Pera Manca Tinto – História, Curiosidades e Degustação

Amigos,

Faz alguns dias que tive a oportunidade de provar o Pera Manca 2005. Vinho fabuloso que faz parte da lista dos 15 melhores vinhos de 2021 aqui do Blog.

É, sem dúvida, um grande ícone mundial e digno de uma postagem mais detalhada. Desta forma decidi pesquisar (e escrever) sobre a história e as curiosidades do vinho.

História

O Pêra-Manca tem longa história, que se inicia em vinhedos que, nos séculos 15 e 16, eram propriedade dos frades do convento dos Espinheiros. Por volta de 1517, os frades arrendaram os vinhedos a Álvaro Azedo, escudeiro do Rei. Foi então que o vinho começou a adquirir a fama que mantém até hoje, e que o fez ser levado a bordo de muitas caravelas portuguesas. Consta que teria acompanhado Cabral em sua viagem ao Brasil e, segundo a lenda, teria sido servido aos nativos para celebrar a chegada das naus ao território brasileiro.

No século 19, a produção do vinho foi retomada pela tradicional Casa Soares, que deixou de produzi-lo no final do mesmo por causa da filoxera. O renascimento se deu em 1987, quando um dos herdeiros da Casa Soares ofereceu o nome à Fundação Eugénio de Almeida (FEA).

Fundada pelo Engenheiro Vasco Maria Eugénio de Almeida, em 1963, a Fundação é, hoje, uma das maiores proprietárias de terra e empregadoras do distrito de Évora, no coração do Alentejo. A oferta do nome Pêra-Manca à FEA, em 1987, coincidiu com o reinício das atividades da fundação, um ano antes, após longo período de expropriação das terras pelo movimento de 25 de Abril.

As primeiras edições do vinho na FEA tiveram um rótulo exclusivo, que se manteve até a safra 2003, baseado num cartaz publicitário feito para a Casa Soares por Roque Gameiro. Muitos saudosistas não se conformam com a adoção do novo rótulo, monocromático, que substituiu o colorido e característico rótulo original. Em 2003 a FEA resolveu mudar a imagem do Pêra Manca e, como se verá nos comentários sobre os vinhos, a mudança não se restringiu ao rótulo. A nova imagem foi criada por Bill Sanderman, ilustrador inglês especialista em gravuras clássicas de água-forte, a pedido do designer Pedro Albuquerque, cuja missão estratégica, como informa a FEA, foi a de “mostrar a evolução do vinho e gerar uma imagem atemporal que garantisse uma constante leitura contemporânea”. Se esses objetivos foram alcançados ou não, somente os consumidores poderão avaliar.

Curiosidades

O vinho é produzido somente em safras especiais. A primeira safra do Pêra-Manca Tinto nessa nova fase se deu em 1990 e, desde então, foram produzidas apenas quinze colheitas: 1991, 1994, 1995, 1997, 1998, 2001, 2003, 2005, 2007, 2008, 2010, 2011, 2013, 2014 e 2015.

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O Pêra-Manca Tinto é produzido a partir das castas típicas do Alentejo: Trincadeira e Aragonês, com estágio de 18 meses em carvalho francês.

Degustação

Pera Manca 2005: um dos meus favoritos em Portugal, e a safra mais antiga que provei (antes foi o 2007 e 2010). Complexo e elegante, cor uma cor levemente atijolada, aromas de frutas negras maduras, pimenta branca, cedro, tabaco e notas de baunilha. Em boca tem taninos finos, muita estrutura, notas de café e tabaco e final longo e persistente. Nota V3 – 98 pontos.

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Fica a enorme curiosidade de provar safras mais antigas (e também as mais novas kkk).

Um brinde a todos! Bons vinhos.

Fontes:
wine style 22: pera-manca-um-icone-se-renova.

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