Quem é Quem na Indústria de Vinhos da África do Sul

Amigos,

Eu gosto muito dos vinhos da África do Sul. Mas é fato que a mesma dificuldade que temos para conseguir bons rótulos no Brasil (principalmente a preços justos), temos para conseguir informações sobre os vinhos do Cabo.

Desta forma replico aqui uma publicação da Wine Business International que nos traz “Quem é Quem” na indústria de vinhos sul-africana.

Contexto Atual

Não é segredo que a indústria vinícola da África do Sul passou por momentos difíceis nos últimos 18 meses. Uma sucessão de quatro proibições impulsionadas pela Covid-19 à venda de álcool doméstico causou danos significativos à indústria do vinho do Cabo e aos meios de subsistência que ela sustenta. De acordo com o órgão de supervisão, Vinpro, as sucessivas proibições do governo colocaram em risco mais de 21.000 empregos no setor de vinho, custando ao governo mais de 5 bilhões de rands (US $ 340 milhões) em receitas fiscais. Esses números sombrios, no entanto, precisam ser considerados no contexto de muitas das principais empresas de vinho que registraram receitas recordes durante a pandemia. Uma das maiores vítimas da pandemia foi o turismo do vinho. Há apenas três anos, Western Cape era conhecido por possuir uma das infraestruturas de enoturismo mais desenvolvidas do mundo, mas, como na Califórnia, agora se reconhece que o seu sucesso teve um custo.

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Em um relatório intitulado ‘O Impacto da Covid-19 na Cadeia de Valor do Vinho’, a Vinpro também destacou a situação precária das vinícolas de propriedade de negros, muitas das quais dependem do turismo para sobreviver.

A Encantadora Nova Zelândia e seus Vinhos

Claro, não se trata apenas de enoturismo. Os visitantes que não visitam as vinícolas também contribuem para a indústria. Especialistas estimam que pelo menos 75.000 empregos em turismo e hotelaria foram perdidos em 2020 em Western Cape, devido a proibições e bloqueios de viagens. Em setembro daquele ano, o restaurante The Test Kitchen na Cidade do Cabo (anteriormente eleito o melhor restaurante da África) fechou suas portas para sempre.

As exportações totais para 2020 – de 318 milhões de litros, foram ainda menores do que para a seca de 2019, que administrou 320 milhões – em comparação com uma média anual de 428 milhões nos cinco anos anteriores.

Felizmente, já existem motivos para otimismo. Em 2020, a gigante sul-africana de bebidas Distell atingiu as manchetes locais com a notícia de que sua receita total caiu 14,6% no mês encerrado em 30 de junho por causa das medidas de proibição. No entanto, os números do ano financeiro mostraram que as vendas voltaram a subir 26,0%, com o EBITDA – Lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização – dobrando, e o lucro principal aumentou 228%.

O ano de 2021 foi uma colheita para se festejar pela qualidade e generosidade. Os volumes foram ligeiramente superiores aos de 2017 e significativamente maiores do que nos três anos seguintes. Produtores de todo o país acreditam que produziram alguns de seus melhores vinhos. As vendas também têm aumentado. As exportações totais de vinho do Cabo nos primeiros seis meses mostram um aumento nas remessas totais de 38,7% em volume e 32,3% em valor. Os embarques para a China dobraram de valor – para 202 milhões de rands (US $ 13,75 milhões) – possivelmente graças à lacuna deixada pelas marcas australianas atingidas pelas tarifas. O Canadá e os Estados Unidos registraram um crescimento significativo, com as remessas aumentando em 131% e 226%, respectivamente. O Reino Unido, muitas vezes um mercado de baixo valor, também aumentou sua participação com as importações que aumentaram 25% em volume, mas 40% em valor. Talvez o mais impressionante, no entanto, tenha sido o salto em valor de 72% para outras partes da África que, coletivamente, agora vêm em quarto lugar na tabela de exportações do Cabo, com potencial para alcançar muito mais.

A Importância do Turismo

A quarta proibição doméstica terminou em julho de 2021 e restaurantes e bares estão agora abertos e retomando seus negócios. Inclusive muitos estão investindo em modernizações.

Em última análise, muito dependerá dos próximos meses. O Cabo Ocidental está caminhando para sua alta temporada de verão – uma parte vital do ano que tradicionalmente tem visto milhões de turistas despejando dinheiro na economia local. Por exemplo, em 2019, cerca de 430.000 pessoas visitaram a África do Sul vindas do Reino Unido. Até outubro de 2021, qualquer viagem desse tipo era quase impossível, após a imposição de regulamentos estritos de quarentena, pelo governo do Reino Unido, a qualquer pessoa que retornasse de uma visita lá.

Após a recente remoção dessas restrições, a Virgin Atlantic relatou um grande aumento na demanda e, ao anunciar a retomada dos voos de Londres para a Cidade do Cabo, também aumentou sua frequência dos três por semana anteriores, para sete.

Desta forma, a indústria local imagina se reerguer face ao enormes prejuízos deixados pela pandemia mundial.

O Sucesso dos Vinhos Australianos

Principais Nomes na Indústria Sul-africana

Principal Sommelier: Wikus Human
A África do Sul tem um exército, em rápido crescimento, de sommeliers altamente qualificados. É muito difícil escolher apenas um, mas ninguém merece mais destaque do que Wikus Human. Apaixonado e extremamente acessível, Human foi recentemente agraciado com o prêmio de ‘Melhor Sommelier da África do Sul’ pela Associação de Sommeliers da África do Sul, levando as honras depois de competir com os semifinalistas Jean Vincent Ridon e Laurie Cooper. Vencedor do prêmio Moët & Chandon ‘Best Young Sommelier’ em 2017, Human agora é membro do Court of Master Sommeliers e administra um agitado serviço de vinhos nos dois melhores restaurantes Marble, em Joanesburgo.

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Melhor Restaurante e Melhor Carta de Vinhos: FYN
A Cidade do Cabo está realmente começando a encontrar seu espaço na gastronomia, apesar da Covid-19. No FYN, o chef executivo Ashley Moss exemplifica tudo o que é maravilhoso na cena gastronômica da cidade. Adorada por críticos e consumidores, a sofisticada cozinha de fusão do FYN mescla os melhores elementos da herança culinária do Japão e da África. Os pratos mais emblemáticos incluem a barriga de porco ibérico, combinada com wasabi, maçã com caramelo mirin e um ‘jus’ de mostarda leve. Essa gama de sabores requer uma adega versátil, e o FYN não decepciona. A carta de vinhos é certamente a melhor da cidade, oferecendo uma extensa seleção de safras de todas as regiões do Cabo, com algumas concessões a rótulos importados como Moet & Chandon. Mas no FYN, a África do Sul triunfa, como deveria.

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Melhor Wine Bar: Culture Wine Bar
Enquanto os amantes do vinho da Cidade do Cabo lamentam o fechamento permanente do impressionante Waterfront Belthazar Restaurant and Wine Bar devido à Covid, eles comemoram o Culture Wine Bar na vizinha Bree St. A joint venture do Chef Matt Manning e Chris Groenewald, que oferece uma variedade de 20 vinhos por taça que podem mudar diariamente ou de hora em hora, dependendo da demanda. Há um aceno generoso para o vinho laranja e uma tendência compreensível para as marcas nacionais. Mas a diversidade é o nome do jogo. Vinhos icônicos – e caros – como Sadie Family Wines Palladius fazem sua aparição, assim como uma variedade relativamente pequena de safras da Europa e da Nova Zelândia.

Principal Órgão de Promoção Regional: VinPro
Fundada em 2003 como um desdobramento da principal cooperativa KWV, a Vinpro agora representa quase 2.600 viticultores, produtores e negócios relacionados ao vinho sul-africanos, fornecendo orientação estratégica, serviços especializados e incentivando o desenvolvimento. Tem sido a voz mais alta ao criticar repetidamente os efeitos das sucessivas proibições do álcool, destacando o impacto devastador na indústria do vinho do Cabo. Para esse fim, VinPro instigou processos judiciais contra o governo no Tribunal Superior de Western Cape.

Principais Grandes Varejistas: Checkers, Woolworths e Ultra Liquors
O maior varejista da África do Sul é o Shoprite Group, cuja rede Checkers possui uma linha de vinhos muito dinâmica. A Ultra Liquors também recebe muitos elogios pela habilidade de sua seleção de vinhos, desenvolvida por Mark Norrish, ex-compradore de vinhos da Checkers e gerente geral de sua divisão de vinhos até 2019. Hoje, no entanto, o foco está em outra cadeia gigante de supermercados, a Woolworths, que recentemente contratou uma nova equipe de bebidas que trabalhará com sommeliers consultores para testar a operação de lojas especializadas em vinhos que irão operar além dos 150 pontos de venda existentes. O setor de varejo independente está compreensivelmente preocupado.

Principal Loja Especializada em Vinhos: Norman Goodfellows
Norman Goodfellows é, sem dúvida, o varejista especializado em vinhos mais importante do país. Há uma forte ênfase no gerenciamento de um portfólio equilibrado, tudo desde marcas de nível básico a rótulos super-premium de Stellenbosch, Champagne e Bordeaux. Como seria de se esperar, o canal online da empresa dominou o período da pandemia, já que os consumidores continuavam a beber, principalmente em casa. A competição mais forte vem de Susan Stanleys, um varejista on-line emergente que oferece um serviço rápido e eficiente, especializado em vinícolas boutique de Cape’s e marcas com foco na qualidade.

Região de vinhos emergentes: Elgin
Experimentação e inovação fazem parte do DNA de Elgin. Situada entre o distrito de clima frio de Walker Bay e Stellenbosch, Elgin agora está produzindo alguns dos vinhos mais interessantes da África do Sul. Na virada do século, Paul Cluver era a única vinícola e Elgin era uma parte desconhecida. No entanto, tornou-se um viveiro de investimentos, com produtores como Tokara e Thelema produzindo brancos atrativos e delicados Pinot Noir. Enquanto isso, Richard Kershaw provou que Syrah pode prosperar no terroir de Elgin. A arma secreta da região é a altitude: os vinhedos chegam a 420 metros acima do nível do mar, enquanto média de chuvas está entre as mais altas do Cabo. Elgin é um terroir de clima frio com potencial ilimitado.

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Principais Formadores de Opinião sobre Vinhos.
Christian Eedes, Michael Fridjhon e Tim James são os principais críticos locais entre os fortes nomes que também incluem Greg Sherwood MW e Tim Atkin, ambos residentes no Reino Unido. O relatório anual de Atkin tornou-se muito influente, e suas pontuações mais altas sem dúvida agora desempenham um papel semelhante ao anteriormente ocupado pelas recomendações do Guia de Pratos, que também ainda tem um grande número de seguidores. Entre os membros da indústria, Rico Basson, diretor administrativo da Vinpro tem sido uma voz muito poderosa, especialmente durante a pandemia, enquanto Michael Ratcliffe, que combina consultoria com suas posições como sócio-gerente da propriedade de Vilafonte e presidente da Stellenbosch Wine Routes e Visit Stellenbosch, também impõe grande respeito na indústria. Finalmente, a África do Sul tem um setor de educação do vinho excepcionalmente forte, com organizações como a Cape Wine Academy e o Institute of Cape Wine Masters.

Agora, é só se programar para conhecer a África do Sul e poder aproveitar o melhor que a indústria de vinhos locais pode oferecer.

Bons vinhos a todos!

Fonte:
https://www.wine-business-international.com/wine/power-lists/whos-who-south-africa-0

3 comentários em “Quem é Quem na Indústria de Vinhos da África do Sul

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