Por Ivan Ribeiro
Você sabe o que é um Prosecco? Seria uma uva? Um estilo de espumante? uma DOC? ou uma região?
Certo dia resolvi fazer uma live para falar um pouco sobre o que seria Prosecco e suas diferenças frente aos demais espumantes. Certamente, algo bem inusitado e que muitas pessoas confundem suas origens e razões de existência.
Mas, o que vêm a ser Prosecco? Seria uma casta, um tipo de espumante, ou uma região? No limiar da história e dentro de tudo que iremos falar sobre Prosecco, podemos afirmar que essa palavra se encaixa em todas as percepções ditas no título desse artigo.
Segundo a história, o nome Prosecco é relacionado diretamente a uma uva branca, proveniente do Nordeste da Itália e cultivada em outras tantas regiões do mundo. Tal denominação perdurou do período dos romanos até o ano de 2009.
Contudo, tendo em vista a vasta disseminação da casta, bem como dos espumantes produzidos pela referida uva, os produtores Italianos resolveram buscar toda a origem do produto e resgatar toda personalidade e raízes da mesma. Fato que envolve largamente a história e trás para os dias atuais essa evolução.
A uva Prosecco, que também pode ser denominada de Serprina, Prosecco Bianco ou Proseko Sciprina, passou a adotar o nome de Glera. No entanto, ela é uma uva de origem incerta. Alguns estudiosos remontam a sua existência à cidade de nome Prosecco, localizada na fronteira entre a Itália e a Eslovênia, tendo seus primeiros registros datados de 1772, quando um Jornal italiano fala sobre a uva e a qualidade dos vinhos produzidos pela mesma.
Assim, a evolução de toda produção da Prosecco, remonta de alguns fatos, tais como: os primeiros limites demarcados da área de produção de Prosecco, em 1930; a fundação do Consorzio di Tutela de Prosecco di Conegliano e Valdobbiadene, formado por 11 produtores, no ano 1962; e a regulamentação da Denominação de Origem Controlada Prosecco (DOC), que foi concedida para 15 municípios localizados entre Conegliano e Valdobbiadene, região que fica localizada na Província de Treviso no Vêneto, nordeste da Itália, em 1969.
A área de produção do Prosecco que abrange, além de Treviso, mais quatro províncias do Vêneto – Veneza, Vicenza, Pádua, Belluno – e quatro de Friuli Venezia Giulia – Gorizia, Pordenone, Trieste e Udine. Estando, dentro de Treviso, como dito acima, a primeira DOC de Prosecco da Itália, que abrange as regiões de Conegliano até Valdobbiadene.
Contudo, a data mais importante nessa caminhada do Prosecco, foi a de meados de 2009, quando a legislação e a denominação foram atualizadas. Nessa revisão, uma das denominações foi elevada (até então, o nível máximo era DOC) para Denominação de Origem Controlada e Garantida (DOCG), topo do nível de qualidade do vinho italiano. Além da alteração do nome da uva Prosecco, que passou a se chamar de Glera, tendo a casta as seguintes especificações: é uma uva branca, da espécie Vitis vinifera, que possui alta produtividade. Por isso, os viticultores devem estar sempre atentos às podas, para evitar excesso de produção e perda da qualidade. Ela tem alta acidez e um paladar bastante neutro, tornando-se ideal para produção de vinho espumante. Possui brotação precoce e o amadurecimento é tardio. E, não tem resistência de baixa a média a secas.
Quanto as exigências de sua produção, com a regulamentação de 2009, a Glera tem que ter um rendimento por hectare, a graduação alcoólica mínima e especificações de cultivo e vinificação. Está incluso, inclusive, quais castas podem ser cultivadas na região e utilizadas na produção de blends, sendo determinante que um Prosecco deve conter, no mínimo, 85% de Glera em sua composição. Pode ser acrescida, na produção de espumantes as castas: Verdiso, Bianchetta Trevigiana, Perera, Glera Lunga, Chardonnay, Pinot Bianco, Pinot Grigio e Pinot Nero, também conhecida como Pinot Noir.
Outra exigência para a vinificação e produção do Prosecco, é que as castas utilizadas na produção do mesmo sejam vinificadas em branco, pois a denominação não permite exemplares do tipo rosé ou tinto. Pode-se utilizar quantas castas se desejar, desde que obedecendo o percentual pré-estabelecido de 15% para as demais castas na composição final do Prosecco.
É um espumante elaborado pelo método Charmat (que consiste na segunda fermentação realizada em tanques), e sendo permitido o processo de sur lie (contato com as borras), o Prosecco pode ser classificado quanto ao teor de açúcar residual, na sua denominação de origem como Brut, Extra-Dry, Seco ou Demi-Sec.
E quais as diferenças entre Prosecco, Champagne e Cava?
Tanto o Prosecco, quanto o Champagne e o Cava são vinhos espumantes, com a presença de bolhas, a famosa perlage, por conta do gás carbônico. Porém, cada um deles tem suas especificações e sua forma de produção.
Champagne (França):
Como vimos o Prosecco é originário da Itália e obedece uma determinação regida por uma DOCG que vincula o nome à região em si. O mesmo se aplica ao Champagne, que é um espumante produzido na região da França que carrega o mesmo nome e com as especificações e determinações regidas pelo Conselho Regulador. Além disso, deve ser elaborado com o método Tradicional ou Champenoise, quando a segunda fermentação ocorre na garrafa, e deve utilizar apenas as castas Chardonnay, Pinot Noir e Meunier (antigamente se chamava de Pinot Meunier).
Contudo, o Champagne, diferente do Prosecco, permiti a produção do estilo Rosê, não permitindo o estilo tinto.
Cava (Espanha):
Vimos que o Prosecco tem uma relação direta com a Itália, e que o Champagne tem uma relação também direta com a França. Já o Cava é produzido na Espanha também pelo Método Tradicional ou Champenoise.
Contudo, o CAVA, por não ser uma Denominação de Origem vinculada apenas a uma região especifica e, sim ao método de produção e uvas utilizadas, além das demais regras contidas na sua regulação, pode ser produzida em diversas regiões da Espanha. Fato que levou ao rompimento de alguns grandes produtores que criaram a CORPINNAT com regras mais especificas e maiores exigências, como tempo de vinhedo, foram de cultivo, produção máxima por vinha, forma de colheita e vinificação e estilos aplicados aos mesmos, como tempo de autólise para receber maiores classificações, uvas 100% orgânicas, colheita manual, pelo menos 18 meses de envelhecimento (mas com alguns vinhos com mais de 30 ou mais de 60 meses), a inclusão do viticultor na cadeia de valor e a vinificação em sua própria adega.
As uvas utilizadas devem ser originárias de vinhedos autorizados, tais como as brancas Macabeo (Viura), Xarel-lo, Parellada, Malvasía, Chardonnay, e tintas, Garnacha, Monastrell, Pinot Noir e Trepat.
Curiosidades sobre o Prosecco
– Além do espumante Prosecco, a legislação permite produzir Prosecco Frisante e Prosecco Tranquilo (sem presença de gás), porém, com especificações de elaboração diferentes do espumante. Inclusive, esses outros estilos são produzidos em quantidades menores.
– Puccino foi o primeiro nome da variedade que compõe o Prosecco, que agora é conhecida como Glera.
– O famoso coquetel italiano Bellini é elaborado com Prosecco e suco de pêssego.
– Para os amantes de viagens, existe a Estrada do Prosecco, uma das primeiras rotas do enoturismo na Itália.
– Há um projeto para nomear as colinas de Conegliano Valdobbiane, área de produção do Prosecco, como Patrimônio Mundial da UNESCO.
– Além de que, o Prosecco pode-se harmonizar com uma série de pratos deliciosos, tornando seu dia ainda mais agradável. Sugerimos comida japonesa, comida baiana, ensopado, saladas leves, carnes brancas, carne de porco, queijos leves e com acidez. Opções diversas para um verão recheado de espumantes deliciosos,
Agora que já aprendemos sobre Prosecco, CAVA, Champagne e muitas curiosidades extras sobre os temas, podemos simplificar dizendo que todos são espumantes. Mas Prosecco é feito somente na Itália, CAVA na Espanha e Champagne na França. No entanto, o nome Prosecco ainda é muito utilizado em outros países, como Brasil para espumantes feitos com a uva Glera, face a sua referência, e o Champagne, também é utilizado no Brasil pela Vinícola Peterlongo, a qual ganhou o direito de utilizar tal nomenclatura em decisão judicial.
Seja de uma forma ou de outra, deguste seus espumantes sempre na temperatura ideal, entre 6 à 8 graus, de forma geral, os mais complexos ou pelo estilo Sur Lie pode elevar um pouco a temperatura, até 10 graus, que seria aceitável, e aproveitem o verão com espumantes, seja ele da forma ou nome que carregue. Cada qual tem seu estilo e cada um tem sua forma de ser feito, castas, vinificação, que vão implicar em resultados diversos, além de composições de aromas e sabores dos mais variados também.
Belíssimo artigo, meu caro Ivan. E aproveitando a oportunidade, é uma enorme falta de honestidade, e uma grande vergonha, produtores nacionais usarem indevidamente o nome “Prosecco” em espumantes produzidos no Brasil. Seu post é absolutamente fundamental para que os consumidores brasileiros entendam que o Prosecco é uma marca protegida de uma região e que é um tremendo despeito apropriar-se indevidamente dele. Um grande abraço
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Parabéns pelo artigo. Esclarecedor e didático!!
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Obrigado, Renata!!
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Obrigado querido amigo, Renato!! Realmente isso tem sido modificado por alguns pequenos produtores. Uma transição que deve ser feita de forma necessária. Abraços amigo
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Muito bom aprender com você Professor Ivan
Estive na Comuna di Treviso ,passei por Trieste , minha avó materna nasceu lá ,pena que na época não sabia desse roteiro
Abc
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Motivo para retornar a visita!! Que bom que gostou do artigo, Adriana!!
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Excelente artigo Ivan, rico e didático. Parabéns!!!!
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Obrigado minha querida amiga, Valéria!! Bjs
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Excelente matéria Ivan, realmente uma aula. Nós temos espumantes nacionais muito bons, não precisamos ficar nomeando nossos produtos com nomes internacionais para gerar engajamento, deveriam tirar tanto o proseco quanto o champagne.
Grande abraço
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Obrigado, Marceu!! Realmente essas alterações devem ser feitas mesmo. Temos que ter nossa identidade. E, como bem disse, temos excelentes produtos. Abraços.
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Parabéns Ivan! Muito esclarecedora e rica em detalhas sua aula. Super didática. Amei!!!👏👏
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Obrigado minha querida amiga, Ró!! Fico feliz que tenha gostado. Bjs
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Parabéns Ivan! Excelente artigo e fácil leitura e entendimento!
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