Chatêau Haut-Bages Liberal – História, Curiosidades e Degustação Vertical

Olá,

Fazer uma degustação vertical sempre é muito especial. Mas fazer uma degustação vertical, de um vinho de um grande vinho de Bordeaux, com safras entre 25 e 50 anos de evolução, é algo absolutamente diferenciado. E tivemos a oportunidade de realizar essa degustação.

No mês passado, participei do evento idealizado pelo confrade Edson Zveibil. Uma degustação única, do Grand Cru Classé do Chatêau Haut-Bages Liberal, com 10 safras, entre os anos de 1970 até 1996. E mais do que isso, todas as safras estavam íntegras!

Na sequência, falaremos de cada safra. Mas antes, como já é de costume, contaremos um pouco da história do Chatêau Haut-Bages Liberal.

História e Curiosidades

A família LIBERAL administrava a propriedade desde o início do século XVIII. Como corretores de vinho, de pai para filho, eles vendiam a maior parte das colheitas para a Holanda e a Bélgica. Graças ao seu nome estar ao lado do local, muitas vezes eram convidados a sentar-se nas mesas redondas dos partidos políticos com o mesmo nome em todo o mundo.

Com o passar do tempo, esses bons conhecedores de vinho adquiriram alguns dos melhores solos da região de Pauillac. É por isso que metade do vinhedo deste 1855 fifth classified growth, está ao lado do Château Latour e a outra metade está atrás do Château Pichon Baron, localizado na parte mais alta de Bages, um grande planalto ao sul de Pauillac.

Embora tenha nascido em uma família de viticultores, Claire Villars Lurton, a atual proprietária, não pretendia administrar uma vinícola. Ela morava em Paris, onde fez mestrado em química e física. Ela estava preparando uma tese em física sobre a preservação de livros antigos no CNRS (CENTRO NACIONAL DE PESQUISA CIENTÍFICA) quando seus pais morreram em um acidente, em 1992. Ela decidiu se envolver ativamente na gestão das propriedades da família, desistindo de seus estudos e juntando-se a seu avô Jacques Merlaut para continuar o trabalho de sua mãe Bernadette Villars Merlaut.

Com energia e determinação impecáveis, Claire assumiu o controle do Château Chasse-Spleen, que ela manteve no topo da hierarquia da classificação Cru Bourgeois.

Ao mesmo tempo, Claire estudou viticultura e enologia na Universidade de Bordeaux com excelentes professores como Yves Glories e Denis Dubourdieu. No entanto, seu principal tutor foi seu avô, Jacques Merlaut. Ele a ensinou como disciplinar sua energia e separar o que é essencial.

Em 1994 ela se casou com Gonzague Lurton, proprietário do Château Durfort-Vivens, um 2º crescimento classificado em Margaux. Juntos, eles compraram o Château Domeyne, em Saint-Estèphe em 2006 e o ​​vinhedo Trinité Estate em 2012. Esta propriedade, localizada no norte da Califórnia, produz um dos maiores vinhos do condado de Sonoma chamado Acaibo.

Além das melhorias técnicas trazidas, ano após ano, para cada uma das propriedades, a principal conquista de Claire foi tirar o melhor proveito do grande terroir sob seus cuidados. Segundo Claire, a agricultura biodinâmica é a chave do sucesso.

A Degustação

Provamos as safras 1970, 1973, 1975, 1981, 1982, 1983, 1984, 1985, 1986 e 1996.

O vinho é um corte de maioria de Cabernet Sauvignon com uma menor porcentagem de Merlot, com passagem de cerca de 16 meses em barricas de carvalho francês. Infelizmente o site da vinícola não disponibiliza a ficha técnica das safras mais antigas, com isso não temos a proporção exata do corte, que varia ano a ano.

Abaixo nossas observações de cada safra:

Pauillac Grand Cru Classe 1970: a safra mais antiga suportou muito bem os mais de 50 anos em garrafa. Antes de mais nada é um grande privilégio provar vinhos mais velhos do que eu (é raro). Aromas e notas em boca terciárias com uma leve oxidação. Nota V3 – 90 pontos.

Pauillac Grand Cru Classe 1973: a safra do meu aniversário. E foi uma das melhores da noite (surpresa pois não é safra grande em Bordeaux). Ainda tinha acidez, aromas de cedro, café e couro e final com uma nota de chocolate amargo. Nota V3 – 92 pontos.

Pauillac Grand Cru Classe 1975: foi a safra que mais sofreu com o tempo. Apesar de ainda vivo, já “respirava por aparelhos”. Nota V3 – 88 pontos.

Pauillac Grand Cru Classe 1981: melhor que a anterior. Íntegro mas sem grandes atributos, apenas um vinho correto e evoluído. Nota V3 – 90 pontos.

Pauillac Grand Cru Classe 1982: na minha opinião, a melhor safra da noite. Complexo no nariz, boa acidez, alguns taninos e final persistente. Quase 40 anos em garrafa e uma grande experiência. Mostrou o potencial do vinho. Nota V3 – 93 pontos.

Pauillac Grand Cru Classe 1983: outra boa safra, mas não chegou na anterior. Notas de couro e alcaçuz no nariz, em boca boa complexidade e maciez. Final persistente. Nota V3 – 91 pontos.

Pauillac Grand Cru Classe 1984: mais uma safra correta mas que não brilhou. Aromas de cacau com alguma fruta em compota. Em boca acidez média, notas de baunilha e um leve caramelo e final médio. Nota V3 – 91 pontos.

Pauillac Grand Cru Classe 1985: relativamente abaixo das demais e junto com a safra de 1975 foi quem mais sofreu com o tempo. Já estava no limite para abrir . Nota V3 – 89 pontos.

Pauillac Grand Cru Classe 1986: entre as melhores da noite. Vinho mais vivo que as demais com aromas secundários e terciários, boa acidez, taninos firmes, boa estrutura e complexidade e final bastante persistente. Era cotado pra ser a melhor e teve boa performance. Nota V3 – 92 pontos.

Pauillac Grand Cru Classe 1996: a safra mais jovem da degustação, com mais de 20 anos de diferença. Obviamente um vinho “diferente” em taça, com alguns aromas de frutas negras, baunilha e pimenta. Em boca taninos suaves, estrutura e corpo médio. Final aveludado. Nota V3 – 92 pontos.

Muito obrigado Edson Zveibil pela oportunidade!

Bons vinhos a todos!!

2 comentários em “Chatêau Haut-Bages Liberal – História, Curiosidades e Degustação Vertical

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