Um Novo Vinho Chileno – Parte 1

Olá,
A seguir começamos a apresentar o excelente trabalho produzido pelo amigo Carlos Mazon após sua experiência no Chile, onde participou  do concurso promovido pela Wines of Chile Academy para eleger os Embaixadores do Vinho Chileno no Brasil. Um artigo, dividido em partes, que conta em detalhes toda a transformação que vem acontecendo na indústria chilena de vinhos.
Boa leitura!

Tive o prazer de viajar ao Chile no período de 20 a 26 de Outubro, com outros 5 profissionais do vinho, como resultado da 1ª Edição do Concurso Embaixadores do Vinho Chileno, da Wines of Chile Academy 2019.  Esse concurso teve como tutor o renomado jornalista e vice-presidente da ABS-SP, Dr. Arthur Azevedo e a adesão de mais de 120 sommeliers profissionais do Rio de Janeiro, São Paulo e Campinas.  Detalhes podem ser encontrados no link abaixo:

https://www.abs-sp.com.br/noticias/conheca-os-vencedores-do-concurso-wines-of-chile-academy-2019

Durante as aulas foi muito divulgado o dinamismo da indústria vitivinícola Chilena, os investimentos sendo realizados, as inovações, os estudos apurados de solo, a exploração de novas áreas, as novas variedades sendo plantadas, as antigas variedades sendo resgatadas e o conceito de vinhos de Terroir, que surgiu mais fortemente após a criação da classificação de zonas vitivinícolas de Leste para Oeste.

Porém, antes de prosseguirmos, vale conhecer alguns dados importantes sobre o país e sua indústria vitivinícola.

A Geografia Vitivinícola do Chile

O Chile é comprido, com 4.300 KM de extensão e 177 KM de largura.  De Norte a Sul, o Chile se divide em 6 regiões vitivinícolas, sendo:  Atacama, Coquimbo, Aconcágua, Vale Central, Região Sul e Austral.

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As vinhas estão majoritariamente concentradas no terço central do país, num trecho de 1.100 KM, entre as latitudes 30° a 38° Sul (no hemisfério Norte seriam latitudes equivalentes ao Norte da África e Madri).  Deveria ser uma faixa muito quente, mas o clima sofre forte influência moderadora da Corrente de Humboldt, uma corrente fria que vem do Oceano Pacífico e sopra por toda a costa do Chile, fazendo o clima dessa área central ficar entre o de Bordeaux e o do Napa Valley.

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Está isolado por barreiras naturais, sendo o deserto de Atacama ao Norte, os Glaciais da Patagônia ao Sul, o Oceano Pacífico a Oeste e a Cordilheira dos Andes a Leste.  Esse isolamento geográfico, bem como a água pura das geleiras dos Andes, verões secos e controles fitossanitários rígidos, permite ao Chile ter condições privilegiadas para a viticultura orgânica e biodinâmica.

Os solos são os mais variados possíveis, resultado de uma longa história de intensas atividades sísmicas e vulcânicas (o Chile possui 2.900 vulcões, sendo 500 muito ativos).  Além disso, há duas cadeias de montanhas que influenciam diretamente as características climáticas das áreas vitivinícolas, que são a Cordilheira da Costa e a Cordilheira dos Andes.  A primeira se situa ao Leste, por toda a extensão costeira, aproximando-se dos Andes no Norte e se afastando gradativamente conforme avança para o Sul.  Essa Cordilheira é mais alta em alguns pontos e quase inexistente em outros, restringindo ou permitindo a ação de resfriamento dos ventos vindos do Pacífico para essa área central.

A pluviometria aumenta do Norte para o Sul, indo de condições desérticas até alta pluviosidade (menos de 70 mm no Norte a 1.300 mm no Sul).  Contudo, as influências climáticas do Oceano Pacífico e da Cordilheira dos Andes (Oeste-Leste) são mais relevantes do que as de Norte-Sul do país, o que levou a criação de 3 áreas vitivinícolas (Costa, Entre Cordilheiras, Andes) de caráter climático em 2011.

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As regiões vitivinícolas Chilenas são divididas em sub-regiões, zonas e áreas.  Sub-regiões seriam, por exemplo, Limarí em Coquimbo, Casablanca em Aconcágua e Maipo no Vale Central.  Zonas, por exemplo, seriam o Cachapoal e Colchágua que ficam na sub-região do Vale do Rapel dentro da região do Vale Central.

Ou seja, as sub-regiões vitivinícolas ganharam um novo zoneamento, com base na influência climática do oceano ou das montanhas, permitindo uma melhor adequação de castas e práticas viticulturais para cada área específica.

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Vamos comentar sobre esses resultados, a diversidade e as mudanças que estão ocorrendo na vitivinicultura Chilena nas próximas partes desse artigo. O link da parte 2 está a seguir:

Um Novo Vinho Chileno – Parte 2

Carlos Eduardo Mazon
Consultor Independente de Vinhos
Sommelier ABS-SP | WSET 3 | EVP | FWS

35 comentários em “Um Novo Vinho Chileno – Parte 1

  1. Mazon, uma ótima descrição do valor do vinho para Chile e a seriedade do trabalho, além das boas condições à produção, enriquecendo o que eu já conhecia um pouco. Como disse o amigo Nilton Vieira, aguardando os próximo capítulos .

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