As Barricas e os Vinhos – Parte 1

Amigos, hoje traremos mais uma contribuição do confrade Ivan Ribeiro. Um texto que fala sobre as barricas de carvalho e sua importância na produção de vinhos de alta qualidade. Boa leitura!

As Barricas são recipientes feitos de madeira de carvalho, que variam de capacidade, sendo as mais usuais de 225 litros, que servem para transportar e armazenar líquidos, em especial, o vinho.

Servem, também, para utilização dos processos de fermentação dos vinhos. Assim como, para que os vinhos possam estagiar após a sua fermentação. Nessa fase de maturação dos vinhos, é que as barricas agirão de forma plena sobre o ele, agregando ao vinho sabores e outros elementos importantes que elevarão seu nível de qualidade de forma considerável.

Vale a observação; de que, muitos produtores ao invés de passar os vinhos pelo estágio em barricas, face o custo elevado das mesmas, utilizam-se de aduelas, aparas ou chips de madeira, o que adicionará sabores de madeira ao vinho. Alguns, inclusive, apenas acrescentam essência de carvalho ao vinho, para dar sabor de madeira ao mesmo.

Tipos de Barrica

As barricas podem ser feitas de diversos tipos de carvalho. Geralmente são utilizados carvalhos franceses, americanos e eslavos.

Muito embora, os produtores tenham procurado outros tipos de madeiras e outras formas para substituir a barrica, ainda não encontraram nada que se aproxime da madeira do carvalho. À não ser em Vêneto, onde se utiliza a cerejeira para envelhecimento do Valpolicella Ripasso, para que sejam suavizados os polifenóis sem acrescentar notas de baunilha ao vinho.

No entanto, o carvalho é um tipo de madeira com porosidade adequada para essa função, que permite com que o oxigênio entre pela madeira e vá até o vinho ajudando no amadurecimento e maturação do mesmo, bem como, faz com que o vinho tenha maior contato com a madeira, já que este penetra a madeira e agrega ao mesmo os sabores e elementos presentes na mesma.

Assim, o tipo de carvalho trabalhado, trará diversos elementos diferentes no seu resultado final. O carvalho Francês (tecnicamente denominados de Quercus robur e Quercus petraea ou Quercus sessilis), ou Europeu (que pode ser encontrado na Hungria, Romênia, Rússia e Polônia), por exemplo, agregará ao vinho elementos mais sutis que o carvalho americano, como a torrada e os frutos secos, além de taninos mais macios. Por outro lado, o carvalho americano (cientificamente chamado de Quercus alba), que tem um custo menor que o carvalho Francês ou Europeu, conferirá sabores de coco, caramelo e baunilha, com taninos mais ásperos.

 

Já os barris feitos com carvalho da Eslavônia, e, não, Eslovenos, como muitos pensam e escrevem, têm sido muito utilizados na Itália, na regiões do Piemonte, Toscana e Vêneto. Essas barricas geralmente são maiores e impactam menos sabores e taninos aos vinhos, visto que sua área de contato é menor do que numa barrica de 225 litros. Nesse tipo de barrica, até pela característica da madeira, a micro-oxigenação será mais reduzida e demorada, face a característica da madeira que é menos porosa que as francesas e americanas, os vinhos demoram mais tempos de ficarem prontos. Além do que, ela tem um tempo de vida útil maior, podendo transferir sabores até o 4º uso da mesma.

As barricas, também, passam por um processo de tosta, quando da sua fabricação. Essa tosta pode ser de três níveis diferentes: leve, média e forte. Esses níveis de tostas vão determinar diversos tipos de sabores e aromas ao vinho. A tosta leve, por exemplo, é utilizada por enólogos que buscam maior sabor do carvalho. A média pode ser adequada para ser utilizada na maioria dos tintos, e outras para fermentação dos vinhos brancos. E, a tosta forte terá um caráter mais defumado e carbonizado, sendo, geralmente utilizados na fabricação de blends.

O Custo da Barrica.

As barricas tem custo alto, sejam elas novas ou usadas. O impacto no custo de fabricação dos vinhos é elevado, dada a quantidade de barricas que devem ser adquiridas pelas vinícolas para fermentação e maturação de seus vinhos.

Um barrica nova gira em torno de US$ 400,00 a US$ 550,00, na Europa, dependendo do tipo de carvalho utilizado na fabricação da mesma. Por isso, como já dito acima, muitas vinícolas tem se valido dos chips e das aparas para implementar sabores de madeira ao vinho. No entanto, nada substituirá a questão da micro-oxigenação do vinho nas barricas e seu contato direto com a madeira, sugando da mesma outros tantos elementos que um chip ou uma apara não substituirão jamais. Muito embora, em alguns casos, podem utilizar os chips e aparas dentro de barricas reutilizadas, à fim de maquiar o uso do carvalho como se fosse da própria barrica.

Ivan Ribeiro do Vale Junior é Sommelier Profissional e Advogado.
Membro da Confraria Mês Que Vem Tem Mais.
@ivanrvalejr @confrariamesquevemtem

6 comentários em “As Barricas e os Vinhos – Parte 1

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