Clos de Los Siete – História, Curiosidades e Degustação Vertical

Por Fabio Martins

Esse vinho entrega mais do que seu valor!

Essa é uma frase muito usada entre os enófilos, principalmente por aqueles quem já tem uma certa “litragem”, que já experimentaram muitos vinhos.

Sem dúvida alguma o vinho Clos de Los Siete, do renomado enólogo francês Micheal Rolland, esta dentre os melhores vinhos na sua faixa de preço, podendo até se dizer que ele poderia ser mais caro, dado suas inúmeras qualidades.

Mas, antes de falar das virtudes desse vinho, vamos conhecer a história por trás da garrafa, e como esse vinho nasceu do vinhedo de 4 vinícolas diferentes.

Sobre Michel Rolland

O francês Michel Rolland, nascido em Libourne, França, na véspera de Natal de 1947, é um dos enólogos mais procurados para dar assessoria às grandes vinícolas pelo mundo.

Michel Rolland foi para a Argentina pela primeira vez em 1988. Ele imediatamente se apaixonou pelo país, a atmosfera de lá, as pessoas, a bela paisagem, a cultura, assim como seu fantástico potencial vitivinícola.

Em suas frequentes viagens de retorno, Michel Rolland rapidamente se convenceu de que todas as condições eram adequadas na Argentina para cultivar um vinho muito bom.

Após trabalhar por mais de uma década com consultoria para vinícolas Argentinas, em 1998 Rolland conhece o Vale de Uco e fica fascinado pelo potencial da região. Decide comprar um pedaço de terra para fazer seu vinho.

 Michael faz uma grande pesquisa na região.

Depois de procurar por um tempo, há cerca de 100 quilômetros ao sul de Mendoza, na última cidade antes de chegar aos majestosos Andes, ele e Jean Michel Arcaute, um viticultor de Pomerol, na região de Bordeaux, encontraram um terreno ideal a uma altitude de 1.100 metros. Havia mais de 800 hectares magníficos, exclusivamente expostos, com solos feitos de seixos, argila e areia nos quais uma esparsa vegetação semidesértica crescia aqui e ali com enormes rochas que existiam lá desde os tempos pré-históricos. Ele fala com o proprietário das terras e faz uma oferta para comprar alguns poucos hectares, mas o proprietário não tinha o interesse em vender um “pedaço de terra”, ele só venderia se fosse tudo.

Michel esta decidido a fazer seu vinho no Vale de Uco, mas sozinho ele não vê a possibilidade de comprar as terras que depois de muita pesquisa julga ser a ideal para fazer vinhos de padrão mundial. Ele volta para Pomerol e vai procurar parceiros para entrar nessa jornada. Inicialmente 5 famílias de viticultores de prestígio da França acreditam no sonho de Michel.

O Vinho

Quatro bodegas foram então construídas. Uma parte da produção de cada uma é usada para fazer o corte do vinho chamado “Clos de los Siete”. O resto vai para os vinhos das respectivas vinícolas: Monteviejo, Cuvelier los Andes, DiamAndes e Bodega Rolland.

O Blend é realizado com vinhos de mais de 100 parcelas distintas, pelo próprio Michel Rolland, no mês de dezembro. Ele é envelhecimento por 12 meses em barricas de carvalho francês.

A Degustação Vertical

O evento realizado no Altruísta Osteria foi promovido pela Wine, importador do vinho no Brasil e contou com a condução do Diretor Geral do projeto Clos de Los Siete, Ramiro Barrios, além da presença do Diretor de B2B e Supply Chain da Wine Importadora, Germán Garfinkel e da Cibele Siqueira, Wine Specialist da Wine Importadora.

Foram degustadas 5 safras do vinho: 2006, 2012, 2014, 2016 e 2018.

Ramiro teve a ideia de fazer uma coisa diferente na apresentação das safras, uma degustação às cegas. Essas experiências, no meu ponto de vista, são divertidas, educativas, e até desafiadoras. Degustar às cegas é nada mais nada menos que provar um vinho sem saber qual é. No caso da nossa degustação, o desafio foi ter que adivinhar qual era a safra de cada vinho.

Este tipo de degustação é usada em alguns concursos e avaliações de vinhos. É fundamental para treinar profissionais e aumentar seu repertório sensorial. Quando você participa de uma degustação às cegas, insights surgem sobre a elaboração dos vinhos, a influencia do clima nas safras, e principalmente, onde esse vinho vai chegar, se vai evoluir e ganhar complexidade nos próximos anos, se já atingiu seu auge.

Durante a degustação todos os 13 participantes por alguns minutos ficaram perplexos com as características do vinho. E todos disseram, que pela cor não daria para acertar, foram unânimes, em dizer que pela análise visual dos vinhos, ninguém saberia dizer qual era o da safra 2006, por exemplo. Isso diz muito sobre a qualidade do vinho, da mão do enólogo e principalmente do terroir.

Clos de Los Siete 2006: na minha opinião o melhor da degustação. Corte de 45% Malbec, 35% Merlot, 10% Cabernet Sauvignon e 10% Syrah. No visual não mostrava halos de evolução mas no nariz era nítida a complexidade de aromas. esse foi o vinho que a maioria acertou a safra.

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Clos de Los Siete 2012: corte de 57% Malbec, 18% Merlot, 14% Cabernet Sauvignon, 9% Syrah e 2% Petit Verdot. Minha estratégia seria perceber quais eram os 2 vinhos mais evoluídos, confesso que não foi nada fácil, a longevidade esse vinho é maior que o produtor sugere de 10 a 12 anos. Esse 2012, assim como o 2006 ainda tem uma longa guarda pela frente.

Clos de Los Siete 2014: corte de 54% Malbec, 18% Merlot, 13% Cabernet Sauvignon, 8% Syrah, 4% Cabernet Franc, 3% Petit Verdot. Aqui eu me confundi, é um vinho ainda fechado com ótimo volume em boca, as frutas são vermelhas evidentes e aparece uma ameixa ao fundo, madeira muito bem colocada, notas de tosta e toque mineral, especiarias com anis, canela. Muito boa a viscosidade em boca com final prolongado. Esse me pareceu mais pronto, então julguei ser o 2012.

Clos de Los Siete 2016: corte de 54% Malbec, 18% Merlot, 12% Cabernet Sauvignon, 12% Syrah, 3% Petit Verdot, 1% Cabernet Franc. Um vinho mais leve, elegante e com menos extração, corpo médio. Apesar de predominar a fruta vermelha madura, é um vinho menos frutado que os demais. Uma safra com períodos de chuva, trouxe taninos finos, final de boca mais curto. Ideal para quem prefere os vinhos mais elegantes.

Clos de Los Siete 2018: corte de 55% Malbec, 19% Merlot, 10% Cabernet Sauvignon, 12% Syrah, 2% Petit Verdot , 2% Cabernet Franc. Nariz mais fechado, com frutas vermelhas maduras como cereja, sutil tostado, notas minerais, especiarias, madeira bem colocada e sem exagero, corpo médio, muito elegante. Em boca é macio, taninos finos, um vinho equilibrado sem nenhuma aresta com final persistente.

O “Novo” Rótulo.

Pra quem percebeu a diferença no tradicional rótulo branco do vinho, eu explico. Foi apenas um pequeno acidente. Como a degustação foi às cegas, o plástico usado para esconder o rótulo, acabou grudando nele, dando origem a esse rótulo diferenciado.

Onde Comprar

Você pode comprar o Clos de Los Siete pelo aplicativo da Wine Vinhos, disponível para IOS e Android ou nas lojas físicas da Wine. Encontre a mais perto de você pelo site: www.wine.com.br/lojas/.

O Blog Vaocubo aproveita a oportunidade para agradecer e parabenizar a Wine Importadora pelo convite e por organizar um evento tão animado, em um belíssimo restauraste ( Altruista Ostearia). Felicitamos também ao Ramiro Barrios pela inteligência e sagacidade de fazer um evento às cegas e a simpatia de Claudia e ao German que tornaram a degustação animada.

Forte Abraço amigos!

Serviço:
Wine Importadora: www.wine.com.br/
Cibele Siqueira – Wine Specialist: Instagram @belesiqueira
Fabio Matins
Amante dos Vinhos

4 comentários em “Clos de Los Siete – História, Curiosidades e Degustação Vertical

  1. Além da degustação, acabaram iniciando o projejto do novo rótulo, que ficou muito mais bonito……..já provei o 2018 e achei um excelente custo benefício, realmente barato pelo que entrega.

    Curtido por 1 pessoa

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