Bodega Chacra – História, Curiosidades e Degustação

Amigos,

Essa semana realizamos mais um evento do Blog, desta vez com os vinhos da bodega Chacra, talvez a principal vinícola da Patagônia e também uma das mais conceituadas na Argentina.

A noite foi uma grata surpresa, com vinhos de muita qualidade, que surpreenderam a todos (inclusive a mim, que não sou um grande fã da Pinot Noir). Foi um dos jantares mais elogiados.

Mas, antes de falarmos dos vinhos, vamos conhecer um pouco mais sobre a vinícola que tem origens italianas.

História e Curiosidades

A bodega Chacra foi fundada por Piero Incisa della Rocchetta, em 2004, com a intenção de encontrar a expressão mais pura do clima, microclima e terroir de Mainqué na região do Rio Negro da Patagônia. Respeitando o meio ambiente e seguindo princípios biodinâmicos e orgânicos, Piero se esforça para fazer vinhos únicos, delicados e com uma forte mineralidade.

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Neto de Mario Incisa della Rocchetta, Piero vem de uma das mais renomadas famílias de produtores de vinho, que criaram e levaram ao sucesso a Tenuta San Guido em Bolgheri, na Toscana, produtora do famoso vinho Sassicaia, um dos ícones da Itália. Quando ele falou pela primeira vez, anos atrás, com seu importador na Inglaterra sobre seu novo rótulo Pinot Noir, ele ouviu a seguinte resposta: “Eu não sabia que você tinha comprado vinhedos na Borgonha!” Piero lhe explicou que não, ele não o produzia na França, mas na Argentina. O importador inglês em questão, entre surpresa e perplexidade, riu. Não parou para pensar muito sobre quem estava diante de si, que passos seguia aquele enólogo da alta Maremma ao lhe oferecer uma nobre uva francesa, mas produzida em um lugar distante de seu terroir escolhido. Ele não sabia, ou não lhe ocorreu naquele momento, que desde muito jovem Piero sempre fora ensinado não apenas a reconhecer um grande vinho, mas também a ser curioso, experimentar, pensar fora da caixa, de uma forma não convencional . A genialidade de seu avô Mário havia encontrado em seu neto, como Cabernet Sauvignon em Maremma e, aparentemente, Pinot Noir na Patagônia, uma terra para prosperar e dar frutos excepcionais ao mundo do vinho.

Uma degustação feita em Nova York, em 2001, o trouxe para a Patagônia. Foi uma degustação às cegas de Pinot Noir de diferentes partes do mundo. Um gosto único, entre todos os rótulos experimentados naquele dia, o impressionou. Não é um vinho excepcional, mas que tinha as características que há muito procurava: uma fruta muito pronunciada, bem como um carácter floral. De fato, foi uma garrafa produzida nesta região argentina que é extrema em termos de posição geográfica e condições climáticas.

Em 2002, Piero já estava na Patagônia para uma inspeção, procurando vinhedos para comprar. Lá ele descobre que esses lugares preservam um patrimônio genético excepcional: plantas com mais de 130 anos, não enxertadas, plantadas por imigrantes italianos e espanhóis no século passado e que resistiram, ao longo das décadas, ao míldio, oídio, traça e filoxera, não só graças a, mas também resistindo e se adaptando às condições climáticas extremas: um vento muito forte e seco, que desce dos Andes; a barreira natural do deserto circundante; clima árido (apenas 150 mm de chuva por ano); temperaturas diurnas muito altas e temperaturas noturnas muito baixas com uma faixa de temperatura, como é típico desses climas, que pode chegar a 40 graus. Um lugar que não é tocado por nenhuma forma de poluição, beijado por uma excepcional radiação solar e pureza de luz, banhado pela água cristalina que desce dos Andes com os rios Limay e Neuquén: eles convergem então no Rio Negro, que atravessa esta região. Nas margens desta via navegável, os imigrantes ingleses, no início do século XIX, cavaram um sistema de canais de irrigação que ainda hoje permite gerir com precisão a irrigação das plantas e que ao longo do tempo levou à criação de um cinturão verde ao longo de suas margens.

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Três anos depois daquela primeira degustação em Nova York, em 2004, Piero Incisa della Rocchetta já havia comprado os primeiros vinhedos, todos não enxertados, os mais velhos com cerca de 70 anos. Plantado em 1932 não se sabe por quem nem porquê, são eles que hoje dão vida e nome ao vinho que James Suckling colocou no topo do seu Top 100 Vinhos de 2020, como vinho do ano: o Chacra Pinot Noir Patagonia Treinta y Dos 2018. Treinta y Dos é, precisamente, o ano em que estas vinhas foram plantadas.

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Na vinícola, além dos 22 hectares de Pinot Noir e 16 de Chardonnay, há também a área reservada à criação de animais (ovelhas, cabras, galinhas, patos, porcos, cavalos…), as colmeias das preciosas abelhas, a área de produção de composto orgânico (300 toneladas por ano), a horta onde são produzidos tomates, berinjelas, beterrabas, abóboras, plantas aromáticas. O ar é perfumado por jardins de rosas, lavanda, camomila, cavalinha, centifólia, urtiga, canteiros de valeriana: úteis para fortalecer a resposta imunológica das plantas e criar composto orgânico.

Degustação

O jantar, realizado no Imma Restaurante, contou com a linha quase completa de vinhos da vinícola, sendo alguns em degustação vertical.

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Abaixo todos os detalhes dessa fabulosa “cata de vinos”:

Mainque Chardonnay 2020: excelente vinho branco, 100% Chardonnay, envelhecido 18% em ovos de concreto, 25% em tanques de aço inox e 57% em barricas de carvalho (12% novas) por 10 meses. As vinhas foram plantadas recentemente onde antigamente se produzia Merlot.

Chacra Chardonnay 2020: cada vez mais se firma como um dos principais vinhos brancos da Argentina, na minha opinião foi o melhor da degustação. Produzido a partir de vinhas de 40 anos de idade, o vinho também é envelhecido por 10 meses numa combinação de ovos de concreto, tanques de aço inox e barricas usadas de carvalho francês.

Barda 2007, 2013 e 2019: Com boa estrutura, o Barda foi concebido para ser consumido ainda fresco e jovem. Ainda assim a safra 2007 estava íntegra mas com visual bastante turvo. Sua porcentagem de álcool é geralmente baixa, variando entre 12 a 13%. Produzido de uvas Pinot Noir, dos vinhedos mais jovens da Chacra, plantados em 1990, envelhece 50% em tanques de aço inox e 50% em carvalho francês (15% novo) por 11 meses.

Chacra Lunita 2015: um dos destaques da noite, é produzido de uvas 100% Pinot Noir de um vinhedo muito antigo. Seu envelhecimento ocorre 100% em tanques de concreto por 11 meses e o vinho não é filtrado.

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Chacra Cincuenta y Cinco 2017, 2018 e 2020: vinhos de grande pontuação pelos especialistas. Na minha opinião a safra 2018 foi o grande destaque, com um vinho mais quente. A safra 2020 é mais mineral e de boa complexidade, agradando a muitos dos presentes. Uvas 100% Pinot Noir de um vinhedo plantado em 1955 e envelhece por 11 meses 50% em tanques de concreto e 50% em barricas de carvalho de 2°, 3° e 4 ° uso.

Chacra Treinta y Dos 2014 e 2017: os grandes destaques da noite. A safra 2014, cortesia do amigo Edson Zveibil, estava excelente, já em bom ponto de evolução mas também com potencial de guarda. Foi a campeã da noite na opinião geral e a 2017 ficou no segundo lugar geral. Também 100% Pinot Noir do vinhedo plantado em 1932, passa 19 meses 45% em tanques de concreto e 55% em barricas de carvalho de 2°, 3° e 4 ° uso.

Mainque Merlot 2014: uma pena que este vinho não é mais produzido. Um belíssimo exemplar de Merlot da Patagônia, local onde essa uva se adapta muito bem. Mas, quem provou, provou!

Bons vinhos a todos!

Fonte:
https://www.bodegachacra.com/

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