A Expansão do Vinho Brasileiro e suas Conquistas

Por Ivan Ribeiro

Que o Brasil já é uma realidade no mundo do vinho, isso ninguém discute mais. Mas, ainda temos muito para evoluir? Certamente que sim. Entretanto, essa evolução está vindo aos poucos.

Ao longo de 2020 me dediquei arduamente em um trabalho de pesquisas e estudos sobre diversos terroirs do Brasil, levando ao conhecimento de milhares de pessoas, detalhes sobre regiões e vinhos que elas jamais sonhariam em conhecer ou saber de sua existência nessas determinadas regiões.

Assim nasceu o projeto Novos Terroirs do Brasil, que vem buscando retalhar nosso território e levar para todos o conhecimento sobre o vasto mundo da viticultura no nosso imenso país.

Esse crescimento é vertiginoso e, a cada dia, mais sério e respeitado por muitos que se dedicam ao vinho. Vem sendo facilmente notado na busca incessante de novas tecnologias, na criação de regiões próprias e demarcadas com instituição de regras de produção, apresentação de novas Identificações Geográficas e com projetos em andamento de Denominações de Origem e legislações diversas para tornar o mundo do vinho mais sério e mais respeitado do que já é, no Brasil.

Como relatei à pouco, aqui no Blog também, sobre os Vinhos de Bituruna e sua Identificação Geográfica da Casta Casca Dura (também conhecida como Goethe), temos outras Identificações Geográficas sendo reconhecidas no Brasil, com destaque para: Altos de Pinto Bandeira, Região do Planalto Catarinense e Vale do São Francisco.  Assim, essas IGs se juntam às sete IGs de vinhos já existentes, sendo 6 IPs (Campanha Gaúcha, a mais recente; Altos Montes, Farroupilha, Monte Belo, Pinto Bandeira, Vales da Uva Goethe) e uma de Denominação de Origem (Vale dos Vinhedos, que é a mais antiga de todas). Futuramente teremos ao todo 11 IGs.

+ Vinhos e Vinícolas de Bituruna

Isso é muito? Obviamente que não. Comparando com outros países, em especial do velho mundo, veremos que ainda estamos engatinhando e que muito temos que aprender. Na Espanha, por exemplo, o setor vitivinícola é regido por normas claras para a qualificação de seus produtos, as quais são registradas perante à União Europeia. A principal divisão é entre os vinhos de Denominación de Origen Protegida (DOP) e os de Indicación Geográfica Protegida (IGP). Quaisquer vinhos que não se enquadrem nos critérios DOP ou IGP só podem ser rotulados como “Vino”.

Existem mais de 70 Denominación de Origen, 2 Denominación de Origen Calificada, além de qualificações de Vinos de Calidad con Indicación Geográfica e mais de uma dezena Vinos de Pago. Os vinhos IGP, por sua vez, conhecidos pelo termo Vino de la Tierra. Somente duas regiões com status VdlT têm importância significativa comercialmente: VdlT de Castilla e VdlT de Castilla y León. 

Desta forma, podemos perceber que apenas em comparação com a Espanha, a disparidade é imensa. Avançando para comparações com a quantidade de IGs na União Européia, nos deparamos com o numero de mais de 3000 IGs, segundo dados de 2017, colocando o Brasil à anos luz de chegarmos ao patamar dessas regiões.

Perfeitamente compreensível e respeitável, tendo em vista todo o avanço do mundo do vinho, que surgiu no Velho Mundo e apenas no Século XX começou a ganhar alguns avanços no Novo Mundo. No entanto, entendo que estamos no caminho certo.

Esse era o Mapa do Brasil antes das novas IGs:

IG1

Abaixo, o mapa de onde estão localizadas as novas IGs: uma mais no território gaúcho, em Altos de Pinto Bandeira; outra no Planalto Catarinense; e a terceira no Vale do São Francisco, no eixo Petrolina e Juazeiro, entre Pernambuco e Bahia.

IG2

Assim ficará o mapa das IGs do Brasil após a inserção das 3 novas:

IG3

Contudo, não estamos computando a IG de Bituruna e as diversas áreas da Viticultura do Brasil que vem crescendo ao longo do tempo. Tais como: Região Centro-Oeste (Brasília e Goiás), Bahia (região da Chapada Diamantina – Mucugê e Morro do Chapéu, além de diversos polos produtores de uvas no Estado da Bahia). Ainda temos a região Nordeste em grande expansão, principalmente Paraíba (região de Natuba), Pernambuco (além do Vale do São Francisco temos Garanhus) e Rio Grande do Norte.

Nota-se que é visível o crescimento do mundo da Viticultura do Brasil e os avanços que estão surgindo nessas regiões. E para entendermos esses termos de modo geral, podemos definir da seguinte forma:

– As Indicações Geográficas identificam vinhos originários de uma área geográfica delimitada quando determinada qualidade, reputação ou outra característica são essencialmente atribuídas a essa origem geográfica. E ela, no Brasil, pode ser classificada de duas formas: Como uma IP (identificação de Procedência – aplicada em regiões que se tornaram reconhecidas na produção de vinhos) ou como D.O. (Denominação de Origem – que são as áreas onde os vinhos apresentam qualidades ou características que se devem essencialmente ao meio geográfico, incluídos os fatores naturais e os fatores humanos).

IG4

Desta forma, podemos imaginar um pouco sobre cada região ao verificarmos e conhecermos mais sobre essas regiões nos artigos já publicados onde falo das regiões do Terroir Baiano (O Terroir Baiano e seus Vinhos e Vinícolas), Terroir Catarinense (O Terroir Catarinense e seus Vinhos e Vinícolas) e a de Altos de Pinto Bandeira, podemos perceber pela própria história da viticultura do Brasil (já que o Rio Grande do Sul é a região onde que detêm a maior produção de vinhos do Brasil e a maior quantidade de Vinícolas cadastradas em todas as regiões).

Contudo, assim poderíamos aqui trazer algumas informações, revelando que, em relação a IG de Altos de Pinto Bandeira, será como uma Denominação de Origem dos espumantes naturais produzidos naquele região, tendo como base os termos que determinam a existência de uma D.O. como tratamos acima. Nessa D.O. somente terão a classificação utilizada os espumantes finos produzidos através das castas Chardonnay, Pinot Noir e Riesling Itálico e cultivadas pelo sistema de espaldeira.

Nesta D.O. de Altos de Pinto Bandeira, os produtores deverão seguir algumas determinações, tais como: sistemas  de  cultivo  específico, com controle  de produtividade,  técnicas  de  vinificação  particulares, com  prensagem  de  uvas inteiras, a segunda fermentação exclusivamente pelo método tradicional e com tempo mínimo de um ano de contato com as leveduras no período de autólise. Além de padrões de qualidade exigidos para o vinho base, contando com os aspectos analíticos e sensoriais.

Todo esse projeto apresentando junto ao INPI para registro da D.O. de Altos de Pinto Bandeira foi realizado pela Embrapa Uva e Vinho, em parceria da UCS, UFRGS e dos produtores  da  Asprovinho.

A IG do Planalto Catarinense, que será uma IP (Identificação de Procedência), liderada pela Vinhos de Altitude, juntamente com a EMBRAPA Uva e Vinho, que vai poder qualificar e identificar a procedência única dos vinhos produzidos numa região própria, com altitude variando entre 900 à 1400m, com excelente amplitude térmica e de altíssima qualidade, produzidos por produtores de alta competência e amor ao que fazem.

Por fim, teremos a Identificação de Procedência do Vale do São Francisco, que engloba o eixo Petrolina e Juazeiro, entre Pernambuco e Bahia. Um região única no mundo todo. Podendo ser classificado como um marco da viticultura no Mundo, já que lá podemos produzir vinhos o ano todo, ocorrendo quase 5 safras em dois anos de produção. Todo dia pode colher, não existindo a situação de definição de safras em razão da quantidade de sol ou de chuva. O clima é controlado através da irrigação não existindo alternância entre verão e inverno e permitindo a interação das castas com o solo e clima da região.

Esse é nosso imenso Brasil que encanta e abraça o mundo todo com beleza e formosura. Trazendo vinhos de qualidade e alta complexidade para todos. Inovando e fazendo valer seu clima, seu solo, seu povo estudioso e caprichoso na arte de fazer vinhos. Mostrando para o mundo novas possibilidades e inovações revolucionárias para a viticultura.

Muito ainda está por vir. Muito ainda para agregar.

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

Esse é o nosso Brasil vinífero que avança vertiginosamente, com tantas revelações e sonhos sendo realizados. Grandes conquistas que somente vão agregar ao mundo do vinho. E assim, vamos levando conhecimento e mostrando o mundo do vinho no Brasil.

Ivan Ribeiro do Vale Junior.
Advogado / Sommelier / Professor / Escritor
WSET / ISG / FACSUL / UFRGS
@duvalewinetasting
Projeto NOVOS TERROIR DO BRASIL.

14 comentários em “A Expansão do Vinho Brasileiro e suas Conquistas

  1. Parabéns, a cada artigo escrito por vc e lido por mim, são novas descobertas e somando conhecimentos.
    Fico lisonjeada em poder participar destes estudos feitos por vc Ivan. Parabéns! 👏🏻

    Curtido por 2 pessoas

    1. Obrigado Laís por seu comentário e pelos elogios. Assim vamos seguindo nossos propósitos e mostrando o Brasil como ele tem que ser visto. Abraços!!

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  2. É de fato incrível como brasileiros se colocam em desafios. Logicamente RS vem de uma história diferente mas os desafios foram grandes, principalmente quando se trata de um Estado chamado Brasil. Ótimo toda está leitura e claro, há muita história interessante por trás disso. Parabéns amigo Ivan.

    Curtido por 2 pessoas

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