Rumo à Oda al Vino

Por Fernando Procópio Ferraz

Viagem a trabalho: em 20 de junho, embarquei com cliente para Foz do Iguaçu para uma visita técnica em dois hotéis, visando à realização de um Congresso em abril de 2023. Diga-se de passagem que é uma das melhores cidades para realizar esse tipo de evento: muito bons resorts, ampla gama de fornecedores e um local extremamente atraente para os participantes.

O tempo era curto, mas, como ninguém é de ferro, cruzamos a fronteira brasileira e fomos almoçar em Puerto Iguazu. Passamos pelas adegas Don Jorge e pela Oda. Nesta última, uma bela notícia: depois de dois anos de pandemia, a loja voltaria a realizar o evento de vinhos Oda al Viño. Seria nos dias 8 e 9 de setembro.

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Toca a animar a turma. Alguns, como o Toni Monteiro e o Kerjean Lopes, ambos da Bahia, vinham registrando há tempos que queriam participar. Mas, o primeiro a aderir foi o José Falcão: comprou a passagem antes de mim, em uma noite em que um dos nossos grupos estava reunido no Sensi Gastronomia. O Sitta seria presença obrigatória. Formei um grupo de WhatsApp e o Nilton Vieira logo aderiu.

Começamos a planejar: alguns de nós, iríamos ficar cinco dias por lá, mas havia quem iria participar apenas no fim de semana. A primeira baixa aconteceu com o Nilton: havia marcado passagem para sexta-feira, dia 9 de setembro, quando descobriu que o horário do evento mudara, sempre havia começado à noite. Nesta edição, foi alterado para o período da 15 às 20 horas. Seu voo não chegaria a tempo. Tentou mudar, mas as tarifas já estavam na estratosfera. Teve que desistir. Uma perda imensa.

Mesmo para quem pretende para passar cinco dias por lá, o tempo acaba sendo curto, de tantas coisas que há para fazer. Portanto, planejar é fundamental, mesmo porque há o fator “esposas”, cuja programação nem sempre bate exatamente com a do lado masculino, porém tudo acaba se harmonizando.

Mas tivemos uma segunda baixa: eu havia contratado uma agência para fazer nossos transfers e passeios de van. Esse é um ponto muito importante por diversas razões: a primeira é a comodidade; a outra – e talvez das mais importantes – é que o veículo turístico não pega a fila dos carros de passeio para passar pela imigração argentina, em que não raro a demora chegar a quatro, cinco horas, principalmente em feriados (a van pega o acostamento e já desemboca em frente ao posto da Polícia Federal Argentina); e tem mais: não é conveniente ir ao Paraguai em carro locado. Muita coisa pode acontecer. Já com as vans, não há problema: elas têm permissão para usar os estacionamentos de lojas como o do Shopping China, Celshop etc. Além da segurança, tem o conforto de você ir deixando as comprar na van.

Mesmo com essa comodidade para atravessar a fronteira, temos preferido nos hospedar em Puerto Iguazu, evitando boa parte das idas e vindas. Nos últimos anos, ficamos no Pirayu Hotel, um hotel de nível médio, que tem Internet fraca e não possui cofre em alguns apartamentos. Mas, de forma geral, atende. Por falar em Internet, Kerjean encontrou uma loja da Claro, que vende um chip que funciona mesmo para quem tem Vivo. É bem barato e facilita muito a comunicação mesmo entre os participantes do grupo. Fica na esquina em frente à Oda da República Argentina.

Voltando ao caso da agência: uma semana antes do embarque, ela me informou que não estava encontrando o voo do casal Ana-Toni, fato que transmiti imediatamente a ele. Aí a surpresa: a Azul cancelara seu voo e estava oferecendo a alternativa de um outro absurdo, em que teriam que pernoitar em Campinas e atrasariam toda a programação original. Toca cancelar as passagens e buscar opção, mas, àquela altura, as tarifas estavam a preços inimagináveis. Resultado, com o maior pesar, esse queridíssimo casal teve que desistir da viagem. Pior ainda porque Ana faria aniversário no domingo, dia 11, e eu preparara um jantar especial para homenageá-la no sábado, no restaurante Dumond, do Mabu.

Kerjean e Sandra chegaram pela manhã do dia 6, terça-feira; Maria Amelia e eu, à tardezinha. Já iniciamos nossas atividades no mesmo dia com um jantar no A Piacere, um restaurante de nível médio, com boa parilla, mas que, desta vez, assustou pela conta: talvez tenha sido a mais cara de todas as refeições. E não vale tudo isso. Kerjean observou que a carta de vinhos era bem reduzida, fato que constatamos em outros restaurantes de lá. Foram poucos os que ofereciam maior variedade. Nesse dia, fizemos um primeiro reconhecimento nas adegas mais conhecidas.

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Na quarta-feira, já pudemos contar com Myriam e Falcão para o almoço: fomos ao Aqva. Já o conhecia, havia estado umas duas ou três vezes, mas somente nesse dia, por conta de uma observação da Maria Amelia, me dei conta de que a especialidade maior do restaurante são frutos do mar (e de rio). Como iríamos nos fartar de carnes, ela disse que preferiria algo mais leve, optando por uma pasta com camarões. Todos acabamos indo pelo mesmo caminho: escolhi um surubim, que estava espetacular. E evidentemente fomos de brancos escolhidos por Kerjean.  Nessa tarde, fizemos um giro por adegas alternativas, não tão conhecidas.

Pedi à agência para reservar o jantar no J. Alta Cocina (antigo Jungle), muito charmoso e um dos mais destacados de Puerto Iguazu, que mantém a qualidade desde sua fundação (e também os garçons: a que nos serviu está lá desde sempre, ultra simpática e eficiente).  O restaurante dispõe de uma bela adega com ótima variedade de rótulos. Foi ampliado, sinal de que mais turistas o apreciam.

No dia seguinte, nos dividimos: Myriam e Falcão foram excursionar pelas Cataratas. Passeio completo, com passagem pelo Parque das Aves (imperdível para adultos e crianças), Macuco Safari (passeio de lancha que chega até a Garganta do Diabo).

Sandra, Kerjean, Maria Amelia e eu fomos para o Paraguai: iniciamos o tour pelo Shopping China, que ocupa um andar inteiro do Shopping Paris. Ali, se encontra de tudo: roupas, perfumes, chocolates, eletrônicos e naturalmente vinhos (de linha média). Muitos chilenos, alguns argentinos e europeus, rótulos de champanhe etc. Seguindo o roteiro, fomos à Celshop, que também tem de tudo. Lá, em matéria de vinhos, o foco é o Novo Mundo. Ao lado, Monalisa. Com roupas de grife e uma cave impressionante no subsolo, abarrotada de vinhos franceses. Havia estado lá em junho e senti que os preços subiram. Também cheguei à mesma conclusão na Don Jorge e na Oda. Será que o evento desta última é capaz de mexer tanto nos preços? Nossa parada seguinte, a Sax (que não é a da Nova York): já teve farta oferta de roupas de grifes e a preços adequados. A pandemia enfraqueceu-a de tal maneira que há andares inteiros fechados. Aproveitamos uma dica que eu recebera e subimos ao último piso, em que há um restaurante e uma adega (que já foi bem mais recheada de bons rótulos). Quinta-feira, disseram-me, dia de comida árabe. Isso não se confirmou: o dia é sexta-feira, no jantar. Mas, Sandra e Maria Amelia descobriram uma série de pratos árabes no cardápio e nos deliciamos com eles, acompanhados de um Chablis delicioso. Valeu muito esse almoço: pratos delicados e muito bem feitos. Foz do Iguaçu e o Paraguai concentram enorme colônia libanesa e o esmero na comida é uma das vantagens dessa concentração. O ambiente naquele andar também é diferente, amplo, com um telão enorme em que são reproduzidos shows. Obs.: no Paraguai a moeda é dólar. Pagamento com cartão de crédito, além do IOF, sofre acréscimo.

À noite, com Myriam e Falcão, nos reunimos para jantar em um restaurante inaugurado há pouco tempo: Patanegra Gourmet, um belo lugar, com um minimercado e com um bom estoque de vinhos. Pedimos frutos do mar de entrada e, depois, um tomahawk impressionante. Jantar regado a Primus Salentein: Chardonnay, Malbec e Cabernet Sauvignon, todos de primeiríssima qualidade.

E chegou a sexta-feira, dia da Oda al Viño. Na noite anterior, Mabel e Sitta haviam desembarcado. Para o almoço, os restaurantes estavam lotados e não tínhamos muito tempo para esperar porque – lembrando – o evento começaria às 15h. Nos arriscamos em um restaurante desconhecido: Doña Maria do Hotel Saint George. Não foi de todo mal.

Todos já havíamos comprado o ingresso para a Oda pela Internet, na primeira leva: R$ 350,00 por pessoa, com direito a voucher de R$ 200,00 para compras. O evento cresceu: até a edição anterior, era realizado no subsolo. Agora, passou para o térreo e andar de cima. O número de vinícolas também aumentou, mas Sitta concluiu que menos enólogos se fizeram presentes. Mesmo assim, encontramos a simpática Iduna Weinert e o Sitta muitos amigos e conhecidos, como o Franco da Matervini e o Sebastian, um prestigiado sommelier argentino. É sempre uma festa, em que você reencontra amigos, conhece pessoas, troca impressões. Quanto a mim, passei da fase de querer experimentar tudo: vou apenas nos que despertam minha curiosidade por algum motivo ou por recomendação. Neste ano, havia fornadas de empanadas, fornecidas por um dos mais famosos restaurantes de lá, El Quincho del Tio Querido (de que não gosto muito: se não mudou, as taças são de vidro).

No sábado, a turma se dividiu: Myriam e Falcão foram para o Paraguai. Os demais fomos à Oda para comprar com nossos vouchers e, depois, à Don Jorge, onde pudemos constatar que os preços deste último estavam bem melhores. Forramos o estômago com umas empanadas e à tarde, Mabel, Sitta e Kerjean voltaram à Oda. Sitta ficou eufórico com a degustação da Bemberg de que participou com Daniel Pi. Sandra, Maria Amelia e eu fomos ao Freeshop da Argentina. Lá, vez por outra se acha um bom Deicas ou, como encontrei há dois meses, uns Mondavi (de Napa), mas normalmente não é lugar para se comprar vinhos. Há uma imensa linha de cosméticos e algumas lojas de grife, bem como uma da Aple e muita fartura em uísques, licores etc etc. Como o dólar lá é do câmbio oficial e está muito defasado em relação ao chamado blue (paralelo), nossa agência ofereceu um serviço especial: levou uma quantidade de pesos que predeterminamos e pagamos na moeda local. A vantagem foi de cerca de 35%. Só!

De lá, rumamos para o Shopping de Foz do Iguaçu, que abriga uma loja da Cellshop. Há uma boa variedade de vinhos do Velho Mundo a preços muito convidativos. O limite de compras livre de impostos é de US$ 500 e é preciso tomar um pouco de cuidado para não ultrapassar porque o excedente é sobretaxado. Mas, é um limite bem folgado e você ainda pode pagar com cartão de crédito em até 12 vezes sem juros, conforme o valor da compra. E sem IOF.

Esse Shopping fica em frente ao Mabu Resort, nossa última etapa da viagem para o jantar no restaurante Dumond, que é très chic e extremamente charmoso, com pratos extraordinários, sempre criados pelo chef, sommelier, banqueteiro, Alceu Vieira, Gerente de A&B do hotel. Foram cinco tempos espetaculares. Os vinhos havíamos comprado no Paraguai e em Puerto. Vale demais, mas é imprescindível reservar com antecedência. Ah! A Ana e Toni – já disse – não estavam, mas o jantar seguiu sendo uma homenagem a ela. Cantamos parabéns, filmamos e mandamos para esse queridíssimo casal baiano.

Domingo, dia de retornar às bases. A van nos pegou, levou-nos ao aeroporto, uns, com suas malas especiais para garrafas, eu, como sempre, mando embalar duas caixas de 6 garrafas juntas com aquele sistema Protec Bag, que resulta em uma só bagagem. Ali é onde opera a aduana, mas, não exagerando na compra de garrafas, não haverá problemas. O limite é de 12 litros por pessoa, ou seja, 16 garrafas de 750ml. Mesmo com Maria Amelia, trago cerca de 20.

Bom, talvez você tenha reparado que falei pouco sobre vinhos e mesmo sobre a Oda, até porque ela será o tema de nova postagem aqui no Blog, mas o que importa mesmo nessa viagem nunca foi uma coisa ou outra, mas sim podermos – Maria Amelia e eu – desfrutar da companhia desse pessoal tão querido.

Serviço:
Pirayu Hotel: https://pirayu.com.ar/
Nossos agradecimentos a
STTC Eventos & Turismo: eventos@sttc.com.br
Fone: (45) 9976-0201 – Junior
Restaurante Dumont / Mabu Thermas.
Aberto todos os dias das 19h30min as 22h30min
Reservas 45 3521 2000 no ramal 06 ou na Recepção do hotel.
Cardápio aberto com ênfase gastronomia Italiana ou reserva conforme disponibilidade para serviço harmonizado (Eno gastronômico)  Franco Italiano.
Fernando Procópio
Apreciador de Vinhos

9 comentários em “Rumo à Oda al Vino

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