O Que o Vinho nos Proporciona. Viva a Bahia!

Por Fernando Procópio Ferraz

Foi em um almoço no Santo Colomba. Nilton Vieira, em uma passagem por Salvador, havia me avisado que Leon queria me conhecer. Eu, claro, também. Estávamos eles dois, José Eduardo, Antonio Nunes, Reynaldo e eu. Surgiu o convite e aceitamos na hora. Mas, as coisas às vezes não são tão simples. Nilton marcou data e tentei acompanhá-lo, mas algo surgiu que nos impediu de confirmar a viagem. Paralelamente, estava conversando com Hélcio (Cardoso de Matos). Já o tínhamos recebido em São Paulo, e eu sabia de sua imensa disposição em receber os amigos lá em Senhor do Bonfim, e tentei “matar dois coelhos com uma cajadada só”. Quem o conhece, sabe que recebeu a notícia com muita alegria e disposição.

Porém, aí veio a tal pandemia.  Cheguei a marcar para ir a Senhor do Bonfim em dezembro de 2021, mas um compromisso profissional me fez cancelar a ida.

No dia 23 de fevereiro, a convite do Nilton, para um jantar no Mestiço, no qual levamos nossas esposas: ele, Reynaldo, Alexsander e eu. Nessa noite, surgiu a conversa sobre a viagem a Salvador. A minha Maria Amelia topou na hora. Daisy, do Nilton, também se entusiasmou. Pronto!

Nilton marcou sua ida para a sexta-feira, dia 3 de junho. Quanto a mim, não havia esquecido o compromisso com Hélcio. Só que, com Maria Amelia, a logística ficou um pouco mais complicada porque de Senhor do Bonfim a Salvador a distância é bem grande, são 400 quilômetros. Eu não teria problemas em enfrentá-la, porque estou acostumado, mas com Maria Amelia, a preocupação aumentou. Teria que desistir de Senhor do Bonfim? Eu criei um grupo de WhatsApp para podermos nos comunicar mais facilmente e, para complicar um pouco as coisas com relação a essa desistência, Jair Labres, o Senador Jarbas Junior, e Toni Monteiro já haviam aderido à ideia de ir nos encontrar lá na casa de Hélcio. Érica e o marido Hugo, aos quais não conhecia, também participariam, O que fazer?

Surgiu Toni! Desde a primeira conversa, lá atrás, ele havia me dito que iria a Senhor do Bonfim e me daria uma carona até Salvador. Quando lhe falei sobre o desafio de logística, ele acabou com o problema: “Procópio, você e Maria Amelia vêm de lá para a minha casa em Feira de Santana, que é mais perto. Jantamos na minha cidade, pernoitam em casa e, no dia seguinte, seguimos para Salvador”. Melhor do que isso…? Daí para frente, minha única preocupação foi como embalar 14 garrafas de vinho para a viagem. Maria Amelia tem essa habilidade.

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Quanto a Nilton, iria nos encontrar em Salvador para o jantar da sexta-feira, dia 3 de junho. Chegaria cedo, mas almoçaria com amigos dos tempos de Odebrecht.

Maria Amelia e eu partimos muito cedo na quarta-feira, dia 1º de junho, para Petrolina. Um pequeno contratempo no voo: uma senhora passou mal e o piloto teve que fazer escala em Salvador. Mesmo assim, chegamos cedo ao destino e o amigo Hélcio nos esperava. Nem sentimos a viagem, tantos assuntos para por em dia com ele.

O almoço foi uma festa e com vinhos incríveis. Tivemos o privilégio de ver e aproveitar de Jarbas pilotando a grelha. O carneiro do Hélcio faz jus à fama: nunca imaginei que pudesse ser tão gostoso. Pergunte à Maria Amelia que não é muito chegada a esse prato: uma iguaria dos deuses! À noite, no ambiente da já famosa adega de Senhor do Bonfim, mais vinhos incríveis e mais um prato delicioso preparado por nosso “Senador”. Tudo isso regado a aquele humor do nosso gaúcho, Jair Labres, com o apoio de Ivete, e com papos incríveis com Érica e Hugo. Só houve um deslize nesse jantar: um tal 43. Fora isso, pernoitamos no melhor hotel da cidade que é da.. adivinhem quem? Tia do Hélcio.

No dia seguinte, rumamos para Feira de Santana. Distância? Não sei. Passou tão rápido o tempo com conversa tão boa, que só me lembro de termos parado para que o Jair pudesse comprar seu chapéu de couro: virou gaúcho sertanejo. Imperdível!

Em Feira tive uma imensa satisfação, proporcionada por Toni, de encontrar no jantar Ivando Correa, que há bastante tempo não via. Conheci-o antes mesmo de todo o restante da turma baiana. Com a presença dele, foi um jantar emocionante e inesquecível. Só houve uma questão levantada que maculou reputações: o casal Toni e Ana esqueceu em casa os vinhos que havíamos separado para esse jantar, o que obrigou Jair a abrir seu porta-malas e oferecer os seus. Excelentes, mas houve a insinuação de que o esquecimento foi proposital.

Não posso deixar de destacar a gentileza do casal Monteiro por ter abrigado a todos nós em seu Château.

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Já na sexta-feira, pegamos a estrada de novo, os quatro casais, e almoçamos no restaurante de que Maria Amelia e eu tínhamos muitas saudades: mergulhamos todos nas moquecas do Bargaço. Que delícia!

À tarde, uma notícia que nos desconcertou: Nilton, o grande responsável por essa maravilhosa viagem, não passara bem e não havia podido embarcar. Comoção geral.

Para o jantar, haviam escolhido a cantina italiana Di Liana. Belíssima surpresa! Pratos muito saborosos, ambiente gostoso e atendimento super.  Preciso destacar que Julio Cursino, a quem conheci pessoalmente lá, foi um dos grandes organizadores do roteiro gastronômico, sempre preocupado em oferecer o melhor para nós. Nesta noite conheci um ícone da Bahia: o Mamede. Percebemos que havíamos levado muitos vinhos, mas a brincadeira costumeira (parece-me) é de que não há garrafas demais quando se tem essa figura simpática participando.

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No sábado pela manhã, nosso cicerone, Toni – que nos informou já ter sido guia turístico na sua juventude, nos levou para recordarmos as vistas maravilhosas da cidade, e para um passeio pelos arredores da Praça Castro Alves, terminando na belíssima Catedral-Basílica de Salvador. Aí, coisas que acontecem em viagens abençoadas: um violinista ensaiava para um recital com órgão que iria ocorrer ao meio-dia.

De lá, fomos ao leitãozinho do Portocaia. A cada novo encontro, mais amigos iam se juntando a nós: León, Vinicius Freire. E Helcio despencou lá de Senhor do Bonfim para estar conosco. Não posso falar dos vinhos porque teria que me estender ainda mais nesse comprido texto, mas tenho que registrar que foram, em todas as ocasiões, uns melhores do que os outros.

À tarde, uma programação diferente e muito, mas muito bacana no hotel em que estávamos hospedados, o Wish Bahia: Café com História, em que o historiador Rafael Dantas conta a história do hotel e de suas belíssimas obras de arte, desde sua construção. Talvez seja injustiça destacar um só artista, mas não posso deixar de mencionar o argentino-baiano Carybé: relevos extraordinários. O tour finaliza com chá, espumante e bolos. Ideia genial do amigo Nilton Vieira, responsável pela criação da maior parte de todo esse roteiro.

Jantar no Chez Bernard, com sua vista maravilhosa e a presença – até que enfim! – de Valéria Braga. Outro show de noite.

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No domingo, um must: restaurante Amado, ambiente chique e agradável, regado a pratos deliciosos. Programa comandado de longe pelo Leon. Adorei!

Foram dias extremamente intensos como deve dar para perceber, mas que não me deixaram exausto, como se poderia esperar. Pelo contrário: energia lá em cima!

Até breve, Bahia! Muito obrigado, amigos! Valeu demais! Você já foi à Bahia?

Fernando Procópio
Apreciador de Vinhos

16 comentários em “O Que o Vinho nos Proporciona. Viva a Bahia!

  1. Realmente foram dias de muita alegria, partilha de vinhos e pratos maravilhosos, companhia de amigos que o vinho nos deu.
    Parabéns Procópio, pela crônica!
    Aqui estamos sempre à espera dos amigos, de portas abertas.
    Espero repetirmos a dose!
    Grande abraço!!!

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  2. Maravilha ter um cronista afiado para rememorar tantos momentos felizes que vivemos aqueles dias! Só contentamento e amizade, trazidos pelo vinho, podem explicar tanto bem querer! Eu e Ana agradecemos a todos os queridos e queridas que agregaram tantas lindas memórias as nossas vidas! Que possamos estar juntos novamente!! Grande abraço Comendador! Não tem jeito: Oh vida booooaaaaa!!! 🍷🍷🍷🍷

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    1. Toni, você resolveu tudo. Não fosse sua intervenção, não teríamos ido para Senhor do Bonfim. E estarmos abrigados no Château de Feira de Santana foi simplesmente o máximo. Obrigado, mais uma vez. Maria Amela e eu agradecemos muito.

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  3. Procópio, senti muito estar viajando quando vocês chegaram e só ter podido participar de dois eventos com vocês, e ainda sem encontrar a Maria Amélia. Mas acredito que outras oportunidades virão. Um grande abraço.

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  4. Pois é … Querido Procópio!! Temos que reprogramar outra ida lá.

    E da próxima neste roteiro completo !

    Descrição que prende os olhos!

    Fiquei com mais água na boca ainda!

    Abração a você aos confrades deste lindo passeio! Saúde sempre!! Abração a Maria Amélia por nós ( Nilton e Daisy)

    As lindas amizades é o que levaremos dessa vida!! Você é destas pessoas incríveis que nos motivam e nos ensinam a viver !! Ohh vida boooooa!

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  5. Que bela jornada, Comendador!! Cheia de gente do bem, que tem a generosidade o prazer de compartilhar, como só o vinho proporciona. Que se repitam muitas e muitas vezes esses belos encontros. Abraços a todos os amigos citados no post, que considero demais e tenho grandes saudades. Parabéns pelo texto, sempre correto e muito bem escrito, que prende a atenção da gente.

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