Desafio Mendoza x Patagonia x Salta – Parte 1

Olá!

No dia 11 de junho, realizaremos o terceiro evento do Blog e desta vez o tema será Mendoza x Patagonia x Salta com a prova de dez vinhos dessas regiões.

Obviamente que essa amostra não é muito representativa para “eleger” uma região favorita, mas a ideia principal é tentar mostrar as diferenças provocadas pela diferença de altura, clima e solo de cada região através da prova de alguns dos mais renomados vinhos argentinos.

Essa prova será integralmente descrita na parte 2 deste Post. Antes vamos entender quais são as diferenças citadas acima.

As Regiões Produtoras na Argentina e os Tipos de Uvas:

Nosso evento contempla três regiões produtoras mas a Argentina possui outras regiões importantes na produção de vinhos, conforme mostra o mapa abaixo:

Salta 3O resumo de cada região está a seguir:

Salta:
Altitude dos Vinhedos: 1280 a 3005 metros acima do nível do mar.
Temperatura Anual Média: 15°C.
Precipitação média: 20,3 cm/ano.
Área total plantada: 22.959 hectares.
Região Principal: Cafayate.
Principais variedades: Torrontes, Malbec, Cabernet, Sauvignon e Tannat.

Catamarca:
Altitude dos Vinhedos: 1005 a 2194 metros acima do nível do mar.
Temperatura média anual: 18,3°C.
Precipitação média: 43,2 cm/ano.
Área total plantada: 2.582 hectares.
Principais regiões: Tinogasta, Santa Maria e Belén.
Principais variedades: Torrontes, Syrah, Malbec e Cabernet Sauvignon.

La Rioja:
Altitude dos Vinhedos: 800 a 1720 metros acima do nível do mar.
Temperatura média anual: 18,8°C.
Precipitação média: 13 cm/ano.
Área total plantada: 8.517 hectares.
Principais regiões: Nonogasta, Chilecito, Famatina e Antinaco.
Principais variedades: Torrontes, Bonarda, Malbec, Syrah e Cabernet Sauvignon.

San Juan:
Altitude dos Vinhedos: 600 a 1350 metros acima do nível do mar.
Temperatura média anual: 17,2°C.
Precipitação média: 10,2 cm/ano.
Área total plantada: 44.491 hectares.
Principais regiões: Tulum, Ullum-Zonda, Calingasta, Iglesia e Valle Fertil.
Principais variedades: Syrah, Malbec, Cabernet Sauvignon, Bonarda, Chardonnay e Torrontés.

Mendoza:
Altitude dos Vinhedos: 457 a 1700 metros acima do nível do mar.
Temperatura média anual: 15°C / 18,9°C.
Precipitação média: 20,1 cm/ano.
Área total plantada: 160.704 hectares.
Principais regiões vinícolas: Nordeste, Central, Sul e Vale do Uco.
Principais variedades: Malbec, Merlot, Cabernet Sauvignon, Torrontes, Viognier Chardonnay e Sauvignon Blanc.

20 Vinhos para Provar em Mendoza

Neuquen:
Altitude dos Vinhedos: 300 a 460 metros acima do nível do mar.
Temperatura Anual Média: 10°C.
Precipitação média: 17,8 cm/ano.
Área total plantada: 1.630 hectares.
Região principal: San Patricio del Chañar.
Principais variedades: Sauvignon Blanc, Merlot, Pinot Noir e Malbec.

Rio Negro:
Altitude dos Vinhedos: 230 a 250 metros acima do nível do mar.
Precipitação média: 17,8 cm/ano.
Temperatura média: 12,7°C.
Área total plantada: 2.635 hectares.
Região Principal: Alto Vale do Rio Negro.
Principais variedades: Sauvignon Blanc, Merlot, Pinot Noir e Malbec.

Os principais tipos de uva estão indicados na tabela abaixo:

Mendoza 2

Mas ainda vale detalhar um pouco mais as regiões que fazem parte do evento.

Salta:

A província de Salta está localizada no norte do país, onde missionários espanhóis plantaram algumas das primeiras videiras da Argentina no século XVI. Salta é a região vinícola mais radical do país. A maioria de seus vinhedos fica a mais de 1.500 metros acima do nível do mar, em meio a formações rochosas irregulares.

Os vinhedos, muitos com mais de 100 anos, concentram-se no vale Calchaquí, no sopé dos Andes e em torno da cidade de Cafayate onde as elevações variam de cerca de 1.750 metros acima do nível do mar em Cafayate, até os vinhedos experimentais de Calchaquí, na Bodega Colomé, a mais de 3.000 metros.

Salta 6

Em Cafayate e no Vale do Calchaquí, as duas principais subzonas de Salta para a produção de vinho, o calor diurno pode ser escaldante. Conseguir o amadurecimento para as uvas Malbec, Tannat, Cabernet Sauvignon e Merlot, bem como para a Torrontés raramente é um problema, e como a 2.000 metros e acima as noites são frescas, as uvas retêm ampla acidez.

Entre as uvas vermelhas, Salta é especializada em variedades de clima quente, particularmente em Malbec e Tannat, mas também em Merlot e Cabernet Sauvignon. Estes tintos são, na maioria das vezes, encorpados, robustos e ricos ​​em aroma e sabor, com níveis de álcool próximos ou superiores a 15%.

Entre as uvas brancas, Torrontés é o grande destaque. A combinação de dias quentes, noites frias e umidade tropical que se desloca para o sul a partir da Amazônia permite que  a Torrontés mantenha a acidez e enfatize seus aromas florais, tornado-a a uva ícone da região.

Entre as principais vinícolas estão a Yacochuya, a Tacuil, a El Porvenir, a Domingo Molina, a Colomé e a Piatelli que também tem uma unidade em Mendoza.

Mendoza:

A província de Mendoza é a região vinícola mais importante da Argentina, responsável por quase dois terços da produção total de vinho do país. Localizadas no sopé leste dos Andes, à sombra do Monte Aconcágua, os vinhedos são plantados em altitudes de 457 a 1.700 metros  acima do nível do mar.

5 Dicas para Visitar Mendoza

As principais áreas produtoras de vinho se dividem em dois departamentos principais:

Mendoza 1Maipú e Luján de Cuyo, que incluem a primeira denominação delimitada da Argentina estabelecida em 1993 em Luján de Cuyo. As uvas de pele rosa (para vinhos de garrafão), Criolla Grande e Cereza, respondem por mais de um quarto de todas as plantações, mas a Malbec é o plantio mais importante da região, seguido de perto Cabernet Sauvignon, Bonarda e Chardonnay. 

Localizado no extremo oeste da Argentina, a província de Mendoza tem um clima continental e condições desérticas semi-áridas.

A região experimenta quatro estações distintas, sem temperaturas extremas, o que proporciona um ciclo de crescimento anual relativamente irregular para as videiras,  especialmente a dormência de inverno. A precipitação na região é em média de 200 milímetros por ano, tornando a irrigação uma necessidade. Durante a primavera, a geada é uma ocorrência rara e tem-se como a principal preocupação para as videiras o granizo no verão, conhecido localmente como La Piedra .

O solo da região vinícola de Mendoza é essencialmente aluvial composto  principalmente de areia solta sobre argila.

Os rios das montanhas, fornecem abundantes fontes de água das geleiras derretidas nos Andes. Quase 17.000 poços estão espalhados por toda a região, fornecendo o equivalente a um fluxo adicional de dois rios para a área. Um sistema de canais de irrigação, canais e reservatórios (alguns datados do século XVI) ajudam a sustentar a viticultura nesta região desértica do semi-árido.

A região tem mais de 1.200 vinícolas, tornando quase impossível listar as melhores delas. Entre as minhas favoritas estão a Cobos, a Pulenta, a Monteviejo, a Achaval Ferrer e a RJ Viñedos, mas a lista de ótimas vinícolas é enorme e tomaria mais de uma página do texto.

Patagônia.

As regiões vinícolas estão localizadas no norte da Patagônia, especificamente nas planícies de Neuquén e do Vale do Río Negro.

Patagonia 3

Durante séculos, essas áreas eram mais conhecidas pelo cultivo de grãos, maçãs e peras, colheitas simples que podiam suportar a brisa firme, o clima frio e elevações modestas. Mas nos últimos 20 anos, ambas as subzonas amadureceram com melhor irrigação.

Os vinhos tintos da Patagônia, abrangem o espectro de variedades internacionais, mas destacam pelo Malbec, e tendem a ser mais nítidos e focados em aromas e sabores de frutas vermelhas. Eles oferecem menos “extravagância” e volume do que os de Salta ou Mendoza.

A Patagônia tem mais de um século de história na produção de vinhos, mas somente nas últimas décadas várias vinícolas em Neuquén e Rio Negro surgiram com vinhos de qualidade. Entre as principais está a Bodega Noemía, da condessa Noemi Marone Cinzano da Itália e do enólogo dinamarquês Hans Vinding-Diers. Sua primeira colheita no Vale do Rio Negro foi em 1999.

Vários anos depois, seu primo Piero Incisa della Rocchetta de Sassicaia, na Toscana, fundou a Bodega Chacra. Surgiu como o principal produtor de Pinot Noir na Argentina, obtendo suas frutas principalmente de vinhedos plantados em 1932 e 1955.

Mais recentemente, novas vinícolas de Río Negro, como Verum, se juntaram à vanguarda, e há outros projetos incipientes em andamento. A bodega Aniello tem vinhas que foram plantadas entre 1930 e 1950, bem como vinhas mais jovens.

patagonia

 

Nas proximidades de Neuquén, foi também por volta da virada do milênio que uma indústria vinícola moderna começou a criar raízes, somente depois que a água (vital) foi desviada de um rio próximo, permitindo a irrigação de vinhedos. A partir daí, uma série de boas vinícolas surgiram, como Bodega NQN, Familia Schroeder e Fin del Mundo. Neuquén é agora o lar de cerca de meia dúzia de bodegas especializadas em variedades internacionais, embora os melhores vinhos sejam produzidos em Malbec e nos blends com Malbec.

Fontes:
http://www.argentwine.be
http://www.winesofargentina.org
http://www.winemag.com
winefolly.com
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12 comentários em “Desafio Mendoza x Patagonia x Salta – Parte 1

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