Vinho Rosé – Parte 2

Por Ivan Ribeiro

Como dito na primeira parte do artigo sobre os vinhos Rosés, nessa segunda parte vamos falar sobre as principais regiões produtoras no mundo. Mas se você ainda não leu a primeira parte desse artigo, clica no link ao lado: Vinho Rosé – Parte 1.

Principais Regiões Produtoras no Mundo

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Provence – Sendo a mais antiga região demarcada da França, onde os rosés ultrapassam os 80% de todo o vinho que é produzido na região. São cultivadas principalmente as castas Grenache, Cinsault , Mourvèdre e a Carignan para vinificação dos vinhos Rosés.

É uma região riquíssima em história e de paisagens monumentais. O clima se caracteriza por grande influência mediterrânea que traz ventos úmidos e ameniza a amplitude térmica, bem como recebe também influencia dos Alpes, que trazem ventos frios na área mais a leste, e do vento Mistral que se trata de um vento frio e seco que vem do norte, canalizado pelo rio Ródano, leva embora umidade, mas pode danificar uvas e vinhas, dependendo da intensidade. Já seu terroir é composto de solos predominantemente argilo-calcários.

Provence Wine Map

A região de Provence é subdividida nas seguintes demarcações:

  • Côtes de Provence – é a maior região com vinhos mais frescos e delicados;
  • Coteaux D’Aix-em-Provence – excelente região produtora, oferecendo vinhos mais vigorosos;
  • Coteaux Varois– interessante região com vinhos frescos e frutados;
  • Bandol– região maravilhosa, os vinhedos descem as encostas para encontrar o Mediterrâneo. Seus Rosés são frescos e equilibrados e, normalmente, estagiam em tonéis. A casta mais utilizada é a Mourvédre;
  • Palette– seus Rosés são mais simples e redondos, sem muito charme;
  • Cassis– apesar de se destacar pelos vinhos brancos, esta região produz Rosés semelhantes a Bandol;
  • Bellet– micro-região ao redor da cidade de Nice. Produz Rosés menos frescos que lembram favo de mel.

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Vale do Rhône – a região é pouco conhecida pelos seus vinhos Rosés. Apesar disso, existe uma denominação que é exclusiva para esses vinhos, Tavel. Os vinhedos dessa região estão plantados sobre socalcos de pedras roladas e areias e em encostas calcárias. Devido a uma maceração prolongada, seus vinhos são mais intensos na cor e nos aromas (frutas vermelhas, violeta e frutas secas), apresentando maior potência e persistência apesar de manter o frescor. A uva mais utilizada é a Grenache.

Languedoc-Roussillon – esta região ao sul da França produz um estilo refrescante e seco de Rosé. Grenache, Syrah e Mourvedre são as variedades mais utilizadas na elaboração, seguidas de Carignan e Cinsault.

Vale do Loire – Geralmente produz Rosés ainda mais secos que o Languedoc e com aromas que podem lembrar hortelã e até mesmo pimentão vermelho. Geralmente se utillizam das castas Cabernet Franc ou Cabernet Sauvignon, além da Merlot.

Na Itália, em Portugal, Espanha, Argentina, Chile e Brasil, também encontramos vinhos Rosés de altíssima qualidade.

Na Itália temos destaque no sul da bota, sendo mais expressiva na Toscana, com a casta Sangiovese. Na região do Lago de Garda tem na uva Gropello um ícone para produção de Rosés especiais, e no Alto Ádige com Rosés feitos com as uvas Moscato Rosa e Lagrein.

Em Portugal, se destacam as regiões do Douro, Estremadura e Ribatejo. Tendo como sua forma de produção através de blends ou com varietais de Touriga Nacional, são vinhos com bastante aromas e complexidade. Podemos encontrar também na região dos vinhos verdes, com bastante referência de vinhos refrescantes e com complexidade. Ideais para degustar com sardinhas, peixes, mariscos.

Na Espanha, onde os vinhos Rosés sempre foram destaques de consumo, temos como referências maiores as regiões de Rioja, Navarra e Penèdes. Com destaque para os Rosés feitos da uva Garnacha (nome da Grenache na Espanha), Tempranillo e Merlot.

Na Argentina e Chile se destacam as uvas Malbec, Pinot Noir, Cabernet Franc e Cabernet Sauvignon.

No Brasil, como já mencionamos, o crescente consumo tem chamado a atenção dos produtores e temos produzido ótimos vinhos Rosés, com complexidade, aromas e refrescância. Vinhos que tem conquistado o público em geral por sua versatilidade. Uma opção ideal para aqueles enófilos que só gostam de vinho tinto e acham que o vinho branco não tem espaço. A maioria dos Rosés apresenta, como alguns tintos, boa intensidade de frutas vermelhas e um corpo mediano que harmoniza com uma grande gama de pratos.

Assim, podemos harmonizar o vinho Rosés com saladas, peixes, mariscos e frutos do mar, queijos leves e alguns queijos mais tenros, massas acompanhadas de molho bechamel ou mariscos, salgados e finger-foods como: bolinho de bacalhau, arancini (bolinho empanado feito com arroz de risotto e molho de tomate), lulas a dorê e até os brasileiríssimos coxinha e pastel de carne ou queijo, comida japonesa, pizzas, tábua de frios e tantas outras opções que fazem do vinho Rosé uma grande pedida para se ter sempre em casa e na adega.

No Brasil, temos destaques para vários espumantes e vinhos Rosés, como os da Cave Antiga, Tenuta Foppa e Ambrosi, Amitié Espumantes, Villa Francioni, Vinicola Legado, Villaggio Conti, Viniícola Buffon, Vinícola Gazarro, Bodegone Vinhos e Vinhedos, Vinícola Stella Valentino, Lidio Carraro, Don Guerino, Vinicola DAVO, Vinícola Brasília e tantas outras que posso pecar por esquecimento. Mas, essas dicas são bem valiosas para escolher os melhores dos vinhos nacionais e poder saborear tudo de mellhor que temos no mercado.

Abra seu vinho Rosé e curta os dias mais quentes ao lado de um vinho elegante e que lhe dará refrescância, aromas, sabores e um leque vasto de harmonização para você se deliciar.

Eu sou Ivan Ribeiro do Vale Junior.
Advogado / Sommelier / Professor / Escritor
WSET / ISG / FACSUL / UFRGS
@duvalewinetasting

2 comentários em “Vinho Rosé – Parte 2

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