – História, Curiosidades e Degustação Vertical

Amigos,

Na última terça-feira (09/02/2021) tive a oportunidade de participar de um jantar com grandes vinhos portugueses realizado no restaurante Casa Santo Antonio e com a participação on-line do enólogo Carlos Raposo, responsável pelo projeto Vinhos Imperfeitos que falaremos em um próximo post.

Dentre essas preciosidades servidas no evento, conseguimos organizar uma degustação vertical de 4 safras do Incógnito Syrah, da Cortes de Cima, que é na minha opinião um dos três melhores vinhos Syrah de Portugal, se não for o melhor.

Mas antes de falarmos sobre a degustação, vale conhecer a curiosa história da origem do nome Incógnito e algumas características técnicas do vinho.

História e Curiosidades

O Incógnito nasceu do espirito inovador de Carrie e Hans Jorgensen. Na Cortes de Cima o talhão 9C é o primeiro vinhedo da casta Syrah plantada no Alentejo. Quando em 1991 Hans Jorgensen plantou as cepas com enxertos vindos diretamente do Ródano, numa área de terreno calcário no topo de um monte, não imaginava que a vinha iria originar um vinho que marcaria a região e os vinhos do Alentejo.

Engenheiro mecânico, Hans fez fortuna na Malásia, onde conheceu Carrie e, um dia, quis tornar-se viticultor. Compraram um barco e começaram a viajar pelo mundo à procura do local ideal para plantar a sua vinha. Depois de terem visitado várias regiões do mundo, chegaram a Portugal. Foi lá que eles descobriram o que procuravam, perto da Vidigueira, Sul de Portugal. Carrie achou a paisagem muito parecida com a da sua Califórnia natal, e o clima mediterrâneo bem diferente da fria Dinamarca de Hans.

Tinham chegado a Cortes de Cima, onde, em 365 hectares de terra, não havia uma só videira e onde apenas se produziam cereais, e com uma bela área coberta de oliveiras centenárias. Mas o clima e a simpatia das pessoas foram suficientes para decidirem concretizar ali o sonho de uma vida.

Antes de plantar as vinhas, em 1991, o seu real objetivo quando comprou as terras, Jorgensen fez-se valer dos conhecimentos de engenheiro mecânico, que havia desenvolvido durante os 21 anos em que trabalhou numa fábrica de processamento de óleo de palma na Malásia, para dotar a futura vinha de uma infra-estrutura apropriada, de uma rede eléctrica e uma barragem para irrigação do vinhedo. Ao mesmo tempo, preciso e obsessivamente preocupado com os pormenores, Hans Jorgensen foi atrás dos conselhos de técnicos locais e de especialistas estrangeiros, para saber quais as castas a plantar. Ao contrário de toda a tradição vinícola daquela zona, que só tinha variedades brancas, plantou 50 hectares de castas tintas como Aragonês, Trincadeira, além de, seguindo as recomendações do viticultor australiano Richard Smart, e indo contra a regulamentação estabelecida, também plantou Syrah.

Por isso que se trata de um vinho histórico. Foi o primeiro Syrah a ser produzido no Alentejo, em 1998, quando a casta ainda não era permitida na região. Daí o nome provocador dado ao vinho: Incógnito.

Na época, como casta Syrah não fazia parte das variedades autorizadas na designação Vinho Regional Alentejano (o que só veio a acontecer em 2002), Jorgensen foi obrigado a comercializar o vinho sem explicitar a casta no rótulo. Contudo, apesar de a casta não ser identificada, no contra-rótulo era dada uma pista, mais precisamente um acróstico, para quem soubesse ler na vertical e decifrar o enigma:

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O vinho é composto de uvas 100% Syrah, com estágio de 6 a 8 meses em barricas de carvalho francês, de acordo com a safra e produção aproximada de 14.400 garrafas por safra e lançado somente nas melhores safras.

Degustação Vertical

As quatro safras que fizeram parte dessa degustação foram servidas em um único flight (o terceiro da noite). Abaixo comentamos um pouco mais de cada safra:

Incógnito 2008: na opinião geral foi o melhor da degustação (na minha opinião foi o segundo). Já mostrou boa evolução, com halo atijolado. Aromas secundários de fruta em compota, chocolate e cacau. Em boca é macio e aveludado, com taninos macios e uma leve baunilha. Final longo e persistente. Nota V3 – 94 pontos.

Incógnito 2009: terceiro lugar no geral empatado com a safra 2012. Foi a safra que estava mais fechada no início (apesar de decantado por mais de 90 minutos) e foi abrindo em taça. Aromas de chocolate e cereja madura, em boca é mais austero e firme, com final de boa persistência. Nota V3 – 91 pontos.

Incógnito 2012: terceiro lugar no geral empatado com a safra 2009. Aromas de cereja, pimenta do reino e cacau. Em boca é elegante e equilibrado, taninos sedosos e final aveludado. Faltou um pouco de potência mas sobrou elegância. Nota V3 – 92 pontos.

Incógnito 2014: na opinião geral foi o segundo da degustação (na minha opinião foi o campeão). Uma explosão de frutas no nariz e muita vivacidade (estilo que me agrada nos Syrah). Em boca é frutado, complexo, harmonioso, com taninos firmes e final intenso. Nota V3 – 95 pontos.

Em breve falaremos sobre os demais vinhos desse jantar (muitos estarão presentes na lista do Blog dos melhores vinhos de fevereiro) e principalmente do projeto Vinhos Imperfeitos.

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2 comentários em “Incógnito Syrah – História, Curiosidades e Degustação Vertical

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