Churchill Cabernet Franc – História, Curiosidades e Degustação Vertical

Amigos,

Estamos falando de um dos cinco melhores vinhos brasileiros (na minha opinião, é claro!). Sou um grande fã desse 100% Cabernet Franc, que é produzido por Nathan Churchill em parceria com a vinícola Valmarino, uma das principais do Brasil.

O Nathan já se tornou um amigo do Blog. Estivemos juntos em duas grandes degustações virtuais com os amigos do Vaocubo em eventos idealizados pelos confrades Nilton Vieira e Fernando Procópio e, deste então, a prova dos ótimos vinhos da Churchill produzidos em parceria com a Valmarino (Terço, Cabernet Franc e as duas linhas de espumantes: Nature Prestige e Extra Brut), tem sido uma constante pela equipe do Blog.

A ideia da degustação vertical surgiu do amigo Haroldo Rodrigues e já estava no papel há muito tempo. Finalmente, no dia 25/06, conseguimos achar uma breve em meio à agenda terrível do doutor Haroldo durante a pandemia para provarmos esses vinhos sensacionais.

Mas, antes de falarmos especificamente da degustação, vamos conhecer um pouco da história e algumas curiosidades sobre essa parceria de sucesso, que tem muito para perpetuar visto que o Arthur Churchill, filho do Nathan, também já está nos negócios da família, garantindo mais longevidade ao negócio.

História e Curiosidades

A Valmarino é uma vinícola familiar. Tudo começou quando em 1978 o patriarca Orval Salton (enólogo formado em Mendoza – Argentina e enólogo da Vinícola Salton por 23 anos) adquiriu esta propriedade pertencente a família Parissotto, com 24 hectares em Pinto Bandeira. Naquela época havia na propriedade somente uvas americanas, da espécie Vitis labrusca, destinadas ao consumo in natura e para a produção de sucos e geleias. Neste mesmo ano foi plantada a primeira variedade Vitis vinífera, a Cabernet Franc, que é atualmente o vinhedo mais antigo da propriedade.

Em 15 de setembro de 1997 foi fundada o ESTABELECIMENTO VINÍCOLA VALMARINO, por Oval Salton e seus três filhos, Marco Antônio (enólogo e engenheiro agrônomo), Guilherme (financeiro) e Rodrigo Salton (médico, mas sócio). O nome homenageou os antepassados da cidade de Cison di Valmarino – Treviso – Itália. Cison di Valmarino é um município italiano da região do Vêneto, província de Treviso, com cerca de 2.553 habitantes. 

Em 2006, Nathan Churchill, que na época vendia barricas de carvalho para vinícolas brasileiras, propôs uma parceria a vinícola Valmarino. Em feiras de vinhos em Bento Gonçalves, Marco Salton, o enólogo da Valmarino, comprava uma ou duas barricas. Naquela época o dinheiro estava mais curto. Como o Nathan já era um grande fã do Cabernet Franc da Valmarino, ele propôs ao Marco trocar barricas por vinho. Na proposta, Nathan ficaria com o vinho do primeiro uso e a Valmarino ficaria com as barricas. Desta forma surgiram as primeiras garrafas do Churchill Valmarino Cabernet Franc 2006. Foram cerca de 600 garrafas (2 barricas) nessa primeira safra.

A safra 2006, que foi lançada em meados de 2008, foi feita para consumo próprio do Nathan. Ele queria entender o comportamento do vinho brasileiro em uma barrica de carvalho novo. Durante uma degustação em São Paulo, ele nos contou que colocou algumas caixas no porta-malas do carro, por precaução. Acabou vendendo quase 20% da safra em uma noite.

Nos anos seguintes a produção foi aumentando, mas ainda o “negócio” era a troca das barricas pelo vinho. Desde as últimas três safras a Valmarino se tornou sócia, dividindo a comercialização do vinho, que até então era feita de forma exclusiva pela Churchill. Hoje a produção, que é dividida entre ambos, chega a cerca de 3.900 garrafas (13 barricas).

Carta da Romanée-Conti

Outra curiosidade é que a famosa Domaine de la Romanée-Conti, no início do ano passado, enviou uma carta à Valmarino, indagando sobre a similaridade do rótulo antigo do Cabernet Franc (que foi alterado para a safra de 2018, devido a esse contato) com a de seus prestigiados vinhos. 

Nathan nos contou que quando começou a produzir o vinho para seu consumo próprio, por profunda admiração aos rótulos antigos franceses, desenhou seu rótulo com influência daqueles que ele achava mais bonito.

Depois de muitas safras um “enochato” deixa um comentário em seu Instagram comentando sobre a similaridade dos rótulos e que isso não era “direito”. Em pouco tempo a Valmarino é notificada. Nathan se surpreendeu, primeiro por ter chamado a atenção da grande Romanée-Conti e segundo porque nunca teve a intenção de se passar pela gigante francesa, sendo a possível similaridade uma mera homenagem.

Entretanto eles acharam melhor mudar o rótulo, que ficou ainda mais bonito para a safra 2018. Nas fotos abaixo você poderá avaliar ambos!

Degustação Vertical

A degustação, que aconteceu durante um jantar no restaurante El Tranvia do Itaim, contou com quatro safras do Cabernet Franc (2013, 2015, 2017 e a atual 2018), além da última edição do vinho ícone da parceria, o Terço em sua safra 2018. Os quatro vinhos foram provados no mesmo flight seguidos do ícone.

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O Cabernet Franc é um varietal que passa cerca de 18 meses em carvalho americano de primeiro uso e ótimo potencial de guarda.

Cabernet Franc 2013: demonstrou todo o potencial de guarda deste vinho. Está em ótimo momento para ser aberto mas aparenta ter mais ainda tem boa guarda. Para alguns participantes foi o melhor da noite. Na minha opinião e na classificação geral ficou em segundo lugar, mas muito próximo do primeiro, tanto que leva a mesma nota. Aromas de ervas e algum leve herbáceo. Em boca está macio e equilibrado com taninos firmes e final longo. Nota V3 – 93 pontos.

Cabernet Franc 2015: esteve um pouco abaixo dos demais mas ainda assim ótimo vinho. Coisas que só percebemos nas degustações verticais. Um pouco apagado no nariz, com aromas secundários e terciários, em boca com taninos mais leve, notas de cacau e fruta em compota e final médio. Nota V3 – 89 pontos.

Cabernet Franc 2017: o grande campeão da noite. individualmente já era a minha melhor safra, e se confirmou na vertical. Vibrante, aromas de frutas vermelhas, cravo e algumas notas mais herbáceas. Em boca é firme, austero e potente com final muito persistente. Nota V3 – 93 pontos.

Cabernet Franc 2018: o mais jovem de todos esteve marcado pelo herbáceo em boca e nariz. Vai ganhar muito com alguns anos de guarda. Pede decantação de algumas horas. Nota V3 – 91 pontos.

Terço 2018: elaborado através de um corte dos três melhores  vinhos da safra 2018 segundo a seleção criteriosa de Nathan J. Churchill e o Enólogo Marco Antônio Salton. Os vinhos escolhidos foram: 1/3 de Cabernet Franc e 1/3 de Tannat (originários de vinhedos próprios de Pinto Bandeira) e 1/3 Cabernet Sauvignon (originário da Campanha Gaúcha – Uruguaiana). Precisa de bons anos em adega, ainda está muito jovem. Nota V3 – 91 pontos.

Parabéns Nathan e vinícola Valmarino pelo excelente trabalho, que venham muitas novas safras!

Serviço:
Churchill Valmarino (Vinhos Churchill)
Website: www.churchill.com.br
Instagram: @vinhochurchill

Onde Comprar:
Vinhos com Alma: www.vinhoscomalma.com.br
Rua Juventus 453, Pq. da Mooca, São Paulo – SP. CEP: 03124-021 Tel: (11) 3539-0338 ou fale diretamente com o Sommelier: 11 99006-3773

16 comentários em “Churchill Cabernet Franc – História, Curiosidades e Degustação Vertical

  1. Um belíssimo vinho nacional de um casta varietal que impressionante foi muito bem, e diria que sou um real fã, desde que o amigo Nilton Vieira nos apresentou em uma noite onde estavam só brazukas, neste dia foi um 2012. Foi um vinho levado pelo Comendador Procopio e ele foi o primeiro entre tantos outros muito bons.
    É um orgulho ter conhecido estes vinhos e no dia da Live eu estava lá com um 2017, e depois disso tenho aqui os 2018 dormindo um pouco, e estes com certeza sempre que estiver disponível no mercado vou, seja qual safra for, adquirir.

    Curtido por 1 pessoa

  2. Muito boa a live do blog com o Nathan Churchilll. Para mim, esse CF está entre os top 5 dos nacionais. Aliás, já fizemos um encontro às cegas no M1ll1umm, comandado pelo Nilton Vieira, e ele bateu todos os grandes nacionais apresentados naquela noite.

    Curtido por 2 pessoas

  3. Ótimo post Sitta, para nós enófilos, adquirir conhecimento e saber das curiosidades do mundo dos vinhos é sempre bastante interessante

    Quando ao CF da Churchill, é realmente um excelente vinho, já tive a oportunidade de provar a safra 2015, e depois do evento estou com 2 adegados da safra 2018

    Curtido por 3 pessoas

  4. Que história bacana rs….. os Franceses se incomodando com o rótulo do vinho Brasileiro.
    Uma história muito boa assim como o vinho!

    Ótimo artigo são essas histórias que fazem do vinho uma batida ímpar ! Parabéns Sitta!

    Curtido por 1 pessoa

  5. Ainda não tive o prazer de uma vertical do Churchill, mas já provei várias safras e concordo com você dele ser um dos melhores do Brasil.
    Muito curiosa essa história do rótulo.

    Curtido por 1 pessoa

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